FESTIVAL INTERNACIONAL DE CINEMA POBRE DE GIBARA CELEBRA 20 ANOS DE RESISTÊNCIA CULTURAL EM CUBA

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‘CONTINUAR SONHANDO’

Evento celebra cinema independente, comunidades locais e debates sobre cultura em meio à crise energética cubana

Abertura do Festival Internacional de Cinema Pobre de Gibar | Crédito: Festival Internacional de Cinema Pobre de Gibar

Em meio à asfixia energética, aos constantes apagões e às dificuldades que Cuba enfrenta, as telas de cinema se acenderam para celebrar a vigésima edição do Festival Internacional de Cinema Pobre de Gibara (FICGIBARA). Realizado de 14 a 18 de julho, o festival encerra sua programação neste sábado.

Trata-se de um dos festivais de cinema independente mais importantes do continente e o único de seu tipo, pela participação das comunidades locais na organização e nas exibições do evento. A inauguração ocorreu na terça-feira (14), com um desfile de abertura que reuniu centenas de moradores na cidade de Gibara, na província de Holguín.

A abertura do festival foi marcada pela exibição de “Neurótica Anónima”, filme cubano dirigido por Mirta Ibarra e Jorge Perugorría. O início das atividades apresentou uma ampla seleção de curtas-metragens de ficção e documentários, em sua maioria cubanos ou realizados em coprodução, que refletem a vitalidade criativa da ilha e seu diálogo com a América Latina. Durante a inauguração, a única obra estrangeira de ficção apresentada foi o curta-metragem brasileiro “Aprendi a chorar”, dirigido por Santiago José Asef.

“É uma alegria enorme poder realizar este festival, um festival tão importante e característico da nossa cultura”, afirmou, em conversa com o Brasil de Fato, Lissy Alonso, estudante de Comunicação.

Alonso destaca que, em um contexto marcado por múltiplas dificuldades, o evento representa um espaço de encontro e esperança.

“O festival é um lugar onde o mais importante está no acesso e no intercâmbio da população com obras que nos lembram que a arte, para ser verdadeira e comovente, não precisa de grandes produções, mas sim da capacidade de nos convidar a sonhar. E é isso que temos que defender em Cuba hoje: a possibilidade de continuar sonhando”.

Além das exibições, esta edição do festival conta também com espaços de reflexão e debate sobre o cinema ibero-americano, as produções independentes e a relação entre cultura e desenvolvimento local nas comunidades.

Como parte da programação, também foi apresentado o livro visual “Gibara, um Manifesto Mágico”, do fotógrafo Casey Stoll, uma obra que propõe um percurso emocionante por um arquivo histórico construído a partir das diferentes edições do festival.

Fundado em 2003 pelo cubano Humberto Solás (emblemático diretor de “Lucía” e “O século das luzes”, entre outros), o Festival Internacional de Cinema Pobre de Gibara nasceu com o propósito de dar visibilidade a longas e curtas-metragens realizados com orçamentos reduzidos, mas com uma sólida proposta artística e um forte compromisso social.

Em 2017, alguns anos após a morte de Solás, o evento foi oficialmente relançado como Festival Internacional de Cinema de Gibara (FICGIBARA) sob a presidência do ator cubano Jorge Perugorría (de “Fresa y Chocolate” e “Guantanamera”).

Ao longo de sua trajetória, o festival manteve uma programação que combina salas de cinema, praças públicas e comunidades locais, aproximando as obras audiovisuais de diferentes espaços da população. Seus prêmios recebem o nome de “Cemi”, em referência aos ídolos da cultura aborígene pré-colombiana da região.

Além das competições de ficção, documentário e roteiros inéditos, o FICGIBARA funciona como um fórum de discussão sobre a distribuição independente, os desafios econômicos do cinema no Sul Global e as novas formas de expressão da linguagem audiovisual. Em sua vigésima edição, o festival reafirma sua vocação como um espaço em que o cinema e a comunidade dialogam, sustentando a ideia de que a criação artística pode permanecer como uma forma de encontro mesmo em cenários adversos.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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