Paranóia, para a psiquiatria clivadora é o TPP Transtorno do Perseguidor Perseguido. Eu persigo, porque fui perseguido. O que eu persigo? Persigo a eliminação da culpa em mim. Que culpa? A culpa moral. Por isso, escuto vozes persecutórias. Para os filósofos Deleuze e Guattari, trata-se de um delírio histórico. Planos de organização e desenvolvimento tirânico cuja ordem é capturar e sujeitar. Não permitir a afirmação do mal, o novo frente ao bem, o adaptado, diria o filósofo Nietzsche. Ou seja, transformar o instinto em espírito conservador de rebanho. Sujeitado (tiranizado), sou sujeitador (tirano). Daí porque “o juízo-julgamento do paranóico é uma antecipação da percepção”, afirmam os dois filósofos. Meu estado de coisa onde nunca sou apanhado em meus segredos (virtual). Ninguém me rouba, pois percebo (virtualidade) por antecipação. Como tenho uma percepção à priori (virtual), dada a minha sujeição, posso elaborar defesas e me resguardar do perigo. Por tal, me desterritorializo sem me desterritorializar. Alucino desteritorrialização. Mas sou imóvel. Me projeto pela imaginação, assim sempre estou impedido do fora (real).

O GLOBOINOCULAR

Este o segredo da Globo. O segredo revelado como enunciado paranóico (Bergson: passado o virtual). Eis porque ela não pode apresentar imagens novas. Seu imagético é o produto de velhas percepções projetadas (virtual) como novas. Seu juiz-julgamento motor de sua programação. Em uma simples olhadela qualquer espectador confirma este psicodelismo alucinante. Salta livremente uma gesticulação enfática hebefrênica: as imagens e as palavras diluem-se como torrentes ininterruptas de vibrações efusivas. Em qualquer horário e com qualquer personagem esta enchurrada de “felicidade” maníaca prevalece. Impossibilidade da atenção para o pensar (bloqueio da atualização do virtual para se tornar real). É ela a transportadora da compulsão pela verdade (virtual). A verdade alucinada, tida para si, como necessária ao povo. Fantasia megalomaníca de ser a Opinião Pública. De poder construir e dirigir a realidade (virtual) para todos. O bem comum (virtualização). Versão Midas, tudo que toca é real. Seu grande truque para se manter: apanhar todas imagens novas (potência) e submetê-las às imagens-mortas (virtuais), suportes de sua lógica, e em seguida projetá-las aos espectadores. Entretanto, quem conhece esse quadro sabe como cortá-lo e vazá-lo. Basta produzir novos enunciados incapazes de serem capturados pelas imagens-mortas (virtuais) para alimentá-las. O que já está ocorrendo. Há uma subjetividade brasileira atualizando o virtus (potência) como realidade democrática. E o império replicante está se dissipando diante do real/socialidade.

1 pensou em “O OLHO PARANÓICO DA GLOBO

  1. Concordo, pois entendo o fascismo como um só em todas
    as facções humanas( desde Erich Fromm). Qual a sua proposta para solução ? Tenente Coronel Médico, Miguel MOUTA, Exército Brasileiro.

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