AMAZONINO LEVA… NÃO LEVA… LEVA… NÃO LEVA…
Não é porque realiza eleições que uma cidade é democrática. Hitler foi eleito e era nazista. Bush foi eleito e é fascista. E as eleições podem não ser democráticas tanto em seus mecanismos quanto nos segmentos que cristaliza. Collor foi eleito com corrupção, veiculando falsas notícias sobre Lula com o aval da mídia globolálica direitaça seqüelada. Fernando Henrique foi eleito duas vezes como o “príncipe dos sociólogos” e mostrou todo seu entendimento de classe, fazendo o Brasil quebrar três vezes e mantendo-o sempre na alternância inflação/deflação. Como dizem Deleuze/Guattari, “não é porque um indivíduo fala em nome dos trabalhadores que ele é um trabalhador ou defende posições dessa classe”. Por exemplo, por mais que o PFL tenha mudado o nome para DEM, o povo sabe que ele é um partido de direita, elitista, reacionário.
UM SUICÍDIO ELEITORAL
Se esses fascistas/autoritários/tiranetes, que se sabe de antemão, pelas suas trajetórias, que irão colocar a cidade em decadência, são eleitos pelo voto direto, é preciso analisar que voto é esse. Para a justiça eleitoral, o voto é individual e intransferível. Mas tem diversas formas de transferir o voto, que não é somente através do antigo voto de cabresto ou o uso do voto como moeda de troca por uma bicicleta, uma dentadura, um emprego, qualquer 50 reais para um motoqueiro pegar um título e votar em lugar de outro, principalmente que nestas eleições, mediante a apresentação do título eleitoral, dispensou-se a apresentação de documento com foto. O voto é social, e é interessante que as pessoas que mais gritam “meu voto” são as que mais facilmente o corrompem, elegendo políticos antidemocratas. Os individualistas não alcançam uma verdadeira individuação enquanto singularidade, acabam por formar uma coletividade dura, que faz vibrar uma caixa de ressonância de clichês de imbecilidades microfascistas, carregando e propagando seus pequenos suicídios, que não deixam de se correlacionar com a desintegração da cidade. É fácil perceber sua euforia violenta, arrogante, assim como será fácil perceber sua ressaca depressiva.
VITÓRIA POR WO NO JOGO DO NÃO-JOGAR
A vitória de Amazonino não passa pelo entendimento dos analistas políticos tradicionais. Lembramos quando há dois anos passados um morador da Zona Leste de Manaus dizia que até um poste ganharia de Amazonino devido ao clima de final de festa que se instaurou em torno de seu nome em decorrência das duas derrotas seguidas que ele havia tido. A questão é que os outros candidatos se apresentaram nessa eleição num clima de final de jogo perdido. Não se apresentaram. Praciano, que vinha como uma alternativa democrática, devido principalmente o apequenamento interno do PT Oh!, my darling! (Sinésio apoiando Omar e Marcus Barros, Serafim), ficou no primeiro turno. Enquanto que Serafim parecia nem acreditar que passara ao segundo, daí sua visível conformidade com a derrota. É possível que ainda na noite de ontem ele tenha se encontrado no Calçada Alta para abraçar Amazonino pela vitória. Uma vitória por WO num jogo inexistente. Não há do que se gabar. Amazonino leva, mas não leva…
A CADEIRA VAZIA DO PODER
Jean Baudrillard, o filósofo da simulação, diz que o poder é um lugar vazio, opaco, e dá como demonstração prática disso a eleição de Silvio Berlusconi como primeiro-ministro italiano: “No fundo, tudo se passa como se as massas “cegas” tivessem uma visão mais sutil do que os intelectuais “esclarecidos”: ou seja, a consciência de que o poder é um lugar vazio, corrompido, sem esperança e que se deve colocar nele logicamente homens com o mesmo perfil — vazios, grotescos, histriões, charlatões — encarnando idealmente a situação. Berlusconi, por exemplo…” Por exemplo, Amazonino… Não é à-toa a afirmação (em tom anedótico) de um rapaz no dia anterior à eleição de que votaria em Amazonino para ver se iriam cassá-lo. Para muitos, é apenas uma personagem caricata que eles manipulam para ficar assistindo suas peripécias cômicas-policiais no seu reality show.
Nesse sentido, o telespectador-eleitor já teve/produziu alguns bons capítulos: ainda durante o primeiro turno, foi pedida a impugnação da candidatura de Amazonino devido a uma dívida da campanha passada; mais recentemente durante o último debate televisivo, segundo jornal da cidade, “o advogado da coligação Manaus – Um Futuro Melhor, de Amazonino Mendes, foi ao debate televisivo para evitar que o candidato passasse por constrangimento. O TRE intimaria Amazonino no debate”. O documento não foi entregue, mas ele tem tudo para se juntar a Henrique Oliveira, o vereador eleito com o maior número de votos nesta última eleição em Manaus, que está na iminência de ser cassado pela justiça eleitoral. A qualquer dia, antes ou depois de assumir, mais dia menos dia, mesmo os que votaram em Amazonino ficam no clímax do espetáculo de sua queda sempre iminente, quando poderá talvez escapar alguma centelha democrática. Até lá, brinca-se, numa demonstração que ele nada pode fazer em sua impotência: leva… não leva… leva… não leva… leva… não leva…
respeito o coletivo nao e justo levar