COLUNA VERTEBRAL
Se a Vertebral não analisou nada se realizou

# Enquanto O GRITO DOS EXCLUÍDOS não é só uma manifestação Téo-política-social, mas também uma ab-reação, uma liberação da fala coletiva, a enunciação coletiva de um discurso antagônico ao imobilizador o movimento livre de uma garganta antes angustiada, fechada no trauma tirânico; o grito dos incluídos é uma entropia-sonora ou afonia angustiada pela ameaça da fala/enunciação coletiva. Daí que enquanto os excluídos criam vibrações exteriores com seu grito, os incluídos guardam tensões transfiguradas como formas de segurança. Por isso, ex-excluídos, hoje incluídos, se confinam em suas indiferenças-segurança afirmando que as rebeldias passadas eram só sublimações do pavor da liberdade. Segundona/terceirada TDPM – Transtorno Disfórico Pré Menstrual em razão do belíssimo trabalho dos blogueiros intempestivos no GRITO DOS EXCLUÍDOS. Belo motivo para essa Vertebral chegar na terceirona e não na segundona.
# Participantes das Para-Olimpíadas protestaram contra a forma de abertura do evento, muito diferente do das Olimpíadas. Para eles, a abertura, com uma fraca cerimônia, surge como uma forma de discriminação.
Eles têm toda razão: as Para-Olimpíadas deixam um rastro de reparação de culpa social. Uma espécie de enunciação/remorso, ou dívida de reconhecimento: não esquecemos de vocês. Vocês também são capazes, o mundo precisa ver o talento de vocês, e somos nós que estamos nos preocupando. Pobres reativos estes que se consideram os redentores destes atletas considerados Para, os que estão ao lado, nas proximidades, como significa no grego, mas não no meio, onde se encontram os não Para, os ditos normais. Aqueles para quem as medalhas são prêmios de disputas na ordem da normalidade, por tal mais justas. Pobres, visto que não entendem que não existe deficiente, e como diz o filósofo Spinoza: tudo é apenas uma questão de composição. Um corpo poder compor com outro e aumentar sua potência de agir.
Alguém que ficou privado de uma perna deixa de compor com corpos que antes compunha quando tinha as duas. Agora, seu corpo compõe com corpos em formas física-anatômica diferentes, exemplo, o equilíbrio. Compor de forma diferente de outro não é deficiência, já que não existe forma ideal de eficiência. Alguém que é cego não é deficiente porque não enxerga. É apenas alguém cujo corpo-visual não compõe com o corpo-luz. E aí não há nada de inferior em estar-no-mundo ontologicamente.
E só para tirar um sarro dos “normais”, queríamos ver um destes executando os movimentos com a facilidade que os tais para-olímpicos executam. Um exemplo: um nadador “normal” nadar com “eficiência” com uma perna amarrada. Ou outro, um jogador de basquete jogar com “eficiência” em uma cadeira de rodas. Acertar a sesta é fácil, o difícil é compor o corpo-biológico com o corpo-máquina (cadeira), e executar com eficiência os movimentos e realizar o objetivo. Chalaça: há deficiente? Quem é o deficiente? A parada é outra: ambição capitalista. As Olimpíadas são eminentemente um evento com fins lucrativos amparado na estética da normalidade cunhada pela semiótica classificadora do Capitalismo Mundial Integrado (CMI), como fala Guattari. O resto é a ilusão da glória metalizante.
# Enquanto isso, a Madona Indomada oferece Like A Virgin ao Papa. Se os Engenheiros do Havaí ainda estiverem certos, como estavam com o antigo Papa, o Papa Bento, como pop, pode até não desconsiderar a Virgin Madona. Mas isso são questões metafísicas/sensualistas que esta Vertebral não entende.
Vem, vem, vem de Rock!
Eu sou é Pop!
Beijos e abraços Vertebrais!