O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que líderes de Israel e do Líbano devem conversar pela primeira vez em 34 anos nesta quinta-feira (16). A informação, postada em suas redes sociais, foi negada por uma fonte de Beirute à agência France-Presse.
“Não temos conhecimento de nenhum contato planejado com o lado israelense e não fomos informados disso por canais oficiais”, afirmou.
A reunião foi anunciada por Trump, sem maiores detalhes, na quarta-feira (15). “Tentando criar um pouco de espaço entre Israel e Líbano. Faz muito tempo que os dois líderes não conversam, uns 34 anos. Isso vai acontecer amanhã. Ótimo!”, escreveu na rede Truth Social.
A ministra Galia Gamliel, do Gabinete de Segurança de Israel, confirmou o encontro à rádio do Exército israelense, segundo o Times of Israel. Ela disse que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu conversaria com o presidente do Líbano, Joseph Aoun.
“Após tantos anos de total desconexão no diálogo entre os dois Estados, espera-se que essa iniciativa, no fim, leve à prosperidade”, afirmou.
Desconhecimento
Representantes libaneses e israelenses se reuniram na terça‑feira (14) em Washington, sob mediação do secretário de Estado estadunidense, Marco Rubio, para a primeira rodada de negociações diretas de paz entre os dois países.
Veículos internacionais destacam, na manhã desta quinta, o desconhecimento do encontro pelas autoridades libanesas, que seria o primeiro após décadas. A correspondente da Al Jazeera em Beirute, Zeina Khodr, classificou as declarações de Trump como “controversas”.
“É realmente um tabu no Líbano que um líder libanês e um líder israelense conversem em um momento em que ambos os países ainda estão tecnicamente em guerra, em um momento em que Israel continua a atacar o país”, afirmou.
Em 2 de março, o grupo de resistência Hezbollah entrou na guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, em retaliação ao assassinato do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei. Desde então, Tel Aviv intensificou sua ofensiva terrestre no sul do país.
Na quarta-feira (15), Netanyahu declarou ter ordenado a expansão da operação militar em direção ao leste. Mais de 2 mil pessoas foram mortas no Líbano e cerca de 1,2 milhão encontram-se deslocadas, segundo relatos locais.