EM PEQUIM, ATO PELOS 95 ANOS DE RAÚL CASTRO REAFIRMA ALIANÇA HISTÓRICA ENTRE CHINA E CUBA

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UNIDADE SOCIALISTA

Dirigentes do Partido Comunista Chinês condenaram as falsas acusações do EUA contra Raúl e o bloqueio ilegal contra Cuba

Lançamento na China da edição em mandarim do livro ‘Raúl Castro – trajetória revolucionária’, de Nikolai S. Leonov | Crédito: Bruno Falci/Brasil de Fato

Em Pequim, na China, a Embaixada de Cuba recebeu um ato pelos 95 anos do general Raúl Castro, celebrados nesta quarta-feira (3), que acabou ganhando peso político com demonstrações de apoio a Cuba por parte de autoridades chinesas. O encontro reuniu representantes do Partido Comunista Chinês, diplomatas e acadêmicos em meio ao aumento das pressões dos Estados Unidos sobre a ilha.

O ato ocorre em um momento de escalada das tensões entre Estados Unidos e Cuba, com novas sanções econômicas e energéticas, além do aumento da pressão diplomática e jurídica sobre autoridades cubanas. Em Washington, a retórica de “mudança de regime” também voltou a ganhar espaço. Cuba e seus aliados, por sua vez, denunciam uma política de coerção e bloqueio que consideram uma violação da soberania e das normas internacionais.

A cerimônia teve um momento simbólico logo no início, com a execução dos hinos nacionais de Cuba e da China. Ao longo do evento, houve ainda apresentações musicais com canções chinesas e cubanas, em uma programação cultural que reforçou o tom de aproximação entre os dois países.

O embaixador de Cuba em Pequim, Alberto Blanco, abriu a cerimônia destacando a trajetória de Raúl Castro como continuidade da Revolução Cubana. “O general do Exército Raúl Castro Ruz dedicou sua vida à causa da independência, da soberania e da dignidade da pátria cubana, e representa um exemplo de firmeza revolucionária para o nosso povo”, afirmou.

Logo depois, o vice-ministro do Departamento Internacional do Comitê Central do Partido Comunista da China, Ma Hui, condenou as acusações dos Estados Unidos contra Castro e criticou o bloqueio econômico imposto a Cuba. “A China se opõe sistematicamente às sanções unilaterais ilegais que carecem de base no direito internacional ou de autorização do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), bem como ao abuso de mecanismos judiciais e às pressões externas contra Cuba sob qualquer pretexto”, disse.

O presidente da China Social Sciences Press, Ji Weimin, também destacou o caráter histórico da relação entre os dois países. “A publicação de obras dedicadas à trajetória de Raúl Castro reflete não apenas o interesse acadêmico, mas também o profundo vínculo de amizade entre China e Cuba, construído ao longo de décadas de cooperação e respeito mútuo”, afirmou.

Durante o evento, foi apresentado o livro “Raúl Castro – Vida Revolucionária”, edição em chinês da obra do escritor Nikolai S. Leonov sobre a trajetória do líder cubano. A publicação, feita pela China Social Sciences Press, foi apresentada como parte do intercâmbio cultural entre os países e como símbolo de sua aproximação no campo editorial e acadêmico.

Ao final, o governo chinês reafirmou seu apoio a Cuba na defesa de sua soberania e integridade nacional, reforçando a continuidade da parceria entre os dois países. O ato terminou como uma homenagem à trajetória de Raúl Castro e, ao mesmo tempo, como mais um gesto político na relação entre Pequim e Havana em meio às disputas internacionais.

Encontro reuniu representantes do Partido Comunista Chinês, diplomatas e acadêmicos | Crédito: Bruno Falci/Brasil de Fato

‘Uma vida dedicada à Revolução’

Diante de autoridades chinesas, diplomatas e convidados, o embaixador de Cuba em Pequim, Alberto Blanco, abriu a cerimônia destacando o caráter político da celebração pelos 95 anos do general Raúl Castro.

“Nos reunimos hoje para celebrar juntos o 95º aniversário do General de Exército Raúl Castro Ruz, líder da Revolução Cubana. É para mim uma honra imensa pronunciar estas palavras em nome do nosso povo, partido e governo, com motivo da celebração da fecunda vida, obra e legado de um homem que dedicou mais de seis décadas à causa da independência, da soberania e da dignidade da pátria cubana”, afirmou.

Ao longo da fala, o embaixador ressaltou o papel de Castro na preservação da memória histórica da Revolução Cubana e na consolidação do processo político iniciado em 1959, destacando sua atuação na proteção de documentos, registros e testemunhos ligados à trajetória revolucionária.

“Desde o triunfo da Revolução, demonstrou especial cuidado com a preservação da documentação, dos testemunhos e objetos vinculados à sua história. Soube, com seu exemplo pessoal, dar alento ao nosso povo nos momentos difíceis”, disse.

O discurso situou o início da trajetória revolucionária de Castro no contexto da luta contra a ditadura de Fulgencio Batista, instaurada após o golpe militar de 1952 e marcada pela repressão aos movimentos opositores que deram origem à insurreição liderada por Fidel Castro.

Nesse cenário, o embaixador mencionou o ataque ao quartel Moncada, em 1953, considerado um dos marcos fundadores da Revolução Cubana. A ação, organizada por jovens revolucionários, buscava iniciar uma ofensiva armada contra o regime, mas terminou em fracasso militar e na prisão de seus participantes, entre eles Raúl Castro.

“Em 1953, combateu no assalto ao quartel Moncada e foi posteriormente preso. Mas seu espírito jamais foi quebrado”, afirmou.

O embaixador também situou a Sierra Maestra como o principal cenário da guerrilha revolucionária, cadeia montanhosa no leste de Cuba que se tornou base da luta armada contra a ditadura de Batista e onde se consolidou o núcleo dirigente do movimento.

“Durante a luta na Sierra Maestra, Castro demonstrou seu valor e suas habilidades como organizador e estrategista militar. Foi promovido ao posto de comandante e recebeu a missão de abrir o Segundo Frente Oriental ‘Frank País’”, disse.

Nesse período, destacou a atuação conjunta de Raúl Castro com Fidel Castro e Ernesto “Che” Guevara na direção da guerrilha que operou a partir de 1956 e foi decisiva para a derrubada da ditadura.

Entre os episódios simbólicos da luta, o embaixador resgatou o momento em que combatentes presos teriam entoado o hino nacional diante da possibilidade de execução, gesto lembrado na memória revolucionária como símbolo de resistência.

“Quando acreditavam que seriam fuzilados, decidiram entoar o Hino Nacional para enfrentar a morte de cabeça erguida. Aquilo foi a forja de um herói”, afirmou.

O embaixador também destacou a relação entre Raúl e Fidel Castro como eixo político e ideológico da Revolução, marcada não apenas por laços familiares, mas por uma convergência de ideias e trajetória política comum.

“Entre ambos não havia apenas laços de sangue, mas uma dupla irmandade: na luta e nas ideias”, citou.

Após o triunfo da Revolução em 1959, o diplomata ressaltou o papel de Castro na organização das Forças Armadas Revolucionárias, instituição que estruturou a defesa do novo Estado cubano e que ele liderou por quase cinco décadas, contribuindo para a consolidação do modelo de defesa conhecido como “guerra de todo o povo”.

“Liderou as Forças Armadas Revolucionárias durante 49 anos, participando decisivamente da construção do sistema de defesa do país”, afirmou.

O discurso também abordou o período posterior à transição de liderança de Fidel Castro, destacando Raúl como continuidade institucional e política da Revolução Cubana, responsável por manter a coesão do projeto político iniciado em 1959.

“Raúl não foi apenas o fiel escudeiro, mas o estadista que garantiu a continuidade do projeto revolucionário”, disse.

Ma Hui destacou a importância simbólica da homenagem ao 95º aniversário do general Raúl Castro | Crédito: Bruno Falci/Brasil de Fato

‘Raúl é Raúl’

O vice-ministro do Departamento Internacional do Comitê Central do Partido Comunista da China, Ma Hui, abriu sua intervenção em Pequim destacando a importância simbólica da homenagem ao 95º aniversário do general Raúl Castro no contexto das relações entre China e Cuba.

“Hoje me alegra reunir-me com todos vocês para celebrar, com profundo respeito, o 95º aniversário do general de Exército Raúl Castro Ruz, líder da Revolução Cubana”, afirmou.

Ma Hui apresentou Castro como uma das figuras centrais da Revolução Cubana e um dos principais responsáveis pela construção do socialismo no país, além de destacar sua importância na consolidação da amizade histórica entre Pequim e Havana.

“O companheiro Castro é um dos principais construtores da Revolução e da causa da construção socialista em Cuba, e também um grande amigo do povo chinês”, disse.

O dirigente chinês situou Cuba no atual cenário internacional, marcado pela continuidade do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos e por um ambiente de pressões políticas e econômicas sobre a ilha. Apesar disso, destacou a capacidade de resistência do país e a manutenção de seu projeto político desde a Revolução de 1959.

Nesse contexto, afirmou que o governo e o povo cubanos “permaneceram fiéis à verdade, enfrentaram a arrogância do poder e travaram uma luta persistente”.

O vice-ministro também comentou as recentes acusações apresentadas por autoridades dos Estados Unidos contra Raúl Castro, em referência a iniciativas judiciais e políticas associadas ao endurecimento da política estadunidense em relação a Cuba e ao histórico de tensões entre os dois países, o que gerou ampla oposição e rejeição na comunidade internacional.

Ma Hui encerrou sua intervenção recordando sua experiência como ex-embaixador na ilha, ao lembrar encontros com Raúl Castro e destacar sua impressão pessoal sobre o líder cubano como uma figura de forte presença política e profundo conhecimento das relações bilaterais.

“Raúl é Raúl”, concluiu, desejando saúde ao dirigente cubano e reafirmando a continuidade da amizade entre China e Cuba.

Embaixador de Cuba em Pequim, Alberto Blanco destacou o caráter político da celebração | Crédito: Bruno Falci/Brasil de Fato

‘Cooperação cultural entre China e Cuba é expressão de uma amizade histórica’

Já o presidente da China Social Sciences Press, Ji Weimin, abriu sua intervenção em Pequim destacando o caráter simbólico da homenagem ao 95º aniversário de Raúl Castro e o papel do intercâmbio cultural na relação entre China e Cuba.

“É uma grande honra participar do evento comemorativo de hoje e reunir-me com amigos novos e antigos para celebrar o 95º aniversário do general de Exército Raúl Castro Ruz. Em nome da China Social Sciences Press, gostaria de transmitir as mais sinceras felicitações ao general Raúl Castro Ruz”, afirmou.

Ji Weimin apresentou Raúl Castro como uma figura central da Revolução Cubana e do processo de construção nacional de Cuba, destacando sua trajetória desde a luta revolucionária até a liderança política do país e seu papel na defesa da independência e da soberania da ilha.

“O general Raúl Castro Ruz dedicou toda a sua vida à Revolução Cubana e à construção nacional. Desde sua participação no movimento revolucionário até a defesa da independência do país e a preocupação com o bem-estar do povo, ele escreveu um exemplo de lealdade e responsabilidade revolucionária”, disse.

Durante o evento, um dos momentos destacados foi o lançamento e a circulação da edição em mandarim da biografia “Raúl Castro – trajetória revolucionária”, baseada na obra do escritor russo Nikolai S. Leonov. A obra, segundo foi destacado, integra um conjunto de iniciativas editoriais voltadas à difusão da história política cubana na China, reforçando o interesse acadêmico e institucional chinês pela trajetória da Revolução Cubana.

Ji Weimin também mencionou outras publicações sobre Cuba, incluindo estudos sobre Fidel Castro e análises da realidade política do país, produzidas no âmbito da China Social Sciences Press e de instituições acadêmicas chinesas ligadas às ciências sociais.

O dirigente afirmou que essas iniciativas refletem o papel da editora como ponte no intercâmbio de conhecimento entre China e Cuba, contribuindo para o fortalecimento dos laços culturais e acadêmicos entre os dois países.

Ele situou esse trabalho dentro de uma relação mais ampla de cooperação bilateral, que combina dimensões políticas, culturais e acadêmicas, consolidando o diálogo entre os dois países ao longo das últimas décadas.

No encerramento de sua intervenção, Ji Weimin reforçou o caráter simbólico da data e o significado da homenagem realizada em Pequim. “Por fim, reitero meus votos de feliz aniversário ao general de Exército Raúl Castro Ruz. Que a amizade entre China e Cuba seja eterna”, afirmou.

Presidente da China Social Sciences Press, Ji Weimin destacou o caráter simbólico da homenagem | Crédito: Bruno Falci/Brasil de Fato
Editado por: Rafaella Coury

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