Se a Vertebral não analisou nada se realizou

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# Gente desta flexível Coluna Vertebral, nesta segundona TDPM – Transtorno Disfórico Pré Mestrual, vamos apresentar um texto reivindicatório de nossa filósofa menor, Filó. Indignada com o realismo hominista da eleição para prefeito, onde não se encontra nenhuma mulher candidata ao cargo de prefeita e nem de vice à cidade de Manaus, ela resolveu soltar suas feras filosóficas que agora publicamos ao apreço dos blogueiros colunáveis.

ELEIÇÕES: E AS MULHERES DE MANAUS?

As eleições ao cargo de prefeito da cidade de Manaus apresentam um sentido absurdamente curioso. Como se já não bastasse a subjetividade direitista que, de uma forma ou de outra, une todos os candidatos, até mesmo o candidato rebelde da esquerda petista, Praciano, com seu vice de direita, Luiz Castro, manifesta-se, também, nesse pleito, a discriminação aos cargos de prefeito e vice: não há uma só mulher candidata. Enquanto em outras capitais, como Porto Alegre, São Paulo, Curitiba, Rio, Fortaleza, e outras cidades, as mulheres se fazem presentes e atuantes politicamente, em Manaus vigora a anêmica ausência feminina.

ETERNO FEMININO

Dois quadros político/social se expressam nessa realidade manauara. Um, o gênero-estatístico: amostragem histórica de que em Manaus existem mais mulheres do que homens. O que sempre serviu para gritinhos hoministas-eróticos: ‘Manaus é o paraíso: é o mundo das ‘chanas’. São vinte mulheres para um homem’. Fato demográfico que nos colocaria atuantes em todas as instâncias sociais. Entretanto, o real é outro: há instâncias em que nós não nos encontramos presentes nem trabalhisticamente e nem socialmente. Outro, a mínima e sofrível participação nos partidos políticos. E o pior: quando há participação, é só numérica, já que predomina a subjetividade do padrão dominante macho, homem, branco e europeu. O biológico do macho como força, o cultural patriarcal-cristão-burguês do homem, a raça dominante no ocidente do branco e os códigos jurídicos-normatizadores do europeu. Nada mais do que a semiótica arborescente, que seleciona, classifica e hierarquiza, sempre observando o benefício do homem. Razão de encontrarmos mulheres no parlamento ou no executivo com a mesma semiótica política do homem. Não escapando nada da mulher-devir, que possa disjuntar a ordenação imóvel predominante como única realidade. Até mesmo quando o tema está mais para mulher-devir, por encontrar-se em movimento como o devir-criança, como no caso das creches, predomina o olhar determinador do homem.

DOIS CASOS FÁLICOS

É certo que por dois momentos se imaginou incluir mulheres como concorrentes a vice. Em um momento, a deputada Rebeca, e em outro, a viúva do ex-senador Jefferson Péres. Entretanto, em nenhum dos dois saltava a potência da mulher minoria, a mulher-devir, capaz de entremear novas formas de criar e relacionar política na imobilidade atual, para fazer surgir a democracia-devir, sociedade dos amigos. Isto porque, a deputada carrega a mesma linguagem parlamentar dominante e, além do mais, sua candidatura era de interesse do entendimento hominista, principalmente de seu pai, ex-deputado federal Francisco Garcia. E no caso da viúva do ex-senador era só uma perversa tentativa de usar a imagem moral esculpida pelo parlamentar durante seu tempo de atuação como membro do legislativo. O que se infere dos dois episódios é que não haveria um acontecimento na cena política capaz de alterar a predominante.

Desta forma, diante do quadro atual das candidaturas, Manaus mostra mais uma vez que, em se tratando de candidaturas majoritárias, as ordens ainda são patriarcais.”

Valeu, Filó! Pode mandar o Rock!

Beijos e abraços Vertebrais!

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