VALDEMAR COSTA NETO TENTA AJUDAR FLÁVIO BOLSONARO NO CASO VORCARO, MAIS SÓ PIORA
Presidente do PL deu versão à GloboNews que desmente categoricamente a versão do senador pré-candidato à Presidência de que teria ido ver o banqueiro “para pôr fim à relação”
Ocenário político e a corrida sucessória presidencial foram severamente impactos nesta segunda-feira (25) após uma entrevista de forte repercussão concedida à GloboNews pelo presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar da Costa Neto. Ele apresentou elementos inéditos que alteram substantivamente a linha de defesa do senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) quanto às motivações reais de sua visita ao banqueiro Daniel Vorcaro após a prisão deste, em novembro do ano passado. A manifestação do dirigente partidário desconstituiu de forma categórica a versão oficial até então sustentada pelo parlamentar.
A revelação invalida a narrativa de contenção de danos e de distanciamento que o clã Bolsonaro vinha estruturando junto à opinião públicaem relação ao caso. Até este momento, a justificativa formal protocolada por Flávio Bolsonaro para explicar seu deslocamento a São Paulo baseava-se na premissa de que a reunião na residência do ex-dono do Banco Master ocorrera exclusivamente para “pôr um fim na relação” entre as partes, motivada pela gravidade da persecução penal que aponta fraudes financeiras e desvios estimados em R$ 12 bilhões.
Entretanto, as palavras de Costa Neto estabeleceram que o comparecimento do senador teve caráter de cobrança, visando receber o restante dos valores previamente exigidos para o financiamento da cinebiografia Dark Horse, obra audiovisual sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Do aporte total, originalmente de R$ 134 milhões, o fraudador havia transferido “apenas” R$ 61 milhões antes de sua prisão pela Polícia Federal. Segundo o presidente do PL, o propósito da visita de Flávio Bolsonaro receber os R$ 73 milhões restantes. Ou seja, o senador queria mais dinheiro do criminoso.
A naturalização do absurdo choca jornalistas
O momento mais estarrecedor da entrevista ocorreu quando Valdemar da Costa Neto tentou justificar a conduta do pré-candidato do PL, gerando imediata reação de perplexidade e consternação entre os jornalistas da GloboNews. Sem demonstrar constrangimento, o dirigente tentou normalizar o fato de um senador da República ir à casa de um criminoso recém-preso para exigir dezenas de milhões de reais de origem ilícita.
“Nós não temos dúvidas do que ele [Vorcaro] fez e que foi uma barbaridade para o país, mas isso é normal… O que o Flávio fez é natural, é a coisa mais normal do mundo”, disparou o presidente do PL.
Imediatamente interpelado pelos entrevistadores sobre qual parte específica da história seria considerada “normal”, Costa Neto subiu o tom do absurdo e completou, escancarando a cobrança financeira:
“Visitar o Vorcaro, porque o Vorcaro tinha ajudado ele… E ele queria terminar a relação com o Vorcaro com ‘olha, vai me pagar, vai me pagar o restante, dá pra me pagar o restante?’…”
Impacto político e o peso das mentiras
A declaração de Valdemar complica de forma severa a situação jurídica e política de Flávio Bolsonaro. O episódio comprova que o senador não apenas faltou com a verdade perante a opinião pública, mas que, mesmo tendo plena ciência dos graves crimes financeiros imputados a Daniel Vorcaro, manteve o interesse em extrair recursos do esquema criminoso sob o pretexto de financiar a peça de propaganda familiar.
A revelação joga por terra o discurso de ética e combate à corrupção da pré-campanha do PL e fornece munição pesada para adversários políticos. Aliados de Flávio nos bastidores do Congresso já avaliam que o estrago provocado pelo “sincericídio” do próprio presidente da legenda terá reflexos profundos e imediatos no isolamento de sua candidatura ao Palácio do Planalto.