EDUCAÇÃO TEM PERDIDO RELEVÂNCIA NA AGENDA PÚBLICA E ISSO COLOCA EM RISCO A SOBERANIA, DEFENDE PROFESSOR DA USP

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INVESTIR NO FUTURO

Daniel Cara critica uso de emendas parlamentares e defende fortalecimento do financiamento da educação pública

O Pisa é um indicador educacional que pretende comparar resultados dos sistemas escolares de diferentes países | Crédito: Agência Brasil

Apenas 9%, ou 20 dos 227 parlamentares que compõem a Frente Parlamentar Mista de Educação destinaram emendas parlamentares para a área, segundo reportagem publicada na Folha de S.Paulo.

Ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o colunista Daniel Cara, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), afirma que os dados provam que o Brasil precisa rever urgentemente a estratégia de emendas parlamentares. “Criou-se o parlamentarismo orçamentário. Não existe nada mais antirrepublicano do que as emendas”, dispara.

Para Cara, a bancada se tornou muito demagógica e atrelada a interesses privados. “A educação tem perdido relevância dentro da agenda pública, o que coloca em risco tanto a soberania como também a economia, o direito, especialmente o direito à educação dos nossos adolescentes, das nossas crianças, dos nossos jovens e também dos adultos idosos que não completaram a educação básica”, afirma.

As emendas parlamentares, segundo o professor, servem “estritamente para garantir a reeleição”. E aposta: “Muito provavelmente a Câmara vai ter um grau de reeleição próximo de 80% para essa próxima legislatura e o Senado Federal também.”

Ainda sobre orçamento, Daniel Cara comenta a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que manteve o patamar de investimento em educação para 2027, independentemente do resultado das eleições. O professor destaca que isso só foi possível graças à luta do setor para a “vinculação constitucional do investimento em educação dentro do artigo 212 da Constituição Federal”. Cara relata que, de todos os programas dos presidenciáveis, apenas o do presidente Lula não defende o fim da vinculação.

O especialista defende que é preciso fortalecer o financiamento da política educacional e compreender que o “investimento em educação é um investimento tanto no presente como no futuro do país, inclusive em termos de desenvolvimento econômico e soberania”, reforça.
Editado por: Gia Matheus Almeida

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