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Chagão!

Quien quiera entender como funciona el mundo
deberá entender el fútbol”.
Roberto Perfumo (ex-jogador argentino).

Θ MUNDIAL DE FUTEBOL GLBT. No ano passado, você conferiu aqui neste ‘Chagão!’ o campeonato, que não teve participante brasileiro, mas terminou com um artilheiro braziniquim (Maicol) e um campeão portenho. Este ano, mesmo com as confusões promovidas pela prefeitura de Londres, o mundial começa esta semana com 50 equipes inscritas, sendo apenas uma mexicana e uma argentina representando as Américas. Pouco, mas o objetivo do certame é a ludicidade do futebol como prática do ser humano, como jogo, e não como negócio ou mercadoria. Qualquer um pode participar, e há tantos héteros e homoeróticos na IGLFA quanto na FIFA. A diferença é que estes são ressentidos, enquanto aqueles, bem, aqueles já entenderam que o mundo além de ser uma bola, é gay.

Θ CHAGÃO PERGUNTA: O estádio da foto é o famoso Estádio Vivaldo Lima, o conhecido vivaldão. Com capacidade para 43 mil pessoas, o estádio é um colosso num Estado que não tem futebol. Inaugurado em 05 de abril de 1970, sem ter sido concluído, somente para uma partida entre os reservas do Brasil contra a seleção amazonense. O primeiro a estufar as redes do estádio foi ninguém menos que Dadá Maravilha. Somente em 1995 o estádio foi considerado efetivamente terminado, e uma grande reforma em 2006 trouxe um novíssimo sistema de som importado da Bélgica e um placar eletrônico, que transformou o Vivaldão no estádio mais moderno do país à época. Pena que o futebol, no Amazonas, continua seguindo a mesma metodologia das políticas públicas: somente marketing e maquiagem. Agora o ‘Chagão!’ quer saber: o finalista da Copa Libertadores, o tricolor das Laranjeiras, Fluminense, tem o apelido de “Pó de Arroz”. A versão oficial para o apelido seria o fato do time ter sua origem entre a elite do Rio, e ter uma torcida “afetada”, que ia ao estádio como se vai ao turfe. Porém, há outra versão, igualmente histórica e ligada às lutas de classe no Brasil que justifica o apelido do verde-branco-e-grená. Você sabe qual é a outra versão?

Θ COPA DO BRASIL. Crônica do jogo de ida da finalíssima:

Final

Corinthians/SP 3 – 1 Sport Recife/PE

Sport Recife/PE Corinthians/SP

A agremiação Sport Club do Recife parece que tem dois times. Um, que viaja e joga as partidas como visitante. É impulsivo, mas sem grande objetividade, sem criatividade, sufoca mas misteriosamente não consegue fazer gols. Em casa, com “o outro” time em campo, a impulsividade é vantagem, o time sufoca, cria e marca. Hoje, apresentou um futebol mediano, embora mais consistente que o alvi-negro paulista. Mas o Corinthians soube aproveitar suas chances. Dentinho, que começou enchouriçando a ala direita da defesa rubro-negra, em sua segunda jogada, cortou e marcou. O Sport, que vinha claramente para se defender, teve que ir ao ataque, e numa bola roubada com falta pela defesa corintiana, e com uma avenida no campo de ataque, seis jogadores de branco triangularam contra três de vermelho, e a bola sobrou para o voluntarioso Herrera marcar. Daí em diante, e durante todo o segundo tempo, se viu um Sport que batia do mesmo jeito, tentando penetrar na defesa paulista, com relativo sucesso, mas com um Leandro Machado e um Carlinhos Bala afoitos na hora da conclusão. De tanto insistir, aos 30 do segundo tempo, o Corinthians, num contra-ataque na arreganhada defesa pernambucana, marcou mais um: lançamento para o argentino Herrera, que aos trancos e barrancos dominou na entrada da área, e com um giro de corpo inverteu a trajetória da bola, deixando o uruguaio Beto Acosta sozinho para deslocar o goleiro e marcar o número 3 no placar do Morumbi. A tônica do segundo tempo não mudou, e o Sport continuou atacando atabalhoadamente, mas contando com os buracos na defesa paulista, até que aos 45 derradeiros, Enilton (ex-Palmeiras), que substituiu Leandro Machado, recebeu na mesma linha uma triangulação bem sucedida do ataque rubro-negro, e tocou na saída de Marcelinho-Felipe, o crente. Com dois de vantagem, o clube da âncora vai a Pernambuco com a vantagem de poder perder por um gol. Se lá jogar o time do Sport que costuma jogar em casa, a vantagem paulista pode não ser suficiente pra comemorar antecipado.

Θ LIBERTADORES DA AMÉRICA. Resultados das semifinais:

Semifinais

América (MEX) 1 – 1 LDU Quito (EQU)

LDU Quito (EQU) 0 – 0 América (MEX)

A Liga de Quito heroicamente segurou um zero a zero com um America que esqueceu de jogar. Quando o gordinho-craque, Cabañas, resolveu se mexer, já era tarde, e os blancos de Rafael Corrêa estão na finalíssima da Libertadores, com os louros de quem acabou por sagrar-se a surpresa da competição. Terá o destino de tantas outras, que quedaram no segundo lugar, ou fará a LDU o mesmo feito do Once Caldas, na década de 90?

Boca Jrs (ARG) 2 – 2Fluminense (BRA)

Fluminense (BRA) 3 – 1 Boca Jrs (ARG)

E a promessa se cumpriu. Um grande jogo no Maracanã! O tricolor carioca entrou nervoso e não conseguia se acertar no início da partida. Ao contrário, os comandados de Ischia tocavam a bola e armavam as jogadas, sempre com o trio RPP (Riquelme – Palacio – Palermo). Até a meiuca do primeiro tempo, o tricolor tinha chegado apenas uma vez, com Washington, que chutou por cima do travessão. Os auri-azuis, ao contrário, chegavam mais incisivamente, embora não chegassem a sufocar constantemente. O primeiro tempo foi dos xeneizes, que deixaram um gostinho de “quem não faz, leva”. O segundo tempo começa como se nada tivesse acontecido: o Boca no ataque, como se em casa estivesse, e jogando sempre na base do “a qualquer hora sai o gol”. E é quando o homem do jogo se preparava para entrar que uma cabeçada de Palermo calou a torcida tricolor, e interrompeu o quebra-cabeças e as borrachadas dos PM´s paulistas na torcida argentina. Se o início do confronto se deu a partir de um lado ou de outro, foi impossível a esta coluna apurar até o fechamento da crônica esportiva. Sabe-se que rolou também botinada para a torcida tricolor. Com 1 a 0 no placar, a justiça se fazia, mas nem bem deu tempo de comemorar, e Washington, apagado no jogo, de falta, empatou. O time xeneize passou a ter que se preocupar com as subidas, agora puxadas por Dodô, que entrou e parece que levou o time inteiro para o campo. Finalmente o Fluminense dava o ar de sua graça no gramado do Maraca. Com o gol, o time do Boca finalmente mostrou que não é mais que um punhado de jogadores medianos, e que sem os lampejos do cansado Riquelme, não vai a lugar algum. O time passou a atacar sem objetividade e organização, sem jogadas, se limitando a procurar a cabeça loura de Palermo entre a forte e eficientíssima defesa do Flu. Destaque para o zagueiro Thiago Silva, e o goleiro Fernando Henrique (que não é o Cardoso, para alegria dos cariocas). Ainda deu tempo de Dodô armar vários contra-ataques, dos quais um entrou, em chute de Conca e desvio de Ibarra, e já no apagar das luzes, com um Maracanã ainda temeroso de um gol xeneize, o próprio dono da festa fazendo um belo gol e soltando o grito da garganta do torcedor do Fluminense. De quebra, o artilheiro dos belos gols ainda calou e imprimiu à torcida flamenguista a segunda eliminação numa mesma Libertadores. A Fla-Boca agourou os xeneizes?

FINALÍSSIMA (25/06 e 02/07)

Fluminense (BRA) LDU Quito (EQU)

A ordem das partidas ainda não foi definida, mas Fluminense e LDU, advindas do Grupo 8, já se enfrentaram nesta Libertadores. Lá, sem gols, aqui, uma vitória magra do Fluminense. A imprensa brasileira está considerando a semifinal entre Boca e Fluminense a final antecipada. A julgar pelo retrospecto, a partida com os brancos equatorianos será mais difícil que com os xeneizes.

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