XI JINPING DISSE PARA LULA QUE A CHINA SE OPÕE À INTERFERÊNCIA EXTERNA NO BRASIL

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SUL GLOBAL

Telefonema ocorre dois dias após Itamaraty barrar emissários de Trump enviados para questionar eleições brasileiras

Presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva junto ao presidente chinês Xi Jinping após reunião no Palácio da Alvorada, em Brasília, em 20 de novembro de 2024. | Crédito: EVARISTO SA / AFP

Xi Jinping disse a Lula que a China apoia o Brasil na defesa de sua soberania e independência e se opõe à interferência externa no país, durante conversa telefônica de mais de uma hora realizada na noite de domingo (26).

A declaração ocorre em um contexto em que o governo dos Estados Unidos intensifica a ingerência sobre o Brasil. Na última sexta-feira (24), o Itamaraty negou vistos a dois funcionários do Departamento de Estado dos EUA que planejavam questionar a integridade do sistema eleitoral brasileiro antes do primeiro turno de outubro, segundo o Washington Post. No sábado (25), o presidente argentino Javier Milei (um dos principais aliados de Trump na região), atacou Lula e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes durante a convenção do PL em São Paulo.

O presidente chinês afirmou que Pequim “atribui grande importância ao status internacional e à influência do Brasil.” Xi avaliou ainda que, nos últimos anos, a articulação das estratégias de desenvolvimento dos dois países “registraram avanços positivos” injetaram “estabilidade valiosa numa conjuntura internacional turbulenta”.

Xi reiterou a disposição de “fortalecer a coordenação estratégica bilateral e multilateral” para manter o impulso positivo da construção da comunidade de futuro compartilhado.

Cooperação bilateral

Os dois presidentes reiteraram o compromisso de ampliar a parceria em inteligência artificial, satélites, beneficiamento de minerais críticos e comércio de fertilizantes, segundo nota do Ministério das Relações Exteriores brasileiro. Lula destacou que o governo mantém o compromisso com a diversificação de mercados e parceiros comerciais. Os dois líderes também concordaram sobre a necessidade de acelerar as negociações para um acordo Mercosul-China “que contemple as necessárias flexibilidades”.

Segundo o resumo do lado chinês, Lula manifestou interesse em atrair mais investimentos chineses para o país. O presidente destacou a visão de Xi de uma cooperação internacional em IA “aberta e inclusiva” e parabenizou a China pela realização da Conferência Mundial de Inteligência Artificial de 2026.

O Ano Cultural Brasil-China, iniciativa em curso nos dois países neste ano, foi mencionado pelos dois líderes como um dos fatores que vêm aprofundando as bases de amizade entre os povos. O acordo de isenção de vistos de curta duração, também destacado em ambos os comunicados, deve, segundo o governo brasileiro, “ampliar o fluxo de turistas e as oportunidades de negócio.”

Oriente Médio e Ucrânia

Xi e Lula lamentaram a proliferação de conflitos e seus efeitos sobre a segurança alimentar e energética global. Sobre o Oriente Médio, concordaram que as restrições à livre navegação nos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb “têm efeitos nefastos sobre a economia mundial” e expressaram “profunda preocupação” com a continuidade da situação humanitária em Gaza, segundo a nota brasileira.

Quanto à Ucrânia, os dois presidentes concordaram que o Grupo de Amigos da Paz pode desempenhar um papel relevante na retomada das negociações para o fim do conflito. Ambos criticaram a incapacidade do Conselho de Segurança das Nações Unidas de responder adequadamente às crises em curso e observaram que o próximo ou a próxima secretária-geral da ONU enfrentará um cenário internacional “particularmente desafiador”.

Brics e Sul Global

Xi afirmou que China e Brasil, como membros importantes do Sul Global, devem “estar firmemente no lado certo da história e do progresso civilizacional” para desempenhar um papel mais construtivo “na reforma e aperfeiçoamento do sistema de governança global e na defesa da justiça e equidade internacionais.” O presidente chinês defendeu que os dois países trabalhem juntos pelo desenvolvimento de alta qualidade da “cooperação ampliada do Brics”.

Lula afirmou, segundo o lado chinês, que o Brasil está disposto a defender firmemente o multilateralismo, que se opõe à “política de força” e insiste na resolução de questões sensíveis da agenda internacional por meio do diálogo e da consulta. Os dois líderes reiteraram o compromisso de manter estreita coordenação multilateral na ONU, no Brics e em outros fóruns.

Diálogo contínuo

O telefonema desta semana é o primeiro entre os dois líderes desde janeiro deste ano. Naquela conversa, Lula reafirmou que Brasil e China são “forças importantes na defesa do multilateralismo e na adesão ao livre comércio” e que o país está disposto a trabalhar em estreita colaboração com a China “para salvaguardar a autoridade das Nações Unidas, fortalecer a cooperação dos países Brics e manter a paz e a estabilidade regionais e globais”, segundo comunicado do governo chinês à época.

Editado por: Redação

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