THE NEW YORK TIMES E AS EVIDÊNCIAS DO USO DE FÓSFORO BRANCO POR ISRAEL CONTRA A POPULAÇÃO DO SUL DO LÍBANO

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Munições com a substância proibida para atacar civis teriam sido usadas para atacar regiões povoadas no sul do Líbano, diz jornal

Foguetes de cortina de fumaça com fósforo branco. Foto: Wikipedia

Uma série de vídeos divulgados pelo jornal The New York Times revelam o uso de munições de fósforo branco pelo Exército de Israel contra a população do Líbano, em operações militares na região do sul do país contra o grupo Hezbollah.

Segundo reportagem da publicação norte-americana, gravações mostram projéteis de artilharia liberando fragmentos incendiários no ar sobre cidades e vilarejos libaneses, incluindo Nabatieh, Tyre, Khiam, Qlayaa e Yohmor.

As imagens seriam compatíveis com o uso de projéteis americanos M825A1, que contêm fósforo branco, o que reacendeu o debate entre defensores dos direitos humanos sobre o risco de uso de tal substância contra civis.

Por outro lado, o governo israelense afirma que utiliza esse tipo de munição apenas para criar cortinas de fumaça destinadas a proteger tropas em combate e sustenta que suas operações respeitam o direito internacional.

As Forças de Defesa de Israel (IDF) negam utilizar o material de forma ilegal contra civis, e sustentam que o uso aconteceu dentro dos limites permitidos pelo direito internacional e com objetivos militares legítimos, principalmente a criação de cortinas de fumaça para proteção das tropas.

Israel não é o único país acusado ou reconhecido por utilizar fósforo branco em operações militares: Estados Unidos, Rússia, Ucrânia, países da OTAN e outros exércitos ocidentais mantém estoques de munição com fósforo branco para sinalização e criação de fumaça.

O que é o fósforo branco

O fósforo branco é uma substância química altamente inflamável que entra em combustão espontaneamente ao entrar em contato com o oxigênio presente no ar.

Por causa dessa característica, ele é utilizado por forças militares principalmente para criar cortinas de fumaça para ocultar a movimentação de tropas; marcar alvos ou posições; e produzir efeitos capazes de causar incêndios em florestas, estruturas e equipamentos.

Quando disparado por projéteis de artilharia, o fósforo branco pode ser dispersado sobre grandes áreas. Os fragmentos continuam queimando até que a substância seja totalmente consumida ou privada de oxigênio.

O fósforo branco não é uma arma proibida pelo direito internacional, mas convenções internacionais proíbem ataques deliberados contra civis e restringem o uso de armamento incendiário em áreas densamente povoadas.

Relatórios da organização Human Rights Watch e da Amnesty International já haviam documentado episódios semelhantes envolvendo o uso de fósforo branco por Israel em Gaza e no Líbano em conflitos anteriores.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o fósforo branco pode causar queimaduras químicas profundas; destruição de tecidos musculares; lesões que podem atingir os ossos; danos severos aos olhos; Insuficiência respiratória; e risco de falência múltipla dos órgãos em casos graves, entre outros efeitos.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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