RASTROS SEMIOLÓGICOS DE UMA RADIOGRAFIA

E você, leitor intempestivo, com seu leigo conhecimento de medicina de quem já quebrou um braço ou nunca quebrou nem uma unha, acredita que esse osso voltaria para o lugar apenas pela pressão do gesso?
Mais uma reviravolta no caso da perna quebrada do cidadão metropolitano-itacoatiarense. Após idas e voltas pela rodoviária, confrontos médico-administrativos e de saberes entre HPS João Lúcio e o HU Getúlio Vargas, a intervenção do médico do CEFRAM e a mudança no diagnóstico e a imposição do pagamento de uma peça ortopédica, agora parece que a perna finalmente será operada. Não sem antes mais um conflito médico-administrativo.
Em retorno, uma semana e meia depois dos últimos acontecimentos (ver links abaixo), da consulta com o médico Sérgio Luiz B. de Oliveira, que havia visto de relance a radiografia da vez anterior, o metropolitano-itacoatiarense se viu novamente numa troca de diagnósticos. Desta vez, o mesmo Sr. Sérgio, agora, além de observar novamente a chapa radiográfica da perna, modificou o diagnóstico. “É preciso mesmo operar”, afirmou. Questionado pela acompanhante do paciente sobre a mudança do diagnóstico, o médico se resumiu a re-afirmar a atual posição e encaminhou o paciente para exames pré-operatórios e a preparação para a internação
SEMIOLOGIA DE UM SABER – A MEDICINA E SEUS APARATOS
O filósofo Michel Foucault, ao analisar o surgimento da medicina de Estado como estratégia biopolítica no âmbito do Estado capitalista burguês, deu visibilidade a um poder-saber que se apodera e produz um discurso sobre os corpos, a fim de, devidamente semiotizados – lidos e interpretados em suas manifestações ditas normais e anormais – possam ser mais facilmente domesticados em favor de uma política de seleção, classificação e ordenação dos corpos na sociedade de consumo.
Neste processo, o médico, cada vez mais, passou a ser o agente público que se debruçou sobre as práticas médicas, sanitárias e organizacionais no aspecto do controle de endemias, processo que foi individualizando os pacientes e isolando as moléstias. Desta forma, as especialidades médicas foram surgindo, à medida que era necessária uma maior concentração na leitura de determinados signos (sintomas). Ortopedia, Otorrinolaringologia, Oftalmologia, Nefrologia, Cardiologia, cada parte do corpo tem seu próprio especialista, sua semiologia (leitura e interpretação dos signos-sinais-sintomas específicos de cada ‘território’ corporal e suas moléstias) e sua tecnologia de detecção e leitura dos signos. O que seria de um médico moderno sem o aparato de exames e técnicas de diagnóstico que a tecnologia lhe proporciona? Há quem diga que o médico moderno é apenas um intermediário entre os laboratórios de diagnósticos e exames e os laboratórios farmacêuticos. Um reflexo da medicina de mercado.
UMA DIGRESSÃO: BREVES DIZERES SOBRE OS RAIOS-X
Quando o físico Wilhelm Conrad Rontgen (1845 – 1923) descobriu, por acaso, que a emissão de raios catódicos (de elétrons, como na
televisão) através de uma barra de platino cianeto de Bário produzia um efeito que permitia ‘atravessar’ os corpos, produzindo nas chapas de filme as impressões internas de suas estruturas, não imaginava que sua produção iria revolucionar a medicina, a astronáutica, a física, a química e até o estudo da arte. Com os raios-x (batizados assim pelo próprio ‘criador’, que usou a letra X, na ciência representativa do desconhecido), o ser humano foi capaz de ‘enxergar’ sua composição óssea – a primeira radiografia foi a da mão da esposa de Rontgen, Bertha – conhecer a estrutura das moléculas, estudar as explosões solares e o universo, pesquisar a composição de fósseis e múmias, a até mesmo estudar o método de trabalho de artistas, como Van Gogh.
O SEGREDO DO SECRETO OU O DESVELAMENTO DO ÓBVIO

Radiografia da perna tirada no HPS João Lúcio em 27/10.
O filósofo francês Jean Baudrillard, a respeito do segredo, afirma que ‘o segredo do secreto é não ter nenhum segredo’. Toda criança sabe isso. O grande prazer delas não é guardar um segredo, mas revelá-lo, desfazer o falso encanto do ocultamento. A radiografia da perna metropolitana, para o Sr. Sérgio Oliveira, guardou algum ‘segredo’ que não escapou, mais de um mês antes, ao olhar do médico Amarildo Brito, que atendeu o paciente no HPS João Lúcio, e ali já detectou a necessidade da cirurgia? Esta verdade médica, o signo ortopédico-semiológico contido no signo-radiografia, passou despercebido à primeira vista, ou a razão foi de outra ordem, que não envolve a ciência médica, mas toca nas questões econômicas, pessoais ou políticas?
No primeiro caso, a questão é epistemológica, mas também social, pois envolve equívocos e desencontros entre a leitura dos signos emitidos pelo corpo através do signo-radiografia, e o estabelecimento de um diagnóstico sobre um corpo físico, político e social, objetivo primordial da Medicina.
No segundo caso, a questão é de conduta. Se o diagnóstico correto – e confirmado por três médicos: Brito, Ramon Campus Grangeiro (CEFRAM) e o próprio Sérgio Oliveira (este na sua ‘versão retorno’) – em detrimento de diagnósticos agora considerados errôneos: Antonio Strotski e Sérgio Oliveira (versão ‘primeira consulta’) é o método convencionado pela semiologia ortopédica para o tratamento, então há que se questionar o uso equivocado dos saberes médicos por parte de quem deu o diagnóstico errado, colocando em risco a recuperação da funcionalidade do corpo do metropolitano-itacoatiarense, ou mesmo se este diagnóstico não levou em consideração aspectos ‘externos’ a esta semiologia (como a alegada falta de recursos na fala de Strotski, e a venda duplamente ilegal de um equipamento ortopédico ao paciente, ilegal porque deveria ser gratuito e também por se revelar desnecessário no diagnóstico atual). Independente da razão é caso para investigação de desvio de conduta por parte dos órgãos competentes, no caso, o Ministério Público Federal – por se tratar de recursos do SUS – e o Conselho Federal/Regional de Medicina.
Este Bloguinho continuará acompanhando o caso, e já entrou em contato com entidades representativas, como o CFM (Conselho Federal de Medicina) e a SBOT (Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia).
Acompanhe aqui, capítulo a capítulo, o desenrolar do drama pernal:
Outra Parada da Perna Metropolitana Quebrada.
Roteiro de Um Caso Ortopédico: uma análise biopolítica.
No Desenrolar do Confronto Médico-Administrativo.
Confronto Médico-Administrativo e Suas Confluências.
Em que Universidade esses médicos que atendenderam o cidadão de Itacoatiara estudaram? UFAM, NILTON LINS,onde foi pelo amor de Deus, que eu não quero me encontrar com eles nunca. Ainda bem que eu nunca quebrei nenhum osso, mais de isso que estão fazendo com o rapaz fosse comigo quem ia sair quebrado no terceiro retorno era o médico. Eu ia quebrar ele e depois eu ia dizer pra ele colocar o gesso pra ver se o osso ia voltar mesmo. É o seguinte, eu vou ler bem o documento de vocês e vou memorizar o nome desses pilantras. Se pagando eles fazem isso, imagina se for grátis, o cidadão apodrece. Por sinal tem muita gente apodrecendo porque pelo que vocês mostram a situação de uma perna quebrada, que não tem mistério nenhum está apodrecendo, imagina outros casos. Gostei de vocês e vou senpre acompanhar vocês porque esses médidos só mesmo na porrada. Porrada pra ver se eles aprendem.
Valeu, companheira Andrea!
Continue acompanhando e compondo linhas intinerantes com o Bloguinho Intempestivo. E cuidado pra não quebrar nada quando for ao médico. E anote nome e faculdade onde ele se formou. Sempre.
Abraços!
Não conheço Manaus, nunca tinha ouvido falar da faculdade Nilton Lins nem afins, sou a propósito cirurgiã cardiovascular formada pela USP mas vou lhe dizer uma coisa… é nojento o que você faz por aqui.
Aqui não há filosofia alguma. E a cidadania aqui anunciada é seu avesso. Não há didatismo algum no escárnio, no aviltamento, no pretenso alerta à sociedade, visivelmente motivado por benefícios/prejuízos pessoais.
Com essa sua filosofia auto-didática, essa semiologia teórica e equivocada, com seus conceitos ralos que se limitam a parafrasear gênios somente compreendidos por você certamente após a wikipédia, com tão pouco, você precisará cumprir antes uma estrada longa: ser aprovado numa universidade de medicina, de preferência pública uma vez que as particulares não servem para nada segundo suas palavras, lograr-se médico, ser aprovado em residência, e após 4 a 6 anos de residência, só então equivaler em méritos ao ortopedista que você está denegrindo.
Após portanto 12 anos de estudo depois do 2º grau, recebendo 300 reais de salário, sendo obrigado a fazer greves para garantir honorários dignos, exigir melhores condições de trabalho e reconhecimento do valor do seu trabalho; atuando em hospitais miseráveis, sem medicações, sem instrumentos cirúrgicos, sem materiais de curativo, você, lá naquela salinha do ortopedista, sabendo que quando você prescrevesse um gesso funcionários corruptos tentariam vender o que é garantido pelo SUS, você tendo saído de um trabalho para outro, pelo menos 2 plantões de 24h semanais, lidando com pessoas em sua grande maioria hostis, equivocadas, levadas pela mídia e pelo próprio Estado a culpar os profissionais de saúde pelo caos instalado, quando você conseguir estar no lugar desse médico só então poderá emitir opinões que não soem tão levianas quanto tudo o mais por aqui.
A Medicina por hora não lhe cabe.
Companheira Heloísa,
Valeu, e parabéns, nem a sua homônima, Heloísa Helena, que é não é Ramos, mas é do ramo, teve este saque.
Se a medicina a você se reduz ao vil metal, e a perna ao pessoal, para nós ela escapa e transborda. Se o caso é titular, em nossa associação também temos médicos, que inclusive estão em greve neste momento por melhores salários e condições de trabalho.
Quanto à USP e a pretensa superioridade das públicas em relação às particulares, não se preocupe: a USP também tem os seus Strotskis e Sérgios.
Volte sempre!
heloísa…
1) medico apóia médico, mesmo q o médico tenha feito merda.
2) achou ruim o tratamento de manaus? volta pra usp, volta pro buraco de onde saiu, vadia.
3) quando se faz juramento de profissão, nao interessa quem seja, atendimento é pra todos. Ou vai fazer q nem um dos seus coleguinhas aí, que se recusou a atender um adolescente pq estava em horario de almoço, onde logo após foi saber q o paciente era seu próprio filho, que acabou falecendo por falta de atendimento…?
4) médicos não são deuses, pois se fossem, não cometeriam tantos erros óbvios vindos de sua própria arrogância e preguiça…
5) é de médicos assim q o país precisa pra ir pro fundo do buraco de vez!!!
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