FLÁVIO BOLSONARO TEMIA SER PRESO EM AÇÃO DA POLÍCIA FEDERAL SOBRE DARK HORSE

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André Mendonça já sabia desde o dia 3 de setembro que Dino colocou Mário Frias como “agente central” da organização criminosa. Flávio Bolsonaro já teria acionado advogados temendo ser preso ou alvo de busca e apreensão.

Por: Plínio Teodoro: 11/09/2026 –
– Flávio Bolsonaro em campanha (Silvio Ávila / AFP)

Flávio Bolsonaro se preparou juridicamente e temia até mesmo ser preso na Operação Make Up, desencadeada pela Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (10) e que mirou o deputado Mário Frias (PL-SP) e Karina Gama, dona da GoUP, produtora de Dark Horse. A ação, autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), revelou o esquema de drenagem de dinheiro público, via emendas parlamentares, para irrigar o ecossistema de empresas ligadas a Karina Gama e, possivelmente, financiar o filme sobre Jair Bolsonaro (PL).

Segundo informações divulgadas por Lauro Jardim, no jornal O Globo, a operação era aguardada pela campanha de Flávio Bolsonaro, “incluindo ele próprio”, que tinha “medo” de “de uma busca e apreensão (o provável, segundo seus aliados) ou mesmo uma prisão”.

O colunista d’O Globo, que tem tido acesso a informações dentro da campanha, afirma ainda que “Flávio se preparou” e que “advogados já haviam sido contatados e estavam acionados para agir logo, se fosse preciso”.

O conhecimento prévio de Flávio Bolsonaro sobre a ação pode ter vindo do gabinete de André Mendonça, que desde o dia 3 de setembro já tinha conhecimento de que Flávio Dino havia decidido sobre a ação e afirmava que “o Deputado Federal Mário Frias figura como “agente central” de “uma única organização criminosa, estruturada para captar, disseminar e ocultar recursos provenientes de verbas públicas”.

Na decisão, Dino revela um elo entre as emendas destinadas pelo deputado Mário Frias à a empresária Karina Gama, dona da produtora GoUp, e a investigação que envolve Flávio Bolsonaro no caso Master, que está sob relatoria de André Mendonça na corte. O ponto de contato está na produção de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro que aparece nas duas frentes de investigação.

“Uma única organização criminosa”

A partir de elementos reunidos pela Polícia Federal, Dino concluiu que investigações que tramitavam separadamente — uma sobre emendas parlamentares destinadas ao Instituto Conhecer Brasil (ICB) e outra sobre movimentações financeiras envolvendo pessoas e empresas ligadas ao núcleo investigado — podem fazer parte de uma mesma estrutura criminosa.

“Não há dois esquemas distintos”, afirma o ministro. Em seguida, Dino aponta que “há fortes indícios de uma única organização criminosa, estruturada para captar, disseminar e ocultar recursos provenientes de verbas públicas, na qual o Deputado Federal Mário Frias figura como agente central”.

A investigação que chegou ao ICB começou a partir da destinação de R$ 2 milhões em emendas parlamentares de autoria de Mário Frias. O inquérito, que tem origem no orçamento secreto, está sob relatoria de Flávio Dino e motivou a ação da PF.

Segundo a decisão do ministro, os recursos foram destinados à entidade por meio de dois termos de fomento registrados no sistema federal de transferências.

Karina Ferreira da Gama aparece no material analisado pela PF como presidente do ICB e da Academia Nacional de Cultura (ANC), além de empresária ligada à produção de Dark Horse.

A decisão registra ainda sua proximidade política com Mário Frias e a prestação de serviços de uma empresa de sua propriedade para a campanha do deputado em 2022.

A produção do filme é feita pela Go Up Entertainment, empresa que aparece entre as atingidas pelas medidas determinadas por Dino, como a proibição de contratação por entidades públicas.

É nesse ponto que a investigação sobre o uso de emendas passa a tocar diretamente o universo de Dark Horse.

Segundo Dino, a análise financeira encontrou relações entre o ICB, empresas contratadas e pessoas ligadas ao núcleo investigado. O ministro fala em “inequívoca confusão patrimonial entre o ICB, as empresas contratadas e as pessoas físicas vinculadas ao núcleo investigado”.

Entre os elementos identificados estão “vínculos societários cruzados, identidade ou proximidade de sócios e administradores, empresas com faturamento declarado incompatível com os montantes efetivamente movimentados e sucessivas devoluções de recursos sem causa econômica aparente”.

Para Dino, essas circunstâncias “indicam, em tese, a utilização de pessoas jurídicas como instrumentos de circulação patrimonial e ocultação de valores.”

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