SERAFINADA MARKETISTA ou O MARKETING DO VAZIO
Está nas ruas, nas praças, em todos os lugares de Manaus! A nova obra da prefeitura chama-se: Serafim Corrêa. O objetivo da campanha publicitária é mostrar as obras que a prefeitura têm feito, e vincular essas obras ao nome do prefeito, numa clara campanha eleitoral antecipada. Outdoors exaltando por antecipação a chegada da água na zona Leste, farta exibição de comerciais em horário nobre falando das obras. Com esta estratégia, o prefeito espera reduzir a grande rejeição que sua administração adquiriu nos pouco mais de dois anos em que está no cargo.
Para reforçar essa estratégia marketista, o prefeito teria ordenado (segundo informações apuradas por este bloguinho) a todas as secretarias que ‘trabalhassem’ o nome dele em suas atividades, exaltando que os benefícios trazidos, os materiais doados, as obras realizadas fossem proporcionadas “pelo nosso prefeito, Serafim Corrêa”. A saída do subsecretário de educação, Sérgio ‘Arca de Noé’ Freire, que recentemente entrou em conflito com os professores ao escrever um texto considerado ofensivo por membros da categoria, e a ameaça ao titular, Cyrino, bem como os rumores na imprensa oficial sobre o secretário de saúde, Jesus Pinheiro, que também não estaria satisfazendo os critérios do prefeito, também são sinais de que Serafim não pretende ter mais a Prefeitura envolvida em situações vexatórias na imprensa.
MARKETING E AÇÃO COMUNITÁRIA
O que o prefeito e sua assessoria não sabem é que estratégias de marketing no eleitorado brasileiro não têm funcionado a contento. Basta perguntar à mídia, que fez mais de um ano de campanha initerrupta contra o governo Lula, e ao final da batalha, ainda que tenham conseguido levar a disputa para o segundo turno, os 61% de votação para o massacrado candidato e atual presidente. A diferença é que, no marketing eleitoral praticado pelo atual prefeito, o objeto não existe. Não há do que falar. As pessoas percebem e sentem no seu cotidiano a ausência de modificações no transporte, na saúde, na educação, nas obras, na infraestrutura.
Como já mostrado diversas vezes aqui neste bloguinho, a prefeitura atual comete os mesmos erros de seus antecessores: não consegue pensar e articular uma política que escape das tramas decadentes da doença do vazio do poder. Não compreende uma cidade como um ‘organismo vivo’, formada pela atuação das pessoas, a partir do talento, experiência e potência criadora, através da Razão e engendrando a comunalidade. Daí a impossibilidade de aproveitar a movimentação e disposição da cidade quando o elegeu, em detrimento de Amazonino, que carrega todos os elementos reacionários das administrações anteriores a ele e as dele próprio.
Carregando o ranço moral da família burguesa, ele é incapaz de olhar para além do si, pratica uma administração familial (voltada para interesses particulares, em detrimento do público), não interroga as questões da cidade a partir de uma investigação de suas causas, e não consegue estabelecer uma linha de entendimento que permita a compreensão dos acontecimentos cotidianos e sua relação com os problemas da cidade. Por isso, compactuou com pessoas cujo entendimento de mundo é parecido, e que saltaram do galho dos governos anteriores para o atual (e que farão de novo, em caso de derrota no ano que vem). Por isso coloca nos seus quadros pessoas que, também não compreendendo o público para além do si, fazem uma administração das secretarias sem a participação e a ingerência populares, como pudemos acompanhar neste bloguinho nos sucessivos casos de negligência na educação, o da casa que andou, as serafinadas, o projeto Poseidon, dentre outros.
Ilustração da ausência de relação entre governo municipal e as pessoas, as vaias a Serafim na cerimônia do casamento coletivo, realizada semanas atrás, no Parque do Idoso, quando os noivos, cansados de esperar mais de duas horas e meia, vaiaram, impedindo o prefeito de falar (sem direito a manipulação de César Vaia), demonstram que, com marketing sem objeto, e com uma administração cada vez mais distante das questões da cidade, dificilmente o projeto de reeleição de Serafim terá êxito.