A EMERGÊNCIA QUE O GOVERNO BRAGA NÃO VIU

A palavra ’emergência’ carrega no seu sentido etimológico uma aproximação com a palavra acontecimento. No plano filosófico, emergência significa a irrupção, a visibilidade de elementos que estavam atuando, e no entanto ainda não se faziam visíveis. Eles se fazem assim quando as composições afetivas-afetantes se combinam num estado de coisas que literalmente emergem (emergência) no plano da existência.

No social, uma emergência surge como vetor resultante das diversas recorrências que perpassam o plano social em uma época. Algo emerge como figura, e que antes não se dissociava do fundo. Mas já estava lá como possível ou como recorrência: o devir histórico (Foucault).

Daí, politicamente, só se constituir verdadeira emergência um acontecimento que surja das atuações das pessoas em coletividade, corpos afecções sociais, democráticos e que aparecem numa visibilidade pública como produto da razão e do diálogo. Daí, por exemplo, a alcunhada crise não ser, para a esquerda, uma verdadeir crise. Não houve recorrências, não houve correlação de forças nem modificação no estado de coisas.

O mesmo vale para o estado de emergência decretado pelo governo Braga em todo o Amazonas, por conta da cheia. Não há emergência alguma no plano social, já que a ação do governo Braga, bem como de seus antecessores, já carregava, em sua imobilidade, como existente, esta cheia. Apenas a natureza, que nada tem com isso, posto que não é da alçada do humano, demasiado humano, fez a sua parte, com o aumento do nível de precipitação atmosférica. Mas as condições para que este aumento se transforme em catástrofe social não são naturais, são produto da relação do homem com o chamado ambiente. E, principalmente, destes governos, que não souberam fazer a leitura das recorrências, que desaguaram na miséria social, na falta de moradia, de saneamento, de desenvolvimento econômico com distribuição de renda. As verdadeiras emergências das quais a cheia não é senão uma consequência.

1 thought on “A EMERGÊNCIA QUE O GOVERNO BRAGA NÃO VIU

  1. Caro governador Eduardo Braga, por conta, de outra energência alguns de seus planos, esta parado, as pessoas que morra na beira do igarapes de manaus, que não liga, para meio ambiente onde viver.Por falta de esclarencimento pessoal, e outras.

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