UM OLHAR DE OLIVER STONE PARA EMMANUEL
O cineasta novaiorquino Oliver Stone, em entrevista publicada no domingo, no jornal inglês The Observer, fala sobre sua experiência como observador durante o episódio dos reféns envolvendo o presidente Hugo Chávez, as FARC e o governo marionete de Uribe. Embora a direita, em todas as suas expressões, tenha se regozijado com o “fracasso” das negociações – sem no entanto expor de forma honesta os motivos deste fracasso – Stone, diretor conhecido por seus filmes contestadores, dentre eles Platoon (1986), Verdades que Matam (1988), Nascido em 4 de Julho (1989), JFK – A Pergunta que Não Quer Calar (1991), Assassinos por Natureza (1994) e Procurando Fidel (2004), dentre outros, falou sobre o que viu e sobre suas posições em relação à política internacional e a visão dos EUA sobre a América Latina.
Sobre Chávez:
“Um homem honrado e forte”, (…) que tentou de tudo para conseguir lograr sucesso, mas não podia fazê-lo sozinho”.
[O objetivo de Chávez era] “quebrar o gelo na guerra entre o Estado e a guerrilha colombiana”.
Sobre o governo de Uribe e a subjetividade na Colômbia:
“A Colômbia não quis que acontecesse, e houveram forças externas”.
“Transborda de equipes militares e tecnologias de origem estadunidense, e existe só para as FARC. E eles sabem. São muito paranóicos, e tem todo o direito de se sentir assim. Todos os colombianos com quem falei têm medo dos militares de um ou outro lado. Estes [os do governo] são os mais perigosos, não as FARC”.
“Escutei de duas fontes diferentes neste dia [sábado] que Uribe havia telefonado a Bush na véspera ou no mesmo dia. O telefonema a Bush é significativo”.
“Ela [as FARC] são um exército camponês, um exército tipo Zapata”.
Sobre a posição norte-americana:
(…) “Vergonha para Colômbia, vergonha para Uribe! Mas ao mesmo tempo, queria dizer: vergonha para Bush. Creio que Bush tem uma atitude de despeito para com Chávez, como ocorre em todo o stablishment estadunidense. Querem que Chávez fracasse”.
“Parecem tratá-la [a América Latina] como a seu quintal. As pessoas fazem todo tipo de coisa com o seu quintal. Acumulam lixo, mijam, deixam crescer as ervas daninhas, fazem o que lhes vêm à cabeça”.