BELCHIOR: A POESIA ATUAL, UNIVERSAL E O AMOR COMO FERRAMENTA DE TRANSFORMAÇÃO

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80 ANOS

Marisa Orth, Taciana Barros e Bur falam do projeto que homenageia o cantor e compositor cearense

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Taciana Barros, Marisa Orth e Bur, que interpretam canções de Belchior no espetáculo | Crédito: Divulgação/José de Holanda

Em 2026, Belchior completaria 80 anos. Por conta disso, Marisa Orth, Bur e Taciana Barros se unem para homenagear o artista na turnê “Amar e mudar as coisas – Belchior 80”, que começa nesta terça-feira (23) e vai até o próximo domingo (28), na Caixa Cultural, em Brasília (DF).

As artistas foram as convidadas do Conversa Bem Viver e contaram mais sobre como surgiu a ideia do tributo que celebra o legado do compositor cearense e revisita sua poesia intergeracional, que permanece atual até os dias de hoje.

Taciana Barros explica que, na realidade, o projeto começou quase dez anos atrás, quando, em agosto de 2017, pouco tempo depois da morte de Belchior, Jotabê Medeiros lançou a biografia “Apenas um rapaz latino-americano”.

“O pessoal da editora me convidou para montar uma apresentação para um evento específico. Só que aí, quando eu soube que era Belchior, um artista absoluto, enorme, gigante brasileiro, um compositor, ele, sim, camisa 10 da nossa seleção. E assim, eu quis fazer uma coisa mais profunda, sabe? Legal o lançamento do livro, mas, já que é para mergulhar, vamos mergulhar de cabeça. Aí chamei a Bur. No começo era Ana Cañas também. E depois entrou a gloriosa Marisa Orth. E aí o negócio ficou muito gostoso e a gente não quis parar mais”, conta.

Segundo Marisa Orth, um dos trunfos do show é justamente dar o protagonismo ao homenageado. “Somos três intérpretes totalmente diferentes uma da outra. Não tendo bateria, não tendo teclado, que são instrumentos que são volumosos em termos de som. Inclusive, a gente com uma roupa mais ou menos neutra e tendo essa divisão entre três intérpretes, não fica show de ninguém, fica show do Belchior, da obra dele. Então, essa ideia original de ilustrar a biografia dele se manteve. E é muito bacana que muita gente que até conhecia o Belchior fala: ‘Nossa, eu nunca tinha percebido esse pedaço da poesia, nunca tinha reparado aquele momento’. Todo mundo adora”, relata.

Barros destaca, além da contemporaneidade da poesia do artista, a forma com que ele consegue tocar individualmente quem toma contato com ela. “Ele é um visionário e eu tenho uma loucura na letra dele, porque as pessoas choram ouvindo alguns trechos e cada uma chora uma ferida diferente. Ele consegue falar com feridas diferentes, dores diferentes, com interpretações diferentes da letra. Então, é quase uma psicanálise. O que cada um entende de um jeito, conta de um jeito e bate forte. Esse que é o mistério do Belchior”, avalia.

Bur também rebate a ideia nostálgica de que “naquele tempo era melhor” e exalta o atual momento da música brasileira. “Não acho que era incrível e agora não é mais. A música brasileira está cheia de coisa incrível, toda hora, de todo lado, coisa muito linda de ouvir, de ver, de prestar atenção em letra, em arranjo, gente tocando, gente cantando. Mais compositores, muitas mulheres, pessoas não binárias ou trans”, menciona.

Elas contam que a decisão do nome do projeto veio também do momento em que foi criado. “O ano era 2017, tinha acabado de acontecer o golpe. Tinha aquela coisa do ódio, discurso do ódio vindo com a extrema direita no mundo inteiro, querendo asa de novo. E aí, assim, só o amor constrói mesmo. A Marisa ainda gosta de falar uma coisa, que é ‘amar e mudar as coisas.’ Pronto. Primeiro amar, para depois mudar”, afirma Taciana Barros.

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