Se a Vertebral não analisou nada se realizou

Coluna Vertebral

# Pessoal, o sucesso da coluna domingueira das religiões afro, Candomblé e Umbanda, neste bloguinho foi tanta que contaminou até o mundo do futebol: o Corinthians, para se livrar do rebaixamento, acabou de contratar um pai-de-santo. Larô Exu!

# Agora futebolisticamente falando, pior foram os brasileiros botafoguenses. Enquanto os argentinos desfilam o futebol gay campeão do mundo, os machinhos hoministas do time da estrela solitária jogaram pipoca e calcinhas nos jogadores que perderam a classificação para a Sulamericana contra o River Plate. Égua, mas se justamente as mulheres – ô gentinha pra ter medo do buraco quente – foram as que deram show na China e só não paparam o título, mas até inventaram drible. Fico aqui tentando imaginar: se fosse na seleção feminina, Marta, Cristiane, Formiga e companhia, esses enrustidos jogariam o quê?

# Ah, encontrei a Vanzelina ali perto do Bar da Vica, e ela tava soltando espuma pela boca de raiva. Não é que levaram uma amiga dela que é anã a um desses programas de colunismo social na TV a cabo, com o firme e inequívoco propósito de escarnecer da garota! O colunista, que tá mais pra calunista, além de copiar a estética da exploração da diferença que o Chacrinha já fazia na globotária, ainda copia a pedagogia do Sílvio Santos, fazendo perguntas idiotas para expor a convidada ao ridículo das respostas prontas. Expliquei pra ela que isso é típico do preconceito estético burguês, que tem uma percepção limitada do mundo. Coisa de televisão retardada mesmo… E onde é que está o presidente do sindicato quando a gente precisa?

# O local da cena era o interior do Farol de Alexandria. No centro, bem pousado em um trono de cinco metros, vestido em traje majestoso, Fernando Henrique. Distribuídos pelo palco jornalistas, correligionários e o povo.

Elementos cênicos, computadores,aparelhos telefônicos, fios, aparelhos de escuta, mala preta, etc.

AZEREDO (Entrando sério, olha para todos, depois aponta para FH) – “Acho injusto ser penalizado por uma prática que é própria da política. Parte dos custos (da campanha de FH) foram bancados pela sua campanha (dele, Azeredo)”.

ARTHUR NETO (Entrando esbaforido, se coloca entre o senador e o Alexandre tupiniquim e, fazendo mesuras e súdito, grita) – “O senador não poderia ter dito isso. Está me obrigando a responder algo surrealista. Envolver o presidente neste episódio é o mesmo que envolver o Bush”.

MARCONI PERILLO (Caminhando de um lado para o outro, entre Arthur e Azeredo) – O presidente FHC e o PSDB nacional não tem nada a ver com isso”.

TASSO JEREISSATI (Subindo os degraus do trono, ficando um metro a baixo, faz sinal da cruz e profere) – Um homem honesto saiu falando o que veio à cabeça. Quem é honesto fica transtornado num momento desses”.

SERRA (Deitado embaixo do trono, balbucia) – “Azeredo é um homem íntegro, honesto, um grande caráter. Todos os candidatos que apoiaram o presidente FHC também fizeram campanha, como fizeram a minha em 2002”.

O POVO (Pergunta, sorrindo) – O que é surrealismo? O que é transtornado? O que é honesto? O que é caráter? O que é nacional?

JORNALISTAS (Tentam livrar a trupe fernandista da parlapatife, e dão respostas tresloucadas) – É… É… É… Sul é a região mais inteligente do Brasil: votou contra Lula. Honesto é o descendente do deus indiano, Om. Caráter é o complemento do corpo em sua parte anatômica superior. Transtornado é um navio que foi ao fundo pela força de um tornado. Nacional é todo o Brasil, com exceção Minas Gerais (FH, grita de alegria e o resto da trupe bate palmas e dá cambalhotas, faz piruetas nas pontinhas dos pés. Azeredo, deslocado a direita, sente seu azedo de A a Z. Chega o tempo das eleições, o povo vota e a trupe, derrotada, volta para idade média para se apresentar nas feiras, mas é expulsa por falta de talento).

Esta foi a peça que as meninas e os meninos resolveram encenar ontem lá no sítio da Fidedigna. Uma loucura! Aproveitaram o tema do mensalão do PSDB e mandaram ver. Disseram que era para testar seus talentos de atores e atrizes do tempo do teatro universitário. Olha o título da peça: Os Estreitos PsdBelhos. Segundo a opinião dos presentes, as melhores interpretações foram todas. Com ressalva para o ator que interpretou Arthur que fez tudo para fazer um Arthur abominável, mas só causou risos. É possível ter TDPM – Transtorno Disfórico Pré Menstrual, segundona? Claro que não. Mas para mim, o grande toque desta encenação foi o uso da técnica do distanciamento brechetiano que fez com que as próprias palavras ditas pelos membros do PSDB, aparecessem para público como revelação do que eles querem ocultar da opinião pública brasileira. Beijos, meus lindo! Precisamos de outras encenações como estas.

           Não cansei do Rock!

                      Que o teatro me provoque

                                  Dando sempre este enfoque

                                           De um Brasil que não se enrosque.

Beijos e abraços Vertebral!

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