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@ CHOQUE DE GESTÃO TUCANO PARALIZA O RS. Que os PSDBistas são ávidos partidários do ‘meu pirão primeiro’ todo mundo sabe, e não é necessário que Arthur e companhia dêem provas disso cotidianamente, apesar de o fazerem. Mas no Rio Grande, a paulista Yeda Crusius dá verdadeira aula de como se gerencia um Estado à moda tucana. Prometendo um ‘choque de gestão’, e jurando de pés juntos que não aumentaria impostos, venceu a candidatura do PT de Olívio Dutra, e assumiu o Palácio Piratini. Em pouco tempo, começaram a surgir os esquemas de corrupção, e um Estado individado pela gestão anterior, do PMDB. Yeda não cumpriu as promessas, e desagradou os movimentos sociais, os sindicatos e até mesmo a classe média que a elegeu. Com exceção da mídia golpista, bem representada no Sul pelo grupo RBS e o jornal Zero Hora, o apoio à governadora é zero. Além do escândalo do Detran, da violência contra os professores e camelôs, da fracassada tentativa de aprovar o Pacotão de aumento de impostos e do escândalo dos selos na Assembléia Legislativa (que você pode acompanhar nos companheiros blogais Diário Gauche e RS Urgente, dentre outros), agora a governadora, que foi com o pires na mão em busca de dinheiro para pagar o 13º ao funcionalismo público junto ao governo federal, mas não conseguiu, resolveu apelar: anunciou empréstimo junto ao Banco Mundial, num valor duas vezes maior do que as tentativas anteriores, quando o mesmo banco havia negado o empréstimo alegando o futuro credor estar ‘falido’. O empréstimo será feito em dólar, e o diretor do SINTAF, João Pedro Casarotto, já desmentiu as supostas vantagens para o erário público gaúcho. Pelo jeito, a maldição tucana de governar, que entregou o país falido a Lula, que pensa a privatização do ponto de vista do capital internacional e que governa para os tecnocratas e investidores chegou, e tomara que o Rio Grande, reduto histórico de experiências comunitárias dos movimentos sociais e de um PT de massas, suporte essa aventura rumo às profundezas do Consenso de Washington. I inda tem françeis…
@ EM MANAUS, AFAGOS MÚTUOS COM DINHEIRO PÚBLICO. O presidente da Câmara Municipal de Manaus, Leonel Feitoza (PSDB/AM), ao mesmo tempo em que foi agraciado pelo Conselho Municipal de Cultura, presidido pelo inexpressivo Aníbal Beça, com sua comenda máxima, aprovou junto com seus colegas uma lei que destina 120 mil reais para a Academia Amazonense de Letras, de onde provém a maioria dos conselheiros culturais, em virtude da relevância da produção literária de Beça e companhia. Os pouco mais de 200 filiados, dos quais uma pequena parte se arvora a publicar seus conteúdos psicológicos travestidos de literatura amazônida, comemoraram. Mas desta vez nem mesmo entre os representantes do saber oficial se encontrou o respaldo para tal ato, já que a própria Universidade Federal do Amazonas, através do seu curso de Letras – Língua Portuguesa, retirou a disciplina literatura amazonense da sua grade curricular, pela inexpressividade e pela pouca importância, e isso há alguns meses atrás. É com este entendimento de cultura que a Câmara e a prefeitura pretendem mostrar aos brasileiros e estrangeiros o esplendor da selva. Uma selva antropomorfizada e mais próxima do delírio do romantismo abrasileirado de Gonçalves Dias e José de Alencar do que de um entendimento de natura como potência ativadora da Vida. I inda tem françeis…
@ DE QUEBRA, FEITOZA MOSTROU A CULTURA GASTRO DA CMM, quando aproveitou a empolgação do recebimento do prêmio para divulgar dois de seus projetos Um é a Biblioteca Itinerante, que percorrerá os bairros de Manaus com livros. Como a CMM já demonstrou o seu entendimento de itinerância (com a Câmara Itinerante) como movimento extensivo, sem os elementos necessários às produções subjetivas que modifiquem a realidade, a proposta é apenas mais uma ilustração da concepção gastro de cultura e educação que carrega o poder público legislativo municipal. O segundo projeto seria o de instalar pequenas bibliotecas nos terminais de Õnibus da cidade, a fim de que os passageiros possam se transformar em leitores: “Está provado que durante o deslocamento, nos ônibus, as pessoas ficam sem fazer nada. Ora, vamos incentivá-las a ler“, afirmou o parlamentar. Se for para ler enquanto espera o ônibus, o passageiro certamente poderá terminar as mais de 900 páginas de O Ser e o Nada, de Sartre, antes que seu coletivo passe. Porém, dentro do coletivo, lotado, com temperaturas altíssimas, se segurando para não cair enquanto o motorista desvia de um buraco para cair no outro, e disputando espaço até para respirar com mais uma centena de passageiros, fica impossível realizar o sonho do vereador de transformar Manaus em Paris. I inda tem françeis…
@ DIFERENÇA SOCIAL ENTRE NORTE E SUL DIMINUI. O Índice de Desenvolvimento Social, criado pelo BNDES em 2006 para medir os indicadores sociais (educação, saúde, renda), medido nos dez últimos anos tem mostrado que a diferença social entre Norte (que envolve as regiões Norte e Nordeste) e Sul (Sudeste, Centro-Oeste e Sul) do país diminuiu. No início da pesquisa, o Sul era 4,5 vezes mais desenvolvido que o Norte. Hoje, a diferença é de 2,4 vezes a favor dos sulistas. Resultado do que a oposição apelidou, nas eleições presidenciais, de ‘cisão entre Norte e Sul’ pelo governo de Lula. Ou seja, mais investimentos no Norte, que deixa aos poucos de ser apenas um apêndice econômico do Sul do país. Uma análise mais apurada dos números mostra que enquanto os índices do Sul estancaram, os do Norte caminharam e melhoraram. O que dirão Arthur e Jefferson Péres desta pesquisa, que mostra que o governo federal faz mais pelo norte em seis anos do que eles durante toda a existência parlamentar? I inda tem françeis…
@ MAIS UMA DA PETROBRÁS. A empresa que quase foi privatizada pelo governo FHC, e que no governo Lula alcançou a quinta colocação entre as maiores empresas do mundo, ataca novamente. Agora, a empresa anuncia a descoberta de petróleo leve (de melhor qualidade) e gás natural ao norte do campo de Camarupim, na bacia do Espírito Santo. Diferente da reserva de Tupi, descoberta há um mês, há a possibilidade de exploração desta reserva a curto prazo. Embora não tenha divulgado ainda o tamanho do tesouro, as ações da empresa alçaram vôo na bolsa de valores de São Paulo. Mais uma safena para os já combalidos combatentes da direita PSDB e GRES Unidos dos Democratas. I inda tem françeis…
@ E NO AMAZONAS, A DIREITA PETISTA VENCEU. A disputa das eleições internas do Partido dos Trabalhadores em Manaus, no seu segundo turno, terá ares de ‘jogo de compadres’. A disputa ficará a cargo do deputado estadual Sinésio Campos, o descobridor das jazidas de argila de Iranduba, e a atual presidente regional, Mariene Pantoja. Mariene já afirmou que, se vencer, chamará Sinésio para compor a diretoria, e espera o mesmo caso o deputado vença. Vença quem vencer, ganhou a facção petista subserviente ao governo do Estado e à prefeitura, de forma que dificilmente, como afirmou o vereador Waldemir José a este Bloguinho, o partido sairá com candidatura própria nas eleições municipais do ano que vem. A tendência do partido é continuar a linha Oh, My Darling!, que tem caracterizado as ações do partido no Amazonas. I inda tem françeis…
@ O TEMPO-AYON VIDA/MÚSICA STOCKHAUSEN não se limita aos 79 anos da cronologia 22 de agosto de 1928 a 5 de dezembro de 2007. Karlheinz Stockhausen compôs mais de 300 obras musicais e publicou 10 volumes denominados Texte zur Musik, livros com seus dizeres sobre a música não-música que criava. Amigo de Pierre Boulez, ambos estudando com Olivier Messaien, desde a juventude, Stockhausen esteve sempre inquieto/inquietante com suas composições musicais, sendo considerado o criador da “música eletroacústica”, que rompia ao mesmo tempo com “ditadura da partitura” a partir da introdução do chamado “timecode” e ao mesmo tempo com a música eletrônica tradicional. Uma de suas obras mais conhecidas é Helikopter-Streichquartett, um quarteto de violinos e helicópteros, onde quatro violinos são tocados em simultaneidade com os sons de quatro helicópteros. Na dodecafonia da proximidade entre tom e ruído, o atravessamento na música pelos não-músicos, o compositor alemão vai também insistir não somente na quebra temporal do som para libertar a música do tempo-cronos e lançá-la ao tempo-ayon, o tempo não pulsado, mais também insiste no preenchimento do espaço pela música. E insistir é o que Stockhausen faz em suas maiores obras, como Licht (Luz) – Os Sete Dias da Semana, começada em 1977 e estreada em 2004, que tem 29 horas de duração. E no mesmo dia desse estréia ele começou um outro projeto chamado Klang(Som) – As 24 horas do Dia… Como dizem os filósofos Deleuze e Guattari, “Stockhausen participa de todo o movimento de descodificacão que define a música contemporânea, a saber, descodificacão, não no sentido de descobrir o segredo de un código, mas sim de destruir os códigos musicais”. Insistir na linha, não há repetição em Stockhausen, o que lhe interessa é tirar do plano a desestruturação de qualquer plano a não ser o plano de consistência, tirar da música a não-música e não ao contrário. Desterritorialização heterogênea e infinita cósmica do som. I inda tem françeis…
Vamos que vamos
Que quem chegou não foi
E quem foi não chegou
Mas ninguém chegou
Aonde alguém foi…