COLUNA VERTEBRAL

Se a Vertebral não analisou nada se realizou

# Esta Filó está barbaramente filosofante. Vejam só. Estava ela, neste sábado passado, em arrepiante festa com convivas variados, até pastor. Lá pras tantas, em meio a altercações harmônicas e dissonantes, um pastor aproveitou a onda e mandou falação teo-partidária estimulada pela candidatura a prefeito de um disangelista (o que não é evangelista, o homem da boa mensagem, mas o mensageiro da má notícia, o pessimista, culpado, juiz, tirano). A filósofa Filó, mandou ver uma inquirição: “Eu sou capaz de entrar pra tua igreja se me responderes quem nasceu primeiro, Deus ou o pecado”. O pastor acusou o golpe. Fico pétreo. Mudo. Ela, filosoficamente obscena, com o pastor fora de cena, disse que se levarmos em conta que tudo sai da providência divina, se Deus é primeiro, o pecado é invenção Dele, e se o pecado é primeiro, Ele é fruto do pecado, logo, Ele encontra-se no mesmo degrau do homem/pecador. Isto põe o homem como senhor de sua história. Saindo do choque, ele sorriu malárico, e saiu de fininho. E ela gargalhou, dizendo ser bem provável que este pastor agora vá pensar como é perigoso querer se meter nas coisas de Deus e querê-Lo misturado nas coisas banais do homem, principalmente campanha eleitoral. Esta é muito boa para uma segundona TDPM – Transtorno Disfórico Pré Menstrual.

# A Tininha está cada vez mais esperta em matéria de futebol, principalmente em relação ao seu Palmeiras. Ontem, no auge dos seus 11 aninhos, depois da partida entre seu time e o de Pelé, ela afirmou que o juiz da partida deveria escrever na súmula do jogo que estava profundamente ofendido por ter sido atingido em sua honra profissional pelos dois times. Sendo um profissional pago muito bem para apitar partidas profissionais, fora transformado em juiz de peladeiro dada a pobreza do anti jogo produzido pelos jogadores e, em seguida, colocar na justiça os dois times para serem multados. Fiquei imaginando: esta Tininha deveria estagiar como repórter da coluna esportiva Chagão. Pelo menos é imparcial, coisa que muitos repórteres e jornalistas não são.

# A imprensa imprensada no óbvio sem percebê-lo, noticia que a banda da Bica corre o perigo de não sair neste carnaval em razão de em sua letra/tema fazer alusão a um parente do português Armando, gene/nominal da existência da mesma. Em sua obviedade, ela discorda desta catástrofe alegria manauense, pois para ela trata-se de uma das identidades do carnaval de Manaus. Uma instituição consagrada pelos brincantes e seus fundadores, que se tomam como irreverentes, irônicos e inteligentes. Verdadeiros representantes momesmos da resistência à ditadura. Personalidade exigida por professor universitário a ser transformada em patrimônio público. Todavia, esta obviedade impede deslumbrar duas marchas. Uma, tomando a lógica da semelhança, ela já se apresentou em todas as outras bandas que já saíram, e ainda vai em todas as outras que vão se apresentar. Graças às semelhanças, que nem a tentativa protética em querer se tomar em charme diferencial, não a torna outra. Dois, seus adjetivos rebeldes e intelectuais são tão adesivados quanto “é dos carecas que elas gostam mais” e “olha a cabeleira do Zezé”. Os clichês preconceituosos e sensorialmente impulsivos. Tudo muito bem propagado como enunciado/promocional/fálico. Uma resistência à ditadura sem Marx. Sequer idealizado pela imaginação. Mais espectro satírico lamê do que Dionísio, o Destemido. Em síntese, apenas uma banda do todo da classe média bem determinada e bem demonstrada, o que não possibilita movimento nem alegórico.

# Ainda tem gente boba mesmo pra acreditar nesses alarmêêêês midiáticos, pois eu não notei que o Fafinho tava só um stress, então perguntei qual foi, e ele me falou que talvez fosse que faz uns dois mês que não tira um piço com o Valdo. “E por quê?”, perguntei. “Pois não é que ele cismou que pode contrair a tal da MRSA USA300”, falou o Fafo. Sem compreender, perguntei-lhe: “E o que é essa agora?”. Fafinho me explicou: “E não é uma variante da bactéria Estaphiilococos Aureus Resistente à Meticilina que, dizem, está dando nos homossexuais”. Euzinha, então, que estou já acostumada com os alardêêês falsos da mídia sobre doenças, fui pesquisar. Chamei ele e disse: “Olha, Fafo, não precisa ficar na seca assim não. Primeiro porque o boato era apenas em relação aos homossexuais de São Francisco e Boston, divulgado pela revista científica Annals of Internal Medicine e alastrado pela mídia alarmática. Segundo, o próprio CDC – Departamento de Controle de Doenças dos EUA pronunciou-se, desfazendo esse alarmório, que a tal MRSA é transmitida por contato de pele, inclusive em relações sexuais, e de forma nenhuma exclusivamente nas relações homossexuais”. Eu vi o contentamento tomar conta do semblante do Fafinho; ele foi logo dizendo: “Vou agora mesmo contar pro Valdo; vou dizer que foi tu, Vertebra, quem me disse, que aí ele acredita mesmo”. “Vai logo, antes que a mídia brazuca comece a fazer com a MRSA o mesmo alardismo que tentou com a febre amarela. Ah!, e eu ia esquecendo de dizer que a camisinha também nesse caso pode ajudar a prevenir”, acrescentei. Fafo só fez bater com a mão na bolsa e saiu rindo, apressado.

É carnaval, mas salta Rock!

E pelo meio produz o choque!

Abraços e Beijos Momescos!

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