O PENSAMENTO MÁGICO DA MÍDIA MANAUARA
O filósofo Deleuze, afirma que “pensar é experimentar, não interpretar”. É “o nascente, o novo, o que está em vias de acontecer”. Exclui a superstição, a memória e a imaginação. O que se confunde com o mágico. Trabalhar com os rastros do que já foi experiências: imagens-lembranças, como demonstra o filósofo Bergson. Mas simplifiquemos, para o propósito do tema pensamento mágico.
A antropologia cultural trata como pensamento mágico a atribuição anímica dada pelo homem, chamado de primitivo, aos entes em seu redor. Os entes possuem alma capaz de interferir na existência do homem. Exemplo: uma árvore. A psicanálise atribui na criança um estágio do pensamento mágico que lhe permite especular o mundo, e lhe conferir uma certa segurança diante dos objetos, para ela, em algumas ocasiões, ameaçadores.
Na vida adulta, ou na chamada sociedade moderna, para alguns pós-moderna, o pensamento mágico se traveste, muitas vezes em superstição. A moeda de salvação capitalística dos exploradores dos “inocentes-inúteis”. Suporte para enriquecer “pastores”, presidentes de clubes de futebol, ídolos da sociedade de consumo, e principalmente politicofastros (o falso político, assim como o filosofastro). No Brasil, a entidade mais atuante na anti-democracia. Para o filósofo Spinoza, a superstição é a prova do mais baixo grau de conhecimento. É o produto, no adulto, de tudo que lhe foi dado ver e ouvir na infância, e que posteriormente impediu-o de entrar na ordem da suspeita. Aí está ele, arrolado por suas fantasias, idéias inadequadas, baixa potência de agir, com seus ressentimentos, amarguras, ódios, rancores, e lógico, suas compulsões capitalísticas. Defesas contra a ordem racional.
A DESREALIZAÇÃO DA MÍDIA
Não é nenhuma revelação revolucionária afirmar-se que a mídia patina na ordem da superstição. Daí ser difícil encontrar em seus enunciados discursos fora deste universo espectral. As informações são sempre formas replicantes de prisões supersticiosas. Sempre com o propósito de manter a realidade afastada pela mágica da imaginação. O caso do prefeito eleito cassado, Amazonino, pela magnânima juíza Maria Eunice Torres do Nascimento, é um quadro psicodélico invejável desse pensamento mágico. Mesmo com a confirmação da cassação, a mídia, em sua escotomia intelectiva, conferi à Amazonino um tratamento como se nada houvesse ocorrido no plano da justiça eleitoral. Para ela, ele, é o prefeito “livre e solto” para suas atribuições administrativas municipais acima de qualquer suspeita. O real da cassação é desrealizado pelas cores bruxuleantes de seu pensamento mágico. Alguém poderia afirmar: “Ela se faz assim para induzir o leitor que Amazonino nunca foi cassado. Não corre perigo de não ser prefeito”. Não, ela não “faz assim para induzir”, ela é assim: o pensamento mágico. Por isso, crer fervorosamente que a realidade é tudo que sai de sua imaginação, e não o produto das experiências sociais dos homens em seus cotidianos. Em filosofia chama-se, muita vezes em deboche, corte epistemológico. Fissura da razão. Mas como cortar a epistême se a mídia nunca se fez razão? Mas há algo que ela não conta: além de seu pensamento mágico há um real político que a qualquer momento desencantará suas delusões. Crer em um mundo não experimentado.
MARAVILHOSA ILUMINAÇÃO. Gostaria muito de discutir mais.Os temas: “Inocentes Inúteis” e “Fissura da Razão” de fato ma causaram precipitações diversas. De momento apenas agradeço e saúdo respeitosamente.