CENTRO DE REFERÊNCIA/VIOLÊNCIA AOS ÍNDIOS

Houve a paralisação do movimento intensivo dos seres-potências-naturais quando a semiótica sobrecodificadora aportou na ilha de Vera Cruz, trazendo a espada, a bíblia, o espelho e a língua: o regime de signos. Forja-se o enunciado sujeito-sujeitável “índio” e para convencê-lo mais facilmente a subjugar-se à palavra de ordem utilizam-se pedagogicamente os poemas e peças do Pe. José de Anchieta para catequizá-los/exorcizá-los.

Depois veio o Marquês de Pombal, já no século XVIII, expulsando os jesuítas e outras ordens, que vinham monopolizando os “índios” através do Nhengatu, o qual acirra ainda mais a perseguição aos selvagens, tanto pela dizimação, ainda maior e mais perversa, quanto pela transformação decretada de aldeias em vilas e a imposição da língua portuguesa obrigatória.

Quando o Secretário Estadual de Educação, Gideão Timóteo, profere que o Amazonas vai se tornar o centro nacional de educação indígena, não faz mais do que inscrever-se nessa série de uma linha dura imobilizante que molda e manipula um povo da forma que lhe for mais conveniente. Pelo entendimento de educação de sua gestão e a forma como o governo administra o estado, é apenas uma estratégia do Governo do Estado para se aproximar mais da miséria lucrativa dos denominados índios. Onde predominam universidades (UFRJ, USP, UNICAMP), grupos religiosos (Missão Salesiana e inúmeras denominações “protestantes”), o exército, o Governo do Estado, acorrentado ao modelo mercadológico do uso do enunciado “educação”, só pretende servir-se do merchandaising que a quimera inventada pelo erro de Colombo pode gerar atualmente para angariar recursos e principalmente obter visibilidade nacional e internacionalmente.

Enquanto isso, em alguma selva intransponível, onde nenhum símio decadente (Nietzsche), secretários serviçais, universitários tatibitates, padres, pastores, irá, o ser-potência-natural realiza um movimento infinito e eterno: o educare, numa comunhão de terra, bichos, rios, florestas, seja em que língua for. O que importa é a Natureza, que é simples e essencial, nada a ver com o marketing destes governos.

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