IRÃ SOFRE NOVOS ATAQUES DOS EUA APÓS MORTE DE SOLDADOS ESTADUNIDENSES NA JORDÂNIA

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ORIENTE MÉDIO

Bombardeios atingiram região sul do país; Teerã afirma que suspendeu compromissos com Estados Unidos

Outdoor anti-EUA nas ruas de Teerã | Crédito: ATTA KENARE / AFP

Os Estados Unidos lançaram ataques aéreos contra o Irã na noite desse sábado (18), pelo oitavo dia consecutivo. Bombardeios foram registrados na cidade de Sirik, ao sul do país, em mais um episódio do conflito no Oriente Médio. Não houve relato de vítimas ou danos à infraestrutura. 

Também no sábado (18), o exército iraniano afirmou ter atacado duas bases estadunidenses no Kuwait, com drones, atingindo um centro de apoio militar dos EUA e instalações da Base Aérea Ali Al Salem. 

Em meio à escalada das hostilidades entre Teerã e Washington, a Organização de Energia Atômica do Irã afirmou que os EUA atacaram uma usina nuclear em construção no país na madrugada deste domingo (19). A agência classificou o ataque à usina de Darkhovin um ato “agressivo e brutal contrário ao direito internacional”, em comunicado divulgado pela estatal Press TV.

Resposta

Segundo o Comando Central das Forças Armadas dos EUA (Centcom), a ordem do presidente Donald Trump é uma resposta pela morte de dois soldados estadunidenses em ataques iranianos contra bases militares do país na Jordânia. Um militar norte-americano segue desaparecido.

“Esses ataques [em Sirik] têm como objetivo reduzir ainda mais a capacidade do Irã de ameaçar a navegação comercial no estreito de Hormuz e punir rapidamente as forças da Guarda Revolucionária Islâmica que lançaram ataques contra militares americanos na Jordânia na noite passada”, disse o Comando.

Escalada do conflito

Na sexta-feira (17), a Guarda Revolucionária do Irã confirmou que realizou um ataque com drones e mísseis contra a base estadunidense Al-Azraq, na Jordânia, atingindo dois caças e duas aeronaves. De acordo com o Comando das Forças Armadas dos EUA, quatro militares ficaram feridos, dois morreram e um continua desaparecido.

Com isso, subiu para 16 o número de baixas militares estadunidenses desde que os EUA e Israel iniciaram a guerra. O conflito no Oriente Médio começou em 28 de fevereiro com bombardeios dos dois países contra o território iraniano. 

Segundo o Ministério da Saúde do Irã, 50 pessoas morreram e mais de 500 ficaram feridas em ataques dos EUA nas últimas semanas. A escalada das agressões recomeçou em 7 de julho, encerrando o frágil cessar-fogo iniciado em junho.

‘Lição inesquecível’

Segundo o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, Teerã suspendeu oficialmente todos os compromissos assumidos no memorando de entendimento firmado com os Estados Unidos. O líder supremo do país persa, Mojtaba Khamenei, já havia afirmado que Donald Trump tem descumprido todos os acordos e que a assinatura dele não tem valor. 

Diante dos novos ataques, Khamenei prometeu dar aos estadunidenses uma “lição inesquecível”. O aiatolá assumiu após a morte de seu pai no primeiro ataque conjunto dos EUA e de Israel.

“Agora que o inimigo americano busca fomentar a guerra e sofrer custos mais elevados e maior humilhação, deve saber que a amada nação do Irã e a Frente de Resistência têm lições inesquecíveis reservadas para ele, lições das quais a coragem dos guerreiros do Islã e o zelo do bravo povo da região sul forneceram exemplos claros nos últimos dias”, disse o líder supremo. 

O vice-ministro Kazem Gharibabadi alegou que as repetidas agressões contra o Irã demonstram que os EUA ignoram seus compromissos de negociações. “O que temos diante de nós agora é a defesa resoluta do país e uma lição para os agressores”, disse. “Se forem sábios, deverão escolher outras abordagens”, concluiu.

*Com informações da AFP e Telesur

Editado por: Monyse Ravena

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