DUAS NOTAS EM TOM NEURÓTICO-CONSONANTE

PRIMEIRA NOTA – MI MENOR – O Sindicato dos Psicólogos do Amazonas envia carta aos mais de 1500 profissionais residentes no Amazonas, solicitando a contribuição sindical. O presidente, “doutorando” Alberto Jorge (as aspas são o merecido destaque ao ainda-não título, o qual adorna nominalmente sua assinatura), que também é presidente da AAPsi (Associação Amazonense de Psicólogos), candidato derrotado nas eleições do CRP/AM no ano passado, passando também pelo CARMAA e ABUCABAM, sendo também assessor da SEC para assuntos da negritude, além de outras siglas onde coordenou, chefiou, geriu ou representou. Dizem ainda que já rezou missa sem ter sido ordenado, é também babalorixá, e contam que seus orixás e cabocos tem talentos que os outros não têm, como dirigir, por exemplo. Jorge lamenta em sua carta que o sindicato não tenha “recursos financeiros obrigatórios sob pena de punição severa”. Afirma ainda que os psicólogos confundem o sindicato com um supermercado onde se pode degustar os produtos antes de comprá-los e faz uma convocação à filiação e à contribuição, bem ao estilo pagar pra ver. Um psicólogo que conheça sua história e que não restrinja o conhecimento ao consultório no mínimo desconfiará desse afã pelos cargos de chefia (vazio do poder, a Lei como compensação neurótica da falta edipiana do Amor?), a submissão aos títulos e honrarias da civilização, mesmo com seu mal-estar (signos marcadores de poder – Foucault – que expressam a ilusão criada na dor da interdição/repressão – Freud – e que se tomam como real numa paralisia psicophatos), além de lamentar que Papai-Estado não use a força da Lei para obrigar os psicólogos a pagarem pelo direito de serem protegidos, típico de um psicólogo judicativo, e numa visão anos-luz distante da possibilidade de um movimento de categoria criado no calor das discussões, das lutas, envolvendo linhas de comunalidade que criam e não conservam, e que não submeta a sua atuação política ao amor do capitalista: o vil metal. Quão longe da novas linhas de atuação dos sindicatos, da potência política do ABC paulista de Lula, que abalou as estruturas da ditadura. Provavelmente, boa parte dos psicólogos não vai pagar a contribuição mesmo sem levar em conta estes aspectos, tão presentes latentemente na carta. Mesmo assim, o sindicato (que é necessário, mas não com essa conformação) deve sobreviver. Ainda que seja dos crédulos. E agora, doutor?
SEGUNDA NOTA – LÁ MAIOR – Câmara Municipal de Manaus segue distribuindo medalhas, homenagens e condecorações, seja qual for o motivo. Alguns deles: Gilberto Mestrinho, 80 anos, 50 dedicados ao Amazonas. Nos últimos anos, depois que virou ecologista e não come mais tartaruga, acompanha “atentamente” a política manoniquim de sua mansão no Rio de Janeiro, que foi assaltada no ano passado; Átila Lins, proeminente deputado federal, eleito pelos confrades coordenador da bancada do Amazonas em Brasília, irmão de Belão e ardoroso defensor das causas sociais que não ecoam em nenhuma parte do Amazonas, ainda que em seu quinto mandato. No total, só neste início de ano, já são 5 as medalhas, homenagens ou condecorações. Com homenageadores como estes, e com homenageados como aqueles, você, leitor intempestivo, aceitaria uma medalha da CMM? E agora, vereança?
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