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UM BREVE PASSEIO PELA CÂMARA DOS VEREADORES

Um professor da Universidade do Amazonas, em acalorada discussão, disse que prefere a pior democracia à ditadura. O sábio professor não suspeita que a pior democracia já é ditadura. Aí a dissimulação democrática. A herança histórica do conceito social de democracia representativa construído no século XIX. Qualquer cidadão de maioridade pode candidatar-se a um cargo legislativo e executivo. Nada sobre os corpos afecto/cognição como potências sociais constituidores da democracia. Saberes de filósofos como Epicuro, Lucrécio, Spinoza, Maquiavel, Marx, entre poucos.

Distante do consenso produtivo social, que produz o Bem Comum, várias democracias representativas se espalharam pelo mundo sem qualquer devir comunalidade em forma de pequenas tiranias ou, como não atentou o professor, pequenas ditaduras. Assim, dependendo das experiências individuais/sociais/culturais de cada parlamentar ou governante, a democracia regional é tida como a ideal. Então, o que é tirania da ignorância é apresentado como democracia representativa, o exercício da liberdade política.

Em Manaus, a Câmara dos vereadores constantemente nos presenteia com este tipo de democracia. Além da atávica posição de subordinada a qualquer prefeito da vez, mostra sua redução intelectual e ética, em figura de deboche. O escárnio contra o voto democrático. A figuração que o eleitor não pretende a seu voto.

Em sessão da Câmara de hoje, o vereador Jorge Maia tentou justiçar notícia jornalística que desabona seu ato de estar vendendo peixe mais barato em local próximo de uma feira. Em tempo de eleição, é provável que se trata mais de campanha eleitoral do que preocupação com a alimentação da população desta área. Depois de sua exposição defensiva, o vereador Roberto Sabino aparteou-o, defendendo como um homem de bem trabalhador, honesto, e que seu ato incomodou os concorrentes, e sugeriu que colocasse sua banca na frente da Câmara Municipal para que os próprios vereadores comprassem seu peixe mais barato. Na festiva parlamentaridade da ordem do deboche, encerrando a sessão, o presidente da Câmara, Leonel Feitosa, informou ter recebido um telefonema do vereador Brás Silva, afirmando que o mesmo havia conseguido uma autorização com o órgão administrador das feiras e mercados para Jorge Maia colocar sua banca próximo da sede da Câmara.

É nessa ordem do deboche, corpo desprezível democrático, que a maioria destes vereadores falam em ética democrática; além de se tomarem como modelos para o exercício político legislativo em Manaus, a ponto de apresentarem o projeto “O Pequeno Parlamentar”. Dada a atuação destes parlamentares, um blefe democrático da tirania da ignorância.

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