LÍDER SUPREMO DO IRÃ AFIRMOU QUE O FUTURO DO GOLFO PÉRSICO SERÁ SEM OS EUA E QUE O LUGAR DE “FORASTEIRO” É “NAS PROFUNDEZAS DAS ÁGUAS”
afinsophia 30/04/2026 0
NOVA ORDEM MUNDIAL
Trump volta a brincar com inteligência artificial e divulga foto rebatizando o Golfo Pérsico com seu nome
- SÃO PAULO (SP)
- REDAÇÃO BRASIL DE FATO
O futuro do Golfo Pérsico não incluirá os Estados Unidos, e o lugar de estrangeiros que vão ao local, atraídos pela ganância, é no fundo de suas águas. As declarações foram feitas pelo aiatolá Mojtaba Khamenei, líder supremo do Irã desde março, relatou a agência de notícias iraniana Tasnim nesta quinta-feira (30).
“Tornou-se evidente, não apenas para a opinião pública global e para as nações da região, mas até mesmo para reis e governantes, que a presença das forças americanas e seu entrincheiramento nos territórios do Golfo Pérsico são a principal fonte de insegurança. As frágeis bases americanas não têm sequer a capacidade de garantir sua própria segurança, quanto mais a de seus aliados.”
O aiatolá que sucedeu seu pai, Ali Khamenei, morto no primeiro dia da guerra, em 28 de fevereiro, afirmou que o Golfo Pérsico é pilar da civilização iraniana, sendo o Estreito de Ormuz uma rota econômica vital que atrai a cobiça de potências estrangeiras. Ele lembrou a luta iraniana contra potências coloniais (portugueses, holandeses e britânicos) e afirma que a Revolução Islâmica foi o divisor de águas na expulsão da influência externa.
Khamanei defendeu um futuro sem a presença dos EUA, focado na união entre vizinhos e na soberania iraniana. O Irã propõe uma nova gestão do Estreito de Ormuz para garantir a segurança e prosperidade regional e ressaltou seu orgulho pelo desenvolvimento tecnológico e militar do país (nuclear, mísseis, biotecnologia) como ferramentas de proteção da soberania nacional contra o “imperialismo”.
“Ao gerir o Estreito de Ormuz, o Irã garantirá a si mesmo e a seus vizinhos um futuro livre da presença e interferência dos Estados Unidos”, disse ele por ocasião do feriado nacional do Golfo Pérsico.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou que qualquer tentativa de impor um bloqueio marítimo “está fadada ao fracasso”.
Washington pensa que é sucesso
Embora os dois países mantenham um cessar-fogo desde 8 de abril, as negociações estão estagnadas e o tráfego marítimo segue em níveis mínimos por essa rota, por onde antes passava um quinto dos hidrocarbonetos consumidos no mundo. Desde meados de abril, os Estados Unidos bloqueiam os portos iranianos em resposta ao fechamento de Ormuz, praticado pelo Irã como represália aos ataques israelo-estadunidenses desde 28 de fevereiro.
Segundo um alto funcionário dos EUA, o presidente Donald Trump considera prolongar essa medida “durante meses, se necessário”. Washington considera que foi um sucesso, com o bloqueio de dezenas de petroleiros no Irã.
Mas a situação fez os preços do petróleo dispararem. O barril de Brent para entrega em junho chegou a superar os US$ 126 (R$ 626), seu nível mais alto desde o início da invasão russa da Ucrânia, em 2022. “O mundo enfrenta a crise energética mais grave de sua história”, afirmou Fatih Birol, diretor da Agência Internacional de Energia, que acredita que “os mercados de petróleo e gás enfrentarão sérias dificuldades”.
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, alertou para o “estrangulamento” da economia global, e o Banco Central Europeu (BCE) advertiu para a “intensificação” dos riscos para a inflação e o crescimento na zona do euro. Seu aliado Israel afirmou que talvez tenha que “agir novamente” em breve contra o Irã para que “ele não volte a ser uma ameaça”. Trump enfrenta uma intensa pressão em seu país para pôr fim à guerra que já causou milhares de mortes, principalmente no Irã e no Líbano.
Trump e a Inteligência Artificial
Nesta quinta-feira, Trump receberá um relatório do almirante Brad Cooper, comandante americano para o Oriente Médio, sobre possíveis novas operações militares contra o Irã, segundo o site Axios. Em meio ao conflito bélico, Donald Trump utilizou as redes sociais para divulgar, por motivos não imediatamente claros, mais de uma das suas montagens fantasiosas, na qual o Estreito de Ormuz aparece renomeado em sua homenagem. Veja abaixo:

Na imagem do “Estreito de Trump”, a área em disputa — atualmente sob bloqueio de ambas as nações — é mostrada sendo navegada exclusivamente por navios dos Estados Unidos.
Líbano
No Líbano, nove pessoas, incluindo duas crianças, morreram em ataques israelenses no sul do país, segundo as autoridades. As operações realizadas no Líbano por Israel, que alega combater o movimento pró-iraniano Hezbollah, causaram mais de 2.500 mortes e deslocaram mais de um milhão de pessoas desde o início de março, segundo as autoridades libanesas.
O exército israelense anunciou nesta quinta-feira a morte “em combate” de um de seus soldados, a quarta desde que o cessar-fogo entrou em vigor em 17 de abril. Dezenas de moradores do sul do Líbano protestaram em Beirute contra a destruição de suas aldeias por Israel.