FLÁVIO BOLSONARO FALOU COM VORCARO NO DIA DA ÚLTIMA PARCELA DE US$ 1,6 MI; EDUARDO ORIENTOU BANQUEIRO, DISSE POLÍCIA FEDERAL
Parecer de Gonet que dá aval à investigação de Flávio e Eduardo Bolsonaro foi enviado à Mendonça em 21 de julho, pedindo diligências que não foram cumpridas. PF vê crimes de corrupção passiva, corrupção ativa, evasão de divisas e lavagem de capitais.
Informações obtidas pela Polícia Federal na investigação do caso Master revelam que Flávio Bolsonaro (PL) falou com Daniel Vorcaro em 16 de setembro de 2025, no mesmo dia em que o banqueiro pagou a parcela de US$ 1.666.666,67 supostamente para financiamento do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro. Eduardo Bolsonaro foi quem orientou que o depósito deveria ser feito no fundo Havengate, nos EUA, segundo o documento. Os dados foram tornados públicos nesta sexta-feira (11) após determinação do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, ao relator do caso André Mendonça.
“Entre as diversas interações que evidenciam a operacionalização dos repasses, em 15.9.2025, THIAGO MIRANDA comunicou a DANIEL VORCARO que FLÁVIO BOLSONARO desejava encontrá-lo pessoalmente para mostrar o que estava sendo gravado, sugerindo reunião entre os três na residência de DANIEL. No dia seguinte, há registro de ligação entre DANIEL VORCARO e FLÁVIO BOLSONARO, coincidindo temporalmente com a última remessa da ENTRE INVESTIMENTOS para a HAVENGATE DEVELOPMENT FUND LP identificada no RIF n. 144413”, diz o trecho extraída de um parecer do Ministério Público sobre o caso.

O parecer, assinado pelo Procurador-Geral da República (PGR) Paulo Gonet, que deu aval à “abertura de inquérito próprio” para investigar as tratativas foi enviado a Mendonça no dia 21 de julho de 2026.
Segundo o documento, baseado na investigação na petição 16.369 da Polícia Federal, Eduardo Bolsonaro teria orientado Thiago Miranda, interlocutor de Vorcaro, a depositar o dinheiro diretamente nos EUA.
“A autoridade policial levanta a hipótese de que EDUARDO BOLSONARO orientou a gestão dos recursos em solo estrangeiro. Afirma, no ponto, que, no mês de março de 2025, THIAGO MIRANDA informou a DANIEL VORCARO que “Flavio B e Eduardo” pretendiam marcar reunião com ele a respeito do filme. Na sequência, foi encaminhada captura de tela de conversa atribuída a EDUARDO BOLSONARO, com orientações sobre a gestão dos recursos nos Estados Unidos, em que colocou ALTIERIS CHAVES SANTANA, diretor da empresa HAVENGATE DEVELOPMENT FUND GP LLC7, à disposição para operar o esquema”, diz. Santana seria, juntamente com o advogado Paulo Calixto, os operadores de Eduardo nos EUA.

Já Mário Frias, que foi alvo de busca e apreensão por ordem de Flávio Dino nesta quinta-feira (10), é identificado como “participante dos encontros e possível idealizador do projeto ‘filme do presidente’.
“As tratativas para o financiamento da denominada produção apontam, ainda, para a atuação de THIAGO MIRANDA SILVA, intermediador dos encontros, e do Deputado Federal MÁRIO LUIS FRIAS, participante dos encontros e possível idealizador do projeto “filme do presidente”, além de EDUARDO NANTES BOLSONARO, que orientou como os valores poderiam ser mais bem geridos nos EUA, como evidenciam as interações mantidas entre THIAGO MIRANDA e DANIEL VORCARO no período de dezembro/2024 a março/20255”, diz o parecer.

Segundo o documento, as transferências do dinheiro pela Entre Investimentos, de Vorcaro, ao fundo eram feitas por Antônio Carlos Freixo Júnior, o “Mineiro”, que confirmou as transações em acordo de delação premiada homologado nessa semana por Mendonça.
A PF afirma que “há indícios consistentes da prática das condutas ilícitas narradas, sendo necessário o aprofundamento da investigação para melhor valoração das hipóteses cogitadas, que envolvem potencialmente os delitos de corrupção passiva, corrupção ativa, evasão de divisas e lavagem de capitais”.
“O repasse de montante expressivo, sem contrapartida financeira conhecida, mediante sofisticada blindagem patrimonial e atuação de interpostas pessoas, há de ser complementado por outros elementos, para que ganhe substância o cenário entrevisto de prática pelos parlamentares investigados de ato caracteristicamente inerente ao mandato no contexto cogitado, especialmente por envolver o proprietário do Banco Master, principal liderança da organização criminosa objeto de procedimento próprio, que classificou o financiamento da produção como “o mais importante disparado” e obteve, às vésperas da deflagração da fase ostensiva da Operação Compliance Zero, promessa de apoio ou interferências do próprio Senador: ‘Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!’”, diz a PF, citando a frase de Flávio Bolsonaro em áudio a Daniel Vorcaro, revelada pelo site The Intercept.

Ao final, Gonet pede que sejam levantadas informações sobre “proposições legislativas apresentadas ou endossadas pelo Senador Flávio Nantes Bolsonaro e pelo Deputado Mário Luis Frias no âmbito do Congresso Nacional, que possam ser de interesse do Banco Master ou de empresas a ele vinculadas, bem como aos seus controladores, em especial Daniel Bueno Vorcaro”.
Gonet ainda solicita a busca completa nos aparelhos de telefone e computadores apreendidos com Vorcaro e diz que “não se opõe à abertura
de inquérito próprio vinculado ao Inquérito n. 5026/DF”.
Leia a íntegra do Parecer da PGR sobre Flávio Bolsonaro no caso Master