PARABÉNS, PROFESSOR!

Os parabéns não são só formas tradicionais de desejar felicidade a alguém. Parabéns, politicamente, é a confirmação do compromisso de alguém em sua alegria de atuar na composição democrática do existir. É este nosso dizer filosofante do “Parabéns Professor!”. É este engajamento político/social do professor para além do conteúdo programático, para além das determinações técnicas/burocráticas emanadas dos agentes governamentais como simples resultados estatísticos impositores da imobilidade aos saberes moventes. Saber apenas como confirmação do acontecido. Saber re-cgnição: pôr o já posto. Continuar como abstração o passado. O parabéns é a visibilidade do educare. O colocar em frente, ultrapassar o constituído como verdade finita. Verdade finita anestesiadora da ansiedade dos secretários. O eficaz ansiolítico. Parabéns professor/educador: criador. Apesar dos percalços impostos pelo mercantilismo pedagógico. Mercantilismo público e privado. Apesar das simulações educacionais. Apesar das imposições tirânicas. Das ameaças. Das chantagens. Dos salários desrealizados nas realidades sociais/econômicas. Das violentas materialidades arquitetônicas das escolas. Das ausências dos objetos necessários às práticas didáticas. Das incompreensões sobre o existir ontológico escolar.

Parabéns, professor! Os chefes, como enferrujados robôs, vão felicitá-lo. Vão tecer tributos heroicizantes. Vão presenteá-lo com flores e abraços. Professor, você sabe, algumas flores carregam espinhos e algumas mãos escondem punhais. Um sorriso a eles não custa nada, mas se for possível no fim dos lábios um rastro de humor, também não custa nada. É uma maneira de mostrar a autonomia de alguém em um tempo onde os mimos sedutores não lhe capturam e não lhe submetem a uma posição maleável. Um infantilismo. Como sempre foi. Como eles sempre consideraram você: “Basta a data comemorativa do dia 15 e uns afagos, e pronto: ele está sob nosso domínio. Em uma sociedade, o professor é o profissional mais dominado pela culpa. Por isso ele persegue, em seu complexo de Prometeu, a liberdade dos alunos pelo “conhecimento”. É essa a imaginação perversa deles sobre você, professor. Professor, estes secretários funcionam para promover e defender as ordens (crenças) de seus patrões, por isso a escola para eles domina-os como abstrações. Daí, professor, é você, e mais ninguém, quem sabe porque e para quê bate seu coração. Por que a escola é sua morada. Por que é aí a concretitude da Ética democrática. Parabéns, professor, você é a potência inquieta deste planeta errante!

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TRIBUTO (SEM HEROICIZAÇÃO) AOS PROFESSORES

PARABÉNS, EDUCADOR-PROFESSOR, PELO SER POLÍTICO!

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