Chegado o desfecho da eleição para a prefeitura de Manaus, vozes se manifestam em uníssono culpando o candidato à reeleição — no Brasil o único prefeito a não se reeleger —, Serafim, como responsável pela re-entrada no palco “político” do ícone da direita tradicional do Amazonas, Amazonino. Há até os que afirmam que foi ele o melhor cabo eleitoral do representante maior da direita. Referência à sua administração. O certo é que todos se tomam como justos juízes de Serafim para condená-lo pela emergência do inesperado: a ronda espectral da direitaça.

QUE JUSTOS SÃO ELES?

Em verdade, julgamento e condenação ilógicas, principalmente quando se sabe que a democracia é a práxis social de produção de sabres e dizeres capazes de fragmentar blocos molares niilistas personificados pela direita. Em linguagem banal: engajamento político-social, senão de todos, mas pelo menos de uma grande parte da população da cidade.

Nessas observações judicativas, tomemos o comentário do candidato Praciano, sentenciando que Serafim colocara a gravata em Amazonino, que já se encontrava de pijama. Por um lado, foi verdadeira sua sentença. Mas o que foi que Praciano, em campanha, fez para tirar a gravata de Amazonino? Apresentou a mesma semiótica de valores sociais dos demais candidatos. A linguagem do óbvio que não transforma, só protege o já posto. Tudo o que mantém a miséria ontológica da cidade de Manaus. Não mostrou outros signos. Falou em abrir as escolas (quase todos falaram o mesmo), mas não disse que antes era preciso existir escola, não como prédio, mas como modo de ser outro. Outras percepções e outras cognições. O que jamais ocorreu em toda a história de Manaus, que muda prefeitos, mas os sentidos permanecem sensorialmente anestesiados, e cognitivamente atrofiados. A candidatura Praciano era a única novidade, mas se perdeu em um anêmico trabalho de equipe.

E os outros falantes? Esses, na pulsão de julgar, não sabem que a atualização constitutiva de uma cidade não se reduz a um prefeito. É política, estética e, eticamente, uma produção de todos. Produção transfiguradora para “mostrar o que a direita procura esconder” (Deleuze), o que é nocivo ao movimento da vida. Tudo que as esquerdas do Amazonas não fazem. Fazem até o contrário: ocultam mais. Assim, um prefeito é apenas uma personagem que busca administrar em concordância com a produtividade de todos democraticamente. Todavia, nada disso acontece. As chamadas mentes esclarecidas estão confinadas na mesma cama mortuária da alma coletiva indiferente onde a direita se deita. É quase impossível encontrar um profissional implicando socialmente seus saberes nas comunidades que necessitam escapar das tiranias. Médico, jornalista, advogado, educador, arquiteto, psicólogo, antropólogo, escritor, artista, etc, todos ausentes desta ação de produção coletiva de Saúde. Forma de bloquear o avanço dos zumbis da direita, que se alimentam destes guetos construídos por ela mesma.

A democracia não se constrói em dia de eleição com o voto. Eleição é apenas um rito de confirmação democrática. E se há uma produção coletiva, sua avaliação. Se não há, oportunidade para a direita realizar sua ambição.

Daí que Serafim não é sozinho o responsável pela gravata de Amazonino. Apesar dos juízes.

2 pensamentos sobre “JUSTO ELES CULPAM SERAFIM!

  1. José Dirceu disse que foi um erro o PT não ter apoiado Serafim. João Pedro falou que o PT avançou porque conquistou algumas prefeituras no interior do Estado. O que precisa aclarar para José Dirceu é o seguinte. Quem não apoiou Serafim foi o PTNININHO, o PT OH MY DARLING denominado pelo blog da AFINSOPHIA, o PTNININHO DO SINESINHO que já está de olho na composição em 2010, para ficar com DUDU, OMAR e AMAZONINO. A militância, não esteve nem ai, votou em Serafim sim, apesar dos Oh My Darling Marcos Barros e Jorge Guimarães não terem apoiado o engravatador de Amazonino, Praciano. Para João Pedro, claro, é importante ganhar prefeituras no interior, mas o partido não evoluir na capital desde sua fundação até hoje é pura falta de inteligência, disposição, trabalho, formação de quadros. Os vereadores na Câmara não passam de dois. Até parece a cota do PT. Olha, para vocês, só dois. O restante deixem para os “jornalistas” miserabilistas(estou indevidamente me apropriando de termo criado por vocês). Daqui a quatro anos haverá novamente eleições para vereadores e prefeito, quero ver o que o Partido vai desenvolver em termos de atividades para mudar esse quadro. Será que vai continuar sua apequenação como seu Presidente regional Sinesinho. Cresce homem. Se não dá no tamanho, mas na inteligência. Abandona os abutres ou abutrarás na lama.

  2. Companheiro Anônimo,
    você não tem nada de anônimo, você é participante da Inteligência Coletiva, de onde este bloguinho extrai acontecimentos e saques, lá de onde até Sinezinho, Nininho, Dirceuzinho (o amigo do Daniel Dantas) não podem fugir, tem de dar sua contribuição, mesmo que seja através de corrupções. A partir daí nós, partindo de entendimentos como o seu, Anônimo, como você, famos fazendo a descodificação. Por tudo isso, você nos é nominável e é bom termos nos encontrado por aqui, por aí…
    Valeu!

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