DAS MINORIAS SEM (GRANDE) MÍDIA

Amanhã, dia 10, o Movimento dos Sem-Mídia fará uma nova manifestação, esta à frente da Rede Globo, em São Paulo.

Movimentando-se a partir das inquietações do Eduardo Guimarães, que entrou numa relação de vizinhança com muitas outras singularidades para compor uma potência democrática capaz de tentar diminuir a força da chamada grande mídia, desobstruindo os sentidos interditados pelo exagero de informações distorcidas e liberando o entendimento para outras formas de pensar.

O MSM, fundado como ONG oficialmente em 13 de outubro de 2007, e que já vem de uma manifestação no dia 15 de setembro diante do prédio da Folha de São Paulo, antes de ser oficializado como ONG, o que deixa mais visível ainda o caráter de fluxo político/comunitário do Movimento, que vem como potencialização da agregação de minorias excluídas do suposto poder dos mass media. Assim, participam blogueiros, entidades, ONG’s, estudantes, professores, jornalistas, enfim, todos que percebem na forma da grande mídia a incapacidade de qualquer dialogicidade a partir da razão.

Seguindo essa linha é que o MSM fará a manifestação de amanhã, sabendo que somente com alegria e inteligência se pode fragmentar o bloco de impérios como o da Globo e, afinal, descobrir que esses blocos, sendo vazios, pouca consistência têm ou terão quando se fazem aparecer outras linhas de atuação para além e aquém das informações que desinformam.

Os globotários, assim como os demais enrijecidos pela falseação capitalística da mídia, já estão sem compreender porque não conseguem mais (algum dia por acaso o conseguiram?) como gostariam manipular as eleições, os governos, a opinião pública e seus sinais de deterioração já vão muito agravados em seu próprio coração. E a internet vai abrindo outras linhas flexíveis, mesmo na alteração formal da ordem mercadológica, ou mesmo, e fundamentalmente, linhas de corte operados por minorias excluídas do controle que impossibilita a comunicação, forçando, portanto, a linguagem para proporcionar encontros democráticos, intensivos, éticos e livres…

MÍDIA X mídia

No entanto, há que se propor um entendimento diverso daquele que carrega a chamada grande mídia. A internet é também mídia, uma vez que é intermediária do chamado processo de comunicação. Igualmente, também está impregnada por blogs, sites e outros entes internéticos que carregam os mesmos códigos proferidos pela Globo, Estadão, Folha, Veja, Época, e seus iguais. Inclusive, estas empresas já possuem seus referentes na rede, oficialmente e através de pessoas que utilizam o espaço internético para disseminar os signos do capital produzido nestas grandes mídias. Assim, a questão não está no tipo de mídia usada. Não é uma briga Internet X Meios Tradicionais de Mídia, mas sim uma guerra de linguagem, um confronto de regimes de signos. O que ocorreu foi uma abertura tecnológica que permitiu ser a internet o meio (mídia) pelo qual se propagam idéias sem a ingerência obrigatória do regime significante do capital.

GRANDE MÍDIA E MÍDIA-MINORIA

A Grande Mídia trabalha somente com o Significante (parte do signo correspondente à unidade de representação, o som, no caso da pronúncia, os símbolos gráficos, no caso da escrita). O enunciado emitido, enfraquecido no seu vínculo com o significado não permite ao receptor decodificar a mensagem, ordenando-a dentro dos seus esquemas epistemológicos. Acontece então a impossibilidade do telespectador, leitor ou ouvidor da grande mídia, compreender a notícia num contexto de sua existência, a fim de que as informações possam ser incorporadas à sua cotidianeidade. O que o enunciado carrega, neste caso, é palavra de ordem, mais impositiva-imperativa do que discursiva. Daí o sujeito-receptor só pode compor com esta informação como sujeito de enunciado, restando-lhe obedecer, e reproduzir muitas vezes essa informação automaticamente. O mesmo acontece nos blogs e sites que reproduzem este regime na internet. As informações são as mesmas, e o enunciado redundante (do significante ao significante) produz os mesmo efeitos no internauta que sai da TV ou do jornal para o blog ou o site.

O trabalho de uma linguagem que rompa com esse regime significante do signo passa por desmontar esta estrutura impositiva do enunciado, permitindo a construção de outras formas de enunciação, que carregue a possibilidade de descodificação por parte do receptor, a fim de que o enunciado possa compor com a sua existência, permitindo-lhe incorporar esta informação, fazendo-se sujeito de enunciação. É abrir-se para outras possibilidades de expressão, produzindo notícias de forma que o receptor possa entender o contexto onde o fato está ocorrendo, e os interesses dos envolvidos, ampliando o acontecimento para além de sua banalidade; é ainda usando outras formas de expressão, como o humor, a potência criadora, a ternura, deixando escapar os fluxos desejantes do existir, deslocando assim a perspectiva padrão da seriedade e da falsa objetividade da Grande Mídia, tornando a informação menos significante, e mais signo-afetante, posicionando no mundo as pessoas diante do fato. É criando linhas alternativas aos blocos de ressentimentos criados pela força da mídia oficial. Foi assim, como ilustração, que o filósofo Félix Guattari, juntamente com outras pessoas, imigrantes e outros alienígenas do olhar paranóide da grande mídia puderam, na década de 80, com suas rádios piratas e ondas alternativas, minar o discurso autoritário das rádios oficiais da França, que não carregavam em suas programações nenhum elemento que escapasse à ordem do capital. Foi assim, outra ilustração, que a internet se transformou em meio para disseminação e contaminação de milhares de pessoas no Brasil inteiro, combatendo as produções factóides da grande mídia contra o governo e a candidatura de Lula em 2006, que trocavam emeios, faziam blogues, imprimiam notícias e levavam para discussão em escolas, centros comunitários e onde mais se fizesse possível a reunião de pessoas interessadas em algo além do vazio da mídia oficial.

É desta forma que o MSM, que tem mídia sim – não a grande mídia, que não tem voz e não oferece nada de interessante às pessoas – mas que produz um movimento de mídia-minoria, esta carregando plurivocidade de enunciados, que se faz não minoria pelo número, mas pela intensidade que a diferencia da ausência do movimento na chamada mídia oficial, pretende movimentar os acontecimentos políticos neste e nos próximos eventos.

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