O MEDIUM TELEVISIVO E A OPINIÃO PÚBLICA

A EMPATIA TELEVISIVA

Dos Conceitos

& Empatia. Identificação com as ações, comportamento e atitudes de outro. Capacidade de agir identificando-se de acordo com situações e circunstâncias vivenciadas por outro. Anulação da existência concebida pelas experiências únicas que faz com que a pessoa possa efetivar suas escolhas a partir de si próprio. Dependência de escolhas alheias a sua existência. Reflexo de modelos pré-concebidos. No médium televisivo, a empatia surge como o resultado do esvaziamento da razão social da comunicação/informação. A comunicação/informação, no médium televisivo, não efetiva a troca entre o emissor e o receptor dentro das relações sociais; ao contrário, realiza a hegemonia do emissor sobre o receptor. Isto devido a sua dependência à economia de mercado, uma vez que deve obedecer aos índices de audiência para alcançar o ibope desejado e assim manter os contratos com as empresas privadas. A empatia na tevê estabelece a identidade necessária entre a programação e o tele-espectador, fazendo com que este possa se familiarizar com as imagens, os sons, as grafias e os assuntos transmitidos.

De Alguns Casos de Empatias Televisivas

A Telenovela

Sua organização se baseia na familiaridade, no estado de coisas. O tempo da novela é lento, para que haja a ilusão da identificação com o tempo real-cronológico que as coisas seguem. O espaço dos cenários é reprodução do real concreto. A preocupação está em fazer com que o tele-espectador possa se comparar com o que vê. Seus conteúdos são imitações das situações cotidianas ilustradas moralmente sem uma análise critica. Reproduzem as informações redundantes dos telejornais. Os atores televisivos são escolhidos segundo seus rostos, gestos e comportamento frente às câmeras na intenção de realizar a empatia no público. É desta forma que os binômios rico-pobre, amor-traição, patroa-empregada, verdade-mentira, bem-mal, justiça-injustiça, homem-mulher, entre outros, são os alicerces de qualquer telenovela. Daí se pode inferir o quanto é falso as chamadas televisivas que a Globo faz querendo dá ao público a impressão de que uma das suas telenovelas terminou: “cenas da nova novela” ou “a nova novela do horário tal será”: mera ilusão, como pode haver o novo em algo que segue sempre o mesmo estereótipo?

O Telejornal

Sendo ele redundante, rasteiro, explorador e padronizador das emoções, realiza a empatia no público, principalmente por meio de seus apresentadores/modelos. A linguagem deve ser coloquial, os comentários devem agradar ao público que mais dá audiência, ele deve apresentar uma seriedade fora do comum nas notícias que transbordam violência e uma modesta felicidade nas que dão esperança. O telejornal, ao fazer da informação um instrumento de distorção da realidade, causa a empatia no público ao vincular notícias que não são esclarecidas, pois permanecem na redundância da palavra de ordem e provocam no público emoções padronizadas. O telejornal, para alcançar a identidade com o público produz factóides, monstruosidades, aumenta a dor, denegre, manipula imagens a fim de fazer com que o público se choque ou se mantenha passivo frente às amenidades transmitidas.

Os programas de Auditório

Estes exploram, sem escrúpulo algum, as mazelas e os preconceitos sociais. Procuram conservar a empatia do público padronizando as emoções de um extremo a outro. Tanto mostram a miséria como um show, realizando, junto a empresas privadas, caridades ao vivo, passando pela exposição da vida de artistas televisivos, mostrando estes como pessoas queridas de parentes e amigos, sem problemas, e com emoções, posto que choram, riem e lembram de situações passadas de quando “não eram famosos”, como colocam ao público o ridículo tanto de artistas como de outras pessoas. Para tanto, distribuem seus conteúdos de forma que as emoções possam ser guiadas do desespero à esperança tal qual os telejornais fazem.

Os Programas de Humor

Exploram o preconceito e as redundâncias das palavras de ordem que são veiculadas por filmes (que não apresentam o movimento das imagens como poiésis), telejornais, programas de auditório, telenovelas, entre outros, da tevê. São homofóbicos e se apóiam na estrutura cristã (sem Cristo) patriarcal da sociedade capitalista para obter a empatia do público. Não produzem humor a partir da inteligência, mas de uma ignorância que é reproduzida por todo o médium televisivo. Em sua maioria, os programas de humor na tevê permanecem como os grandes imitadores das imitações que a televisão realiza. Por esta razão, as imitações deles não produzem o riso como criação de novos modos de existência, mas como reproduções da informação enquanto falsidade da efetividade da realidade.

Estas são apenas algumas das formas que o médium televisivo impõe a empatia no público. Se você perceber outras, mande para o bloguinho intempestivo, que a publicaremos.

Esta coluna acredita na possibilidade da expansão da consciência pelas experiências autênticas que fazem soltar novas percepções, a criação de novos olhares sobre o mundo. Na alegria-estética de perceber o medium televisivo como uma violência à inteligência coletiva, contamos com a sua contribuição.

1 thought on “O MEDIUM TELEVISIVO E A OPINIÃO PÚBLICA

  1. É triste ver como a TV brasileira é extremamente padronizada e redundante,nem mesmo nos telejornais há algo que possa despertar o senso de análise e crítica na população,uma total perda de tempo,só mesmo ocupando meu tempo com livros e desenhando pra fugir dessa distorção padronizada e maciça da realidade.

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