QUEM TEM MEDO DA GLOBO?
A própria Globo!
A Globo tem medo de não ser suficientemente insignificante (não constrói signos) na sua órbita artificial produtora de dissipações. Tem medo de que suas desrealizações do social não sejam capazes de manter seduzidos os telespectadores que, em suas próprias autonomias, apesar de suposta parceria tele-ensignante, mantém a decisão de opinar sobre o que não quer ver, mesmo ligando em qualquer canal. O medo como presença real de signos-virtuais desativados que voltam sobre si mesmos depois de um longo período de ativação como suporte da liderança de audiência. A indiferença das imagens banalizadas, que não mais refletem a ilusão do real-social que tanto a Globo vendeu como realidade do povo brasileiro.
A ESTUPIDEZ DA GLOBO
Sempre se afirmou que cognitivamente não há vida inteligente na TV, e sempre se deu mais ênfase à esta assertiva quando se tratava da Globo. Então, eis que agora a Globo, em seu desespero diante das baixíssimas audiências, revela para si mesmo — o que muitos já sabiam — o seu grau de estupidez: não percebeu durante toda sua voracidade que também estava aliada à produção da teia do despojamento do objeto-real que servia de mercadoria para ilusão da troca. Não percebeu que abusando de suas tecnologias-virtuais estava esvaziando exatamente a nota de sua enganosa superioridade: o desejo áudio-visual como seu equivalente. O que mantinha a troca televisiva. O signo que supunha ser eterno no telespectador. A garantia de sua audiência. Agora, na órbita da banalização das imagens superexpostas, onde a sua única certeza é a não-equivalência, tenta por todos os meios escapar dos últimos estertores de sua extinção. Nisso, recorre a signos que acredita, em sua estupidez, ainda tele-ativados; como escandalizar noticiais contra o governo Lula, insinuar que não pretende — pretendendo — beijo Gay em novela, moralizando narrações futebolísticas, etc. Mas nada reflete: os signos sedutores perderam suas forças fantasiosas de troca.
A INCERTEZA RADICAL DA GLOBO
O filósofo Baudrillard diz que no espetáculo da nulidade virtual a única certeza que se tem é a da incerteza radical: nada existe para ser trocado. Tudo que antes era meritório em função de uma realidade produtiva, desapareceu como princípio do nada instaurado pela telemorfose onde a maioria é apresentada como único, em uma harmonia espectral que não se distingue mais quem é ator e espectador. “A realidade integral”. “O crime perfeito: a eliminação do mundo real”. Talentosa cúmplice no assassinato do mundo real, a Globo se perde na vertigem de suas próprias imagens-virtuais, alucinando ser também dos telespectadores, o que não é. Homo-Imagética autocomunicante ecoando em si mesma. Ironia de seu Big Brother: não há como se ver. Não há nada a ver na nulidade do real. Aí o trunfo do telespectador: visitar a casa, sabendo que não há nada a ver. Por isso sair incólume, e poder fazer suas próprias escolhas. Por exemplo: reeleger Lula, acreditar em seu governo, trabalhar para um Brasil melhor, tudo que lhe permita sentir que é sujeito de sua história. Nada do que a Globo pretende significar (afirmar realidades) em sua insignificância. Daí que o servil (ser-vil) Aguinaldo Silva não ser ameaça ao governo Lula, e nem necessário a causa GLBT. Daí a deputada Cida do PT-RJ, da Frente Parlamentar GLBT, não entender que agente da Globo não auxilia na realidade da democrática causa.