DAISY, A QUESTÃO É QUE AS COMPANHEIRAS E OS COMPANHEIROS SÃO DEVIRES, NUNCA SE FECHAM
PRODUÇÃO AFINSOPHIA.ORG
(…) o afeto é uma potência expansiva. Significa que se trata de uma potência de liberdade, de abertura ontológica, de difusões mutidirecionadas”.
Toni Negri
PROSPECTO BIO-ARQUEOLÓGICO-ONTOLÓGICO
Vamos fazer assim, Daisy: neste primeiro momento, eu apresento uma síntese de tuas vivências sustentada por tuas narrações. Então, lá pra frente a gente acrescenta outras realidades tuas. Certo? Vamos la!
Então, tu és da Pavuna do Estado do Rio de Janeiro. ‘Na Pavuna’, samba do Almirante de 1920. Grande sucesso.
Tua família é crente, como se dizia antes das moda exploradora das chamadas igrejas evangélicas, que na verdade são disangélicas: cultuadoras da má mensagem. Disangelismo que promove o bolçonarismo.
Teu pai era pastor e esse religiosidade tua tem alguma insinuação no teu encontro com o Rui Brito, porque ele também era crente da Primeira Igreja Batista. Não que você se encontraram por causa da igreja, não. O Rui já havia deixado a ilusão.
Igreja é bom lugar para encontrar um comunista. Mas o pastor Caio Fábio não sabia.
Depois da infância e adolescência burguesa, aqui em Manaus, foi para o Rio, e experimentou muito borogodó pelas noites cariocas… ‘Noites Cariocas’, nome de grupo de samba.
Então, ele se converteu, veio até Manaus para pregar na igreja Batista testemunhando sua conversão e, também, querendo converter o Rui.
Aí, passou a jogar panfletos contra o comunismo na frente da casa onde o Rui morava com seus pais, irmãos e irmã.
Caio Fábio fracassou: não converteu o Rui e não se converteu ao comunismo. Também não impediu que vocês se encontrassem. Um comunista e uma crente.
Tá certo? Quando vocês começaram o enamoramento, o Rui era do GRUTA: Grupo Universitário de Teatro do Amazonas. E ele te levou para participar do grupo. Embora tu não tenhas trabalho como atriz, tu tiveste uma forte atuação nas altercações políticas-estéticas-sociais que o grupo promovia e, também, forte participação na parte de montagem como aderecista, contra-regra, etc.
Durante esse tempo tu entraste para o Curso de Medicina e vocês juntaram os trapos, como se dizia.
A CASA DA TARUMÃ E A LUMI
Trapos juntos, vocês foram morar na Avenida Tarumã canto com a Major Gabriel. Territórios de grandes atividades. Muita cana, peixe e feijão. Com direito a feijoada preparada pelo Greco com calabresa afanada no super-mercado. E, também, com direito, a explosão de panela de pressão. É para rir mesmo.
Quando a moçada não estava no Conservatório de Música ensaiando ou discutindo suas heterogeneidades políticas, estava na casa de vocês, também, tratando dos temas relativos as questões da ditadura: repressão, prisão, tortura e outras duras.
Foi nesse peri mundo, que a Lumi nasceu. Um nascimento bem amado. Uma criança que nasceu nos braços de várias companheiras e companheiros com direito a um babá-especial: Greco.
E as festas dionisíacas transcendiam.
O CORTE GEO-POLÍTICO
Então, tá coerente o que estou falando? Se não estiver depois a gente acerta.
Em 1978-79, tu participaste da encenação da peça ‘Pés Descalços No Asfalto Quente’ como aderecista e que tinha as atuações do James Badejo e Luiz Marreiro. Tu tinhas uma Bolsa Trabalho Arte que era promovida pelo Ministério da Cultura.
Já na década de 80, Rui Brito, tu e outros e outras, como a Humsilka Amorim, ficaram responsáveis pelo GRUTA.
Depois vocês dois contabilizaram os trapos e, com o que sobrou, fizeram o corte.
Como médica, realizaste o deslocamento Geo-Político: junto com a Lumi foste morar em Porto Velho. Território de muitos reacionários, mas não te afetou de tristeza.
Como médica tens praticado uma medicina que procura promover a saúde tanto somática como psíquica dos pacientes, principalmente pela via do exercício social de cidadania.
Então? A banda encontra-se seguindo bem o enredo?
Tudo bem. Vamos nessa. Ainda há muito o que se tocar e dançar!
Valeu e vai valendo sempre como mostram os Devires companheira, Daisy Amaral Brito!