! O professor, sentindo a boa temperatura vespertina tão incomum na cidade, resolveu ir à locadora alugar uns filmes para se entreter junto à amada. Morando em um bairro com notável índice de violência orquestrada pelo poder público, e visibilizada socialmente por alguns excluídos, escolheu as ruas menos ameaçantes. Com as chuvas caídas pela parte da manhã, os igarapés encheram e ele teve que atravessar pequenas pontes. Ao chegar ao meio de uma destas pontes medindo uns oito metros de cumprimento por um metro e meio de largura, avistou distante um rapaz, que acabara de assaltar uma velhinha, correndo em sua direção com um revólver. Temeroso, ficou paralisado e esperou o pior. O rapaz passou roçando seu corpo, chegou no fim da ponte, parou e, então, de frente para suas costas soltou um “ei”. Ele, tremendo, sentindo o aviso do feijão que havia comido no almoço, foi se virando, ficou de frente para o rapaz, esperou o metal quente em seu corpo, mas logo foi aliviado pela pergunta do rapaz se a prova de filosofia seria mesmo amanhã.

!! A senhora, catando objetos nas ruas protegida pela madrugada, viu distante, em uma encruzilhada, um saco grande cheio até as bordas. Confiante, ela se aproximou e abriu o saco. Dentro encontrou vários sapatos de mulher, todos novos. Alegre, começou a tirá-los para examiná-los. Tal não foi sua surpresa quando percebeu tratar-se de sapatos só do pé direito. Ficou pensativa, deprimiu e começou a chorar. Colocou todos os sapatos no saco e partiu agarrada com ele, protegendo-o, como se fosse um tesouro, chorando copiosamente.

!!! Certo da certeza de seu amor, sempre afirmara que no dia em que se separasse dela, nunca mais voltaria a vê-la, pois no amor não há volta. Um dia partiu com a aurora matutina. Um dia, em uma aldeia da China, no ocaso do dia, viu-a pelas costas, diante de si.

!!!! Louco de amor o cara queria desafogar, mas estava duro. Perambulou pelas ruas para ver se ganhava algum otário. Depois de algumas pernadas, avistou uma mulher colocando vinte tocos de esmola na cuia de um ceguinho. Não contou desgraça: foi lá e surrupiou a amarelinha e se mandou para um motel. Chegou, não escolheu, entrou no quarto e mandou ver. Com três empurradas, o motel desmoronou: a prefeitura estava abrindo uma rua por trás da casa do amor.

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