CLINÂMEN

___ oblíquas variações infinitas dos corpos ___

_____________Passos. Passos. Passos. Cruzes cruzadas nas encruzilhadas sobre o vértice do vórtice.       “…foi por eles próprios, espontaneamente, batendo ao acaso, que os elementos, depois de se terem unido de mil modos, mas em vão e inutilmente, formaram por fim as bases de que sairiam os princípios das grandes coisas, da terra, do mar, do céu, das espécies de seres vivos (Lucrécio)”.         O filósofo alemão Hegel diz que por trás da cortina não há nada. O filósofo francês, Clément Rosset, apoiado na teoria do acaso do filósofo Lucrécio, afirma que as coisas não possuem natureza providenciária. O filósofo Marx assevera nada se repetir na história, a não ser como farsa, portanto, não se repete. Que o jornalista Heitor Cony não tenha lido Lucrécio e Rosset é provável. Entretanto, se se dizia socialista, infere-se, então, que leu Marx. Porque, Santíssima Trindade, ele faz prognósticos tenebrosos sobre a recessão americana como ameaçadora ao governo Lula, chegando a comparar a catástrofe atual com a de 1930, que levou ao clamor militar as orlas de Getúlio Vargas?     “Olha, a segunda vez que eu vim aqui não foi mais para me distrair, eu senti saudades de você. Eu vou tirar você deste lugar, eu vou levar você para ficar comigo…” (Odair José)      ______               __ _ ________Para os estóicos, a filosofia é um ovo: a Lógica, a casca; a Moral, a clara e a Física, a gema. Difícil é pô-lo.      “Regar o jardim, para animar o verde” (Brecht)!…        Se ele ao menos desse um sinal que voltaria, eu saberia que o amava.      A dor da saudade não é lembrar algo distante, é ter que se esforçar para ter saudade.      Como seria o mundo se não houvesse Raimundo? Ele ainda seria mundo?         “Dar água às plantas sedentas! Dê mais que o bastane” (Brecht).    Se o Clinâmen é a declinação que movimenta a vida, porque os “políticos”, tão declinantes, são imóveis?      “E não esqueça os arbustos, também os sem frutos, os exaustos e avaros” (Brecht)!     Em Londres, Don Dieguito DeuzMaradona, afirmou que se não fosse o uso da química poeirenta, teria sido três vezes superior a Pelé. No movimento não há comparação: cada corpo é um corpo. Daí que nenhum homem pode ser referência para outro. A não ser na corrupção da vida: o capitalismo. Aí, tem Pelé.          “Linda como um cavalo cavalgando ao luar” (Chico Maranhão)      Estavam ali sentados olhando pedras rolar. E rolavam, rolavam, rolavam… mas eles não viam o vento.       “E não negligencie as ervas entre as flores, que também têm sede” (Brecht).            Ela cantava: “Capineiro do meu pai, não me corte os cabelos que minha mãe me penteava e minha madrasta enterrou, pelo figo da figueira que o passarinho bicou”, mas o pai nada ouvia preocupado que estava com a filha da madrasta que ia nascer com belos cabelos para outra madrasta enterrar.       “Verde que te quero verde. Verde vento. Verdes ramas. O barco em cima do mar e o cavalo na montanha” (Lorca)          Há homens cuja infância, adolescência e juventude se resume em compulsiva aventura de sabotar a velhice. Fazem-se velhacos. Chico Anísio, o intelectual do humor da classe média, sem nenhuma nesga de pudor, dada a sua sabotagem ontológica, no amargor de sua velhice, se afoga na baba invejosa tentando colocar Lula como mote de suas facécias. Pobre sabotador!  Inglória tentativa de um ocaso deprimente. Um ser sabotado não chegou à lucidez  da comunhão. Lula é a lucidez da comunhão entre os homens. Daí Lula tecer fio por fio de amor a velhice que virar. Daí a sabotagem não sabotar Lula!                   Havia naquela mulher um fogo. Um desejo incontrolável. Seu homem se afastou. Não havia notícia. Ela então transmutou-se em esfinge: mulher-cadela, pássaro, leão… subiu ao muro de sua cidade e desafiou os viajantes a decifrar seu enigma. Aconteceu de um viajante, carregando seu fardo de reparação, parar diante do “Decifra-me ou te devoro”. Sabedor de que alguém seria devorado, decifrou. E assim instalou a Tragédia da Aparência.     ____________Dizem que Van Gogh sofria de zumbido labiríntico, por este incômodo cortou a orelha. Andando por São Paulo quase não encontramos ninguém sem orelhas.              “…há doenças propriamente filosóficas. O idealismo é a doença congênita da filosofia platônica e, com seu cortejo de ascensões e de quedas, a forma maníaco-depressiva da própria filosofia. A mania inspira e guia Platão” (Deleuze).          Só se possui o que está expropriado. Ele não sabia. Penetrou-a, e ela nada disse.        “O vovô ia a cavalo para visitar vovó. E o papai de bicicleta para ver mamãe, ora vejam só. Hoje tudo está mudado, mudou tudo sem senhor”. Hoje tenho a internet para computar um grande amor.        Sobra hipocrisia nas instituições financeiras, que, enquanto se dizem investidoras na proteção da Amazônia, financiam empresas responsáveis por sua devastação. Síndrome de Janus.   “Nem molhe apenas a relva fresca ou somente a ressecada: Refresque também o solo nu” (Brecht; Regar o Jardim).

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