TRIBUTO (SEM HEROICIZAÇÃO) AOS PROFESSORES

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Quero ser um homem que fala com os lábios e a palavra de um deus. Quero criar obras que, desde a madrugada, trabalhem no aumento do dia, obras que alegrem o olhar de um deus à luz do sol.” (Nietzsche)

Professores para quê?”, pergunta o mestre Georges Gusdorf. Ora, professores para analisar as contradições da sociedade, para perceber lucidamente a realidade a que a escola está inserida e os agenciamentos que tangencia, aqueles que entram numa relação dialógica com as experiências dos estudantes, para, a partir da produção de afetos bons fazer da aula um encontro democrático, que aumenta a potência de agir de todos: estudantes, professores, comunidade.

A vocês que fazem um curso dito superior, mas que não entram numa competição hierárquica, que vão de mãos dadas, como convida o poeta; que em seus transcursos se tornaram educadores e sabem que o ato de educar vai além da mera transmissão de informações, passando pela totalidade da existência dos educandos e das suas numa construção plena, autêntica, permanente.

A vocês que sabem que a maioria dos governantes e seus secretários cretinos, com suas reuniões sorrateiras, suas maquiações gráficas, com suas (a)políticas de sucateamento escolar, baixos salários, inexistência de alternativas educacionais, gestões burocráticas, chantagens e tentativas de coação de todas as formas para brecar o educare (latim: “avançar”), mesmo assim estes professores não se fixam na armadilha das condições e não cessam de produzir saberes e dizeres reais constituintes de comunalidades para além das exigências contratuais.

A vocês que, embora diante de todas as seduções/sedições capitalísticas, com suas imagens virtuais na tela total (Baudrillard), querendo anestesiar todos os sentidos, todos os corpos, a fim de tornar a miséria material e imaterial suportável, não caem no autoritarismo/despotismo, no niilismo e na indiferença de apenas cumprir um papel pré-datado, mas se envolvem atuantes no mundo e na possibilidade de criação do Novo em todo o canto, a cada instante.

Sem as costumeiras heroicizações fantasiosas, a vocês que realizam ativamente a possibilidade para o livre transitar dos fluxos vitais no espaço escolar, que passa pela autenticidade de saber e agir, vai o tributo deste bloguinho!

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