20 ANOS DE SUS: AÇÃO SOCIALISTA DA SAÚDE PÚBLICA

A Política da Saúde Pública no Brasil, tomada como segmento de direitos de todas as classes – se é que existe essa hierarquia social, quando se sabe que uma sociedade não pode ser dividida dado seus imbricamentos gerais de códigos sociais – só pode ser analisada pelo marco antes de depois da Constituição Cidadã, ou melhor, antes e depois da Implantação do Sistema Único de Saúde – SUS.

A SAÚDE PÚBLICA NO ANTES

Eufemismo. Política de Saúde Pública, antes do SUS, não existia. O Público não era Público. O que havia era uma ordem de atendimento médico, hospitalar as vezes, manifestada por três escalas de discriminação chamada eufemisticamente de Saúde Pública.

  1. Atendimento aos que possuíam condições econômicas para pagar seus diagnósticos e tratamentos. Fator que criou a máxima burguesa, dependendo do lugar do enfermo, “O melhor médico é um avião para São Paulo!”. A consciência cristã da elite ignaramente estúpida. Mesmo quando o “avião” não auxiliava na cura.

  2. Os que em função de suas atividades trabalhistas tinham convênios com algumas empresas de saúde responsáveis pelos atendimentos. Uma forma, embora precária, de discriminação aos que não possuíam essas seguridades.

  3. Os que além de não terem condições econômicas não faziam parte de nenhuma instância de saúde por convênio trabalhista. Em suma: os pobres.

E nessa realidade política/social/médica, muitos tiveram suas vidas, ou cronicamente enferma, ou foram à óbito.

A SAÚDE PÚBLICA NO DEPOIS

Hoje, sendo uma dos Sistema de Saúde mais eficaz do mundo, o SUS mudou a práxis de Saúde no Brasil. Toda a sociedade tem direitos aos seus serviços. Não precisa ser “nobre”, remediado ( que palavra!), ou pobre para ser atendido por seu programa de Saúde. Em uma simples cirurgia de catarata, até um delicada cirurgia de redesignação sexual, passando por uma eficiente e bela dentadura, sem falar nas prevenções contra cáries, obturações e aplicação de flúor, o Sistema Único de Saúde mostra sua abrangência. Sua práxis de atualizar os direitos dos pacientes atinge todas as manifestações que implicam patologias, sejam somáticas ou mentais. Enfermidades coletivas como malária, dengue, hepatite, catapora, Aids, uma mera gripe, tornou-se campo de sua atuação. Esse seu funcional vetor construtor de cidadania.

OS ANTI-SUS

A práxis da Política de Saúde do SUS poderia – e pode – ser mais eficaz, se não houvessem duas disfunções.

O grande desconhecimento da maior parte dos profissionais da saúde quanto a sua força política/sócia/médica. A formação universitária destes profissionais é por demais alheia a realidade do SUS. Grande parte dos estudantes e formandos não conhecem seu programa como abrangência terapêutica de saúde coletiva. Talvez a razão encontre-se na fraca, ou quase nenhuma formação filosófica, política, antropológica e sociológica destes profissionais que quase sempre imaginam uma medicina mercantil.

A ocultação que muitos profissionais médicos fazem aos seus pacientes dos programas do SUS. Evidenciam seus serviços como se fossem privados e não do SUS. Quando em verdade esses profissionais atendem pacientes exclusivamente pelo SUS. Principalmente em clínicas particulares. Um truque capitalista como auto-promoção na medicina de mercado que praticam.

No mais, é só comemorar e trabalhar para melhores políticas de saúde coletiva. Parabéns, SUS, pela socialização da Saúde no Brasil. Apesar do país ser eminentemente capitalista.

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