DAS MÍDIAS SEM RUÍDOS

Entre as várias características decadentes que fazem da mídia uma doença social, a mercadológica é a que se destaca com maior força. Esta carrega consigo a covardia do funcionário capacho que anula a sua existência no mundo para se tornar um servo das vontades do patrão. Daí ocorrer a contratação e demissão de articulistas, colunistas e profissionais dos meios de comunicação em geral, na maioria das vezes, segundo indicações de pessoas envolvidas com os mercados da publicidade, empresas transnacionais e partidos políticos (que nada tem de políticos enquanto polis e produção da alegria de uma vida sem privações física-biológicas, econômicas e afetivas), sempre presos aos seus próprios interesses barrigais. É desta situação de onde sai uma mídia que não corresponde ao seu trabalho comunitário na sociedade, como um serviço público. Ela não traz consigo a informação como uma atitude que modifique o estagnado estado de coisas concebido por uma política reduzida a funções estatais tecnoburocráticas comuns ao neoliberalismo. Disto uma lógica surge para a mídia (seja ela impressa, digital, radiofônica ou televisiva): o que é informado pela mídia internacional é assegurada pela mídia nacional e esta, por sua vez, pauta a mídia local. E a informação deve seguir a harmonia do neoliberalismo, pois quando há um ruído (aqui, diferente da teoria da informação clássica, o significado de ruído não é um distúrbio na informação que indica problemas na comunicação, mas como produção de linha de fuga que escapa à realidade constituída) na informação que desloca a percepção para outros entendimentos que não sejam os centralizados na lógica do capital, a informação é desconsiderada. Foi o que aconteceu com funcionários da doente mídia padronizada (nacional e local) quando não se esforçaram nem um pouco para compreender o caso em que Kaká é chamado a depor no processo do casal Hernandes da igreja Renascer em Cristo. Eles apenas se conservaram na lógica midiática: reproduziram as débeis informações da mídia internacional. Mas o que se torna motivo de medo e desespero desta mídia enferma é quando os ruídos das informações padronizadas começam a saltar evidenciando a harmonia estagnada da violência midiática. O que resta para os defensores da insuficiência epistemológica midiática é atacar aqueles que conseguiram ter a percepção distorcida pelos ruídos que saltam da informação padronizada. Aí eles se aborrecem, reclamam, e fazem todo tipo de infantilização, posto que não alcançam estes ruídos e se mantêm passionalmente presos à percepção que o mundo constituído os ofereceu e eles abraçaram com força.

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