PARA QUEM ALFREDINHO VAI DAR A SUA MEDALHA?

Quando a política não se dá pelo enaltecimento das potências democráticas, não existem alianças para auxiliar na construção da cidadania, que vai desde o estabelecimento dos serviços públicos indispensáveis à população até as concepções incorporais criadoras de sentidos existenciais autênticos. Quando não existe política, tudo que existe aí são forças que simulam aproximações para melhor diminuir a capacidade de escolha dessa população, que será conduzida numa falsa disputa entre iguais através do jogo-do-não-jogar. Por isso em Manaus, nestas últimas semanas, tantos outdoors em homenagem a Alfredo, tanto de politicogastros-familiares seus quanto de declarados inimigos de outras eleições-espetáculos.

Mas Alfredo não sabe que toda homenagem (mais ainda neste meio) é uma tentativa de reduzir e se apossar do outro para melhor utilizá-lo em proveito próprio; por isso toda homenagem é sempre para denegrir o homenageado.

Portanto, enquanto vão-se desfilando as caras e bocas de afetos forjados e inexistentes, a população vai, através do entendimento comunitário, compreendendo que as mudanças na massacrante realidade objetiva se dá através da construção de novas relações que sirvam para criar fissuras no estado de coisas constituído e ativando a coletividade democrática, muito distante das bajulações interesseiras. Nesta premiação, o que interessa para os homenageadores, principalmente os prefeituráveis e seus grupelhos, não é dar a medalha para o campeão, mas com quem ele posará pra a fotografia…

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