BRECHT, PARABENIZA A SI MESMO PRESENTEANDO AS ESQUERDAS DO BRASIL COM O POEMA-ADVERTÊNCIA, ‘E EU SEMPRE PENSEI’
PRODUÇÃO AFINSOPHIA.ORG
“Eu, Bertolt Brecht, nasci (10/2/1898) nos negros bosques.
No colo de minha mãe fui para a cidade
Ainda pequenino. Mas o frio dos bosques
Enquanto eu viver hei de sentir”.
Brecht é o criador do Teatro Dialético, a Estética que revolucionou o Teatro do Mundo. Que colocou abaixo o teatro-gastronômico-burguês. O teatro criador de ilusões que faz o público permanecer passivo como auxiliar principal do sistema capitalista-capitalístico. Principalmente como falsa diversão.
O Teatro Dialético de Brecht é um Método eminentemente Político-Pedagógico. Método do Distanciamento. O Teatro que reflete o Devir-Marxista.
O Teatro que faz do Público um experimentador que ao assistir uma peça cunhada pela ideologia-capitalista, onde o homem explora o homem, ao terminar a encenação, não afirma, conformado: “É assim mesmo!”. E vai embora continuar sua vazia existência alienada em sua intimidade familialista.
Não, o espectador brechteano, afirma: “É assim mesmo, mas tem que mudar!”.
Para que o público atinja essa dimensão Política, as cenas são apresentadas distantes da força da empatia. Sem se envolver emocionalmente com as cenas, ele é transformado em um analista-social. Este o Método do Distanciamento.
Mas, Brecht não é apenas o revolucionário do Teatro Mundial, ele é, também, articulista, crítico, militante, romancista, cinegrafista e poeta.
E é esse poeta quem vai falar para as esquerdas do Brasil, através do poema, E EU SEMPRE PENSEI.
“E eu sempre pensei: as mais simples palavras
Devem bastar. Quando eu disser como é
O coração de cada um ficará dilacerado.
Que sucumbirás se não te defenderes
Isso logo verás”.
ATRAVÉS DE BRECHT, SOBRE OS TIPOS
Na Perspectiva-Política e Antipolítica, existem dois Tipos:
1 – O Tipo Nazifascista.
2 – O Tipo Esquerda.
O Tipo Nazifascista é sintético: não se desdobra em outros, porque ele é niilista. Ele cultua, alimenta e defende a morte. A tanatocracia. Não existe o devaneio da afirmação: ele é mais ou menos Nazifascista. É Nazifascista e pronto!
Já o Tipo Esquerda, se mostra em variabilidades-plásticas. Significa que existem vários Tipos Esquerda:
Esquerda-folclórica, esquerda-glamourizada, esquerda-desbundada, esquerda-burguesa, esquerda-erótica, esquerda-vai que eu vou, esquerda edipiana, esquerda-zeca baleiro-djavan, esquerda-obstinada (confundida com radical, sem saber o conceito de Radical de Marx), esquerda-paranoica, esquerda científica, esquerda Roberto Carlos, esquerda PL, esquerda-capivarol, esquerda-deixa que eu chuto, esquerda-poeteira, esquerda-baby my love, esquerda-fru-fru, esquerda-PT de Manaus sem Desejo, esquerda-miraculosa, esquerda-franciscana, esquerda-onírica, esquerda-metafísica, e outras e outras. E a Esquerda Socialista-Democrática.
Observando este quadro, e compreendendo a Consciência Brasileira, fica fácil entender o poema E eu sempre Pensei, de Brecht.
Daí, que é essencial e obrigatório, principalmente neste tempo de eleição, que as esquerdas saibam “como é” a realidade que se experimenta agora. E se “as mais simples palavras devem bastar”.
Que se engaje diante desta realidade ameaçadoramente nazifascista para que “o coração de cada um” não fique “dilacerado” depois.
E este dilacerar antidemocrático-nazifascista só será destruído, ou impedido de se impor, se todas esquerdas, como Uno, afirmar para Si como Outro, “que sucumbirás se não te defenderes”.
Só se Defendendo a Democracia Brasileira pode não sucumbir diante do niilismo nazifascista!
Por isso, “não basta ter sido bom quando deixar o mundo. É preciso deixar um mundo melhor!”.
Como afirma a Encenadora brecheteana, Tutinha Ensemble: “Diante dessa realidade, é impossível não concordar com Brecht, em relação aos nazifascistas: “Comigo é que vocês não vão contar!”.