Início, meio e… Desde quando se iniciaram as acusações contra Renan Calheiros (PMDB), grande parte dos senadores não estava a fim de esfriar a batata, por isso exigiam a renúncia imediata de Renan. Como não tiraram a batata do fogo dos histerismos verborrágicos, ela continua quente. E agora foi Arthur ‘nosso orgulho’ Neto (PSDB) quem pediu a prorrogação da votação, como uma manobra da a-posição para desligar a negociação de uma inocentação de Renan com a CPMF. Será que é este mesmo o motivo? Não seria receio? E não eram eles que tanta pressa tinham? Renan continua sem ser cassado e sem renunciar. Os senadores continuam na esperança; mas se sabe que esperança é a interface do medo. E se Renan não disser The End? Neste caso, só resta aos senadores a existência em sursis, só na espera de suas passividades, enquanto a população ouve a análise do cancioneiro popular na voz de Waldick Soriano, que já foi postada aqui neste bloguinho intempestivo quando do início das acusações, e que agora postamos novamente…

WALDICK SORIANO, O SENADO E RENAN

Estes tempos lulistas nos mostram, através do poder judiciário, duas realidades que eram mantidas ocultas: a corrupção em instâncias sociais variadas e as trapaças do corpo parlamentar. A primeira realidade fica diretamente por conta do poder jurídico. A segunda, por conta dos próprios parlamentares. Enquanto na primeira a ação judicial oferece à população maior crença quanto à realização da justiça, e, conseqüentemente, o fortalecimento da democracia; na segunda, as relações escusas que caracterizam a subjetividade histórica do parlamento fortalecem a desconfiança da população. Ela vê e discerne este comprometimento de uma grande parte de agentes parlamentares, carregando consigo o todo do parlamento. Mesmo sabendo da existência de insignes representantes democratas. É a força de contágio bíblico: “Dize-me com quem andas, que te direi quem tu és”. Por tantos exemplos desonestos apresentados no parlamento, ela tende a acreditar nos arranjos dos pares. As acusações, os pedidos de afastamento e renúncia do presidente maior, Renan Calheiros, leva-a a acreditar no ídolo cantante Waldick Soriano. Ela comparou e encontrou semelhança no texto dos congressistas com o texto do ídolo dos cabarés. Reconheceu o déjà vú político na “Carta” do baiano, e canta como premonição atualizada:

        “Renunciar seria a solução
          Mas não apagaria de nossas almas
          Cruel paixão
          Espero que um dia
          Tudo se decida
          E a quem ama não seja negado
          O direito de ser amado.”

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