.DOS QUE SÃO CONTRA OS BIOCOMBUSTÍVEIS E A FAVOR DA FOME.

Cientistas e assessores dos governos britânico e francês afirmaram neste mês que o incentivo brasileiro à produção de biocombustíveis pode desequilibrar as negociações dos blocos europeus, devido à queda dos impostos e ao favorecimento de empresas brasileiras, e ameaçar a produção mundial de alimentos. ONG’s reforçam essa declaração, fazendo relatórios e preparando o terreno para de outras formas tentar combater as diversas medidas do governo brasileiro em juntar o combate à fome ao desenvolvimento econômico, desconhecido até então.

A alta dos preços dos alimentos impactou principalmente a América Latina e o Caribe, dizem os jornais de grande circulação. Repare que até o meio do ano passado os causadores desse aumento foram cotados como o aumento da temperatura mundial e o processo de desertificação. Os principais prejudicados seriam os países da África, América Latina e Ásia. Segundo dados de pesquisas britânicas (cujo rigor científico que os próprios europeus impõem é questionável), daqui a 20 anos a comida será escassa devido ao aumento da população mundial. O aumento da demanda já está acontecendo e os milhões de famintos da população brasileira modificam sua condição existencial. O que não se discute é o fato de o mercado se aproveitar de especulações e relatórios publicados prevendo “catástrofes” na Amazônia e no mundo desde o ano passado, que propiciaram alarmes em vários setores mundiais, e o possível aumento de 40% em média dos produtos básicos de consumo. O aumento no preço dos alimentos está relacionado às barreiras alfandegárias e subsídios que os países europeus e os Estados Unidos concedem aos agricultores, tornando os produtos europeus e norte-americanos mais competitivos, causando prejuízo nos países pobres.

Ao londo dos últimos oito anos a situação se modifica. O Brasil não é mais um país miserável e tão insignificante. Agora é uma ameaça, seja à economia francesa, norte-americana e aos grandes países que por muito tempo saquearam o quanto puderam. Agora que o brasileiro acrescentou mais itens na sua cesta básica, o mercado não foi capaz de suprir as necessidades dessas transformações, pois “o mundo não está preparado para ver milhões de africanos, asiáticos e brasileiros comerem três vezes ao dia”, reforçou Lula num discurso em Brasília. O relatório divulgado na Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad) mostra que a diferença entre os países ricos e pobres está diminuindo, passou da proporção de 20 para 1 em 1990 a 16 para 1 em 2006.

A atual “crise” que se acredita acontecer por causa do crescimento de países como o Brasil ameaça a hegemonia dos países ricos, como por exemplo a França, onde a preocupação número um da população é o aumento do poder aquisitivo, prometido por Sarko. A tentativa de categorizar a produção brasileira de biocombustível como principal causa da fome mundial atesta que as mudanças e o desenvolvimento que vêm ocorrendo na América do Sul, diferente de como o bloco europeu atuou durante muito tempo, não são bem vindas pelos países ricos. Possivelmente porque o governo brasileiro e iniciativas dos países sul-americanos demonstram que não é preciso impor uma política esmagadora e imperialista para se desenvolver.

Ao que tudo parece, tem muita gente contra os biocombustíveis, assim como muita gente a favor da fome. Ao que tudo indica são os mesmos.

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