DINHEIRO NÃO PRODUZ EDUCAÇÃO
O resultado da avaliação do Ministério da Educação sobre a produção educacional no Brasil afirma o óbvio: o dinheiro não é suficiente para efetivar o exercício ontológico educacional. Até mesmo quando reduzido à tese fundamental do Ministério: capacitar o estudante a trabalhar com familiaridade as quatro operações, ler corretamente, construir frases, períodos, conjugar verbos, identificar sujeitos e predicados para poder construir textos. Entretanto, o educare filosófico como ultrapassar, mudar, avançar, colocar-se adiante cognitiva e afetivamente, não é um mero produto da metodologia técnica/burocrática do dinheiro como enfatizam os cursos de educação e os órgãos de ensino do estado. Mas sim, um compromisso histórico social saído das vivências e percursos daqueles que estão envolvidos nesta contínua práxis construtora de modus alegres de ser comunitário. Engajamento deviriano conjugado aos outros como sujeitos poiéticos criadores existenciais de afirmação da vida. Nesse entendimento, a filósofa judia-alemã Hannah Arendt afirmava que só deveria se envolver com a educação pais e educadores historicamente compromissados com o mundo. Pois a educação é uma ventura histórica atemporal. Ou, como disse o outro filósofo alemão, Nietzsche, arrefecimento da vontade de potência não é ducação. Tudo que vemos naqueles que acreditam ser a educação uma questão burocrática/financeira. Principalmente secretários que confundem suas existências afetivas/materiais rígidas com uma lógica de ensino rígida/material. “Filosofia na educação é bom, mas sem dinheiro não se faz educação!”. A máxima dos velhacos da educação. Defesa contra seus fracassos ontológicos.
A EDUCAÇÃO NA BAIXA METROPOLITANA
No caso do Amazonas, a avaliação do Ministério da Educação, mesmo equivocada quanto ao conceito ontológico de educação, serve para mostrar o quanto governantes, tanto governadores e prefeitos, historicamente, desconheciam e desconhecem o mínimo de educação. Por isso a envolvem nas mesmas práticas materialistas de outras instâncias do estado e das prefeituras. Principalmente as perversas práticas captadoras de signos eleitorais. Com uma compreensão de democracia forjada no conceito arcaico de demagogia, aproveitam a aura mitificada que carrega o conceito de educação como transformação e crescimento de vida cidadã, usam os recursos públicos de acordo com estes entendimentos. Daí o miserável resultado: quase a metade dos municípios do Amazonas em nível muito abaixo da média. Um resultado esperado dado o atavismo da ignorância política que acomete a maior parte dos governantes. E o pior, que de acordo com esta enfermidade/política crônica, não devemos ter expectativas de melhora. Mesmo com os recursos financeiros e tecnológicos que serão aplicados pelo governo federal e as promessas do governador Eduardo Braga diante do Ministro Haddad, de que na próxima avaliação o resultado será diferente, como acreditar, se municípios da própria região metropolitana apresentam deprimentes níveis, como Presidente Figueiredo, Iranduba, Castanho, além de Itacoatiara, vizinha de Manaus? Realidade confirmadora que o estabelecimento de Manaus como região metropolitana foi mais uma ilusão ufanista desvairada de seus autores. Pois, não são quereres pessoais que transformam magicamente uma deplorável realidade em uma realidade fabulante. Daí que, enquanto a educação não for sentida e compreendida como modus de ser em hábitat: Ética. Cartografia de desejos criativos constituída por todos, carregaremos esta perversa realidade que nos imobiliza e nos faz prisioneiros históricos de um passado cruel. E o estado será tão somente uma quimera, mesmo com todos seus suportes técnicos/ jurídicos.