18 FESTIVAL DE TEATRO DE CURITIBA, APESAR DO GLAMOUR, VAI À RUA

Com uma programação variada de encenações que vai do dia 18 até o dia 29 deste mês, o Décimo Oitavo Festival de Teatro de Curitiba começou mostrando algumas contradições. Primeiramente, a conhecida manifestação de teatro relacionado diretamente ao fator econômico, dificuldades para produções. Segundamente, o desconforto sentido por seus organizadores pela diminuição da verba destinada ao evento que ano passado fora de R$ 2,8 milhões, e, agora, 2009, baixou para R$ 2,4. Pouco diferença, mas para quem tem produção artística como exclusivamente financeira, a “arte” que deve seguir às leis do mercado, foi grande a perda.

Entretanto, lamentações de lado, o fundamental é que o Festival está “insistindo”, acontecendo para alegria dionisíaca dos artistas e do público que vê uma Curitiba festeira como pede Sátiro.

Se por um lado há encenações que em função das atitudes existenciais de alguns personagens, fora do teatro, como Jô, José Wilker, etc, agentes da maior fábrica de alienação midiática que é a Globo, que não tem nenhuma semelhança com o Festival de Teatro em seu eidos dionisíaco, por outro lado há encenações de grupos e companhias saltimbancos, mambembes, Commédia Dell´Arte, com espetáculos que carregam o espírito dionisíaco como disjunções dos pontos molares dos espetáculos comerciais na orientação de um Jô.

São estes grupos e companhias que estão dando ao Festival o seu movimento de arte transfiguradora. Encenações realizadas nas ruas, estão possibilitando entrelaçamentos lúdicos entre os atores e o público como composição de novos campos de enunciações afetivas e cognitivas. Multiplicidades de idéias como coexistências de novas palavras e novos movimentos. Tudo que o teatro de mercado não carrega. O teatro glamour, prolongamento da semiótica/teratológica da programação televisiva. O mesmo ponto molar, modelo da imobilidade alienadora que carregava Jô com seu “humor” burguês malsão, “Viva o Gordo, Abaixo o Regime”. Em plena ditadura. Enquanto muitos eram presos, torturados e assassinados, este mesmo gordo que se encontra hoje em Curitiba se dava bem com suas “gracinhas” que ainda embalam os pútridos bocejos da classe média e da elite carcomida.

Dizem que o Festival encontra-se sem força. Não tem mais o ímpeto político que apresentava nos primórdios de sua história. É uma pura inverdade. Enquanto o teatro estiver nas ruas, aí se encontra sua potência política. E o teatro encontra-se junto ao Povo de Curitiba. Sem força, ou anêmico, encontra-se aquele que nunca teve ânimo: o teatro, no Brasil, imitação da Broadway, os corrompidos pelos signos da televisão, os rígidos afásicos.

Enquanto o teatro estiver nas ruas haverá o espírito político, o devir democrático. O Canto do Bode, o Tragos, a potência do trágico: o Riso e o Siso. A potência da turbulência poiética.

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