“JUIZ NÃO É XERIFE”: DESEMBARGADOR AUTOR DE CARTA APÓS CHACINA NO RJ DEFENDE “MAIS ESTADO” EM COMUNIDADES
afinsophia 12/11/2025 0
Buch defende que juízes ajam como “semáforos” e não “xerifes” e que o Estado invista em habitação e saneamento para superar a violência

Durante a entrevista, o desembargador João Marcos Buch expressou sua profunda consternação com a chacina no Rio de Janeiro, classificando-a como uma tragédia que abalou qualquer cidadão brasileiro. Ele ressaltou que, embora resida em Santa Catarina e não tenha a mesma vivência das realidades vulneráveis, busca entender essas comunidades através de visitas e diálogos com coletivos. A sua reação foi particularmente motivada pelo desespero de uma senhora entrevistada na TV, que declarou ter “perdido as esperanças” na melhoria da vida na comunidade.
Diante desse sentimento, Buch decidiu elaborar uma carta, em licença poética, para essa senhora, a quem nomeou Dona Alice. Na carta, ele expressou sua sensibilização pela tragédia humana vivida pelas populações periféricas. “Quando eu publicizei essa carta, o meu objetivo foi de trazer um pouco de sensibilidade humana e ética a toda essa a gravidade que se está vivendo no nosso país”, explicou Buch.
“Para os magistrados, o que falta é essa concepção de que juiz não combate o crime. Juiz não é xerife, não é delegado, não é policial. Juiz julga. O juiz é um semáforo, e esse semáforo vai ser baseado na lei e na Constituição. Se o juiz tiver a formação humanística, souber que ele não é um combatente, não é um justiceiro, que ele está ali para limitar o poder do Estado, (…) a partir daí, ele vai começar a ter essa outra perspectiva, a de que só encarceramos o pequeno, o bagrinho. O pobre e o preto. Aquele grande traficante, aquele que tem apartamento à beira-mar, que lava dinheiro, que corrompe, esse não é alcançado”, comentou.
O desembargador também abordou a necessidade de políticas públicas que ouçam as pessoas das favelas e comunidades periféricas para superar a violência. Ele defendeu a presença do Estado em habitação, saneamento, empregabilidade, saúde e educação, argumentando que a ausência estatal torna essas comunidades violentas.
“Nós queremos o Estado presente para que o ‘estado paralegal’ não tome conta. Queremos o Estado presente em habitação, saneamento, empregabilidade, acesso à saúde, à educação. São esses equipamentos em que o Estado precisa comparecer para que nós consigamos superar esse mundo de violência. Essas comunidades não eram violentas, elas se tornaram violentas pela ausência do Estado”, disparou.
Assista a entrevista completa abaixo:
Nota da Redação: O Jornal GGN utiliza ferramentas de Inteligência Artificial para transcrever o conteúdo de vídeos do canal TV GGN, no Youtube. Os textos são gerados exclusivamente com base na programação, que contém entrevistas realizadas pelo jornalista Luís Nassif e sua equipe, além de análises e debates promovidos por outros coapresentadores e comentaristas do canal. As ferramentas não adicionam material externo ao conteúdo. Todo e qualquer material produzido com auxílio de I.A. é revisado e editado por um jornalista antes de sua publicação, para garantir a lisura das informações e coerência editorial.
