SEDUC APLICA O MÉTODO ‘APROVAÇÃO 100%, EDUCAÇÃO 0%’

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Não é de agora que o Bloguinho Intempestivo vem mostrando que a administração do governador Eduardo ‘Guerreiro de Sempre’ Braga se pauta menos pela democracia no plano da socialidade do que ao marketing do vazio no plano do hiper-corpo político.

No plano da educação, onde o Amazonas amarga as últimas colocações nos índices de qualificação, vez por outra o governo noticia alguma vitória, alguma conquista, como se a mesma fosse resultado da metodologia revolucionária que este implanta na rede pública de ensino fundamental (6a à 9a).

Mas a realidade que se encontra nas escolas, pelos partícipes desta instituição, passa longe do marketing audio-tele-escrito.

Esta semana este Bloguinho Intempestivo apurou, através de fontes intempestivas, que em duas escolas estaduais, uma na zona Norte (Cidade Nova II), outra na central (bairro Centro), professores estão sendo obrigados a adulterar notas de alunos dos primeiro e segundo bimestre do ano, a fim de que as escolas possam alcançar o índice mínimo de aprovação. A ordem é aprovar a todo custo.

Como se este fora um referencial de produtividade, estes professores tem sua permanência na escola condicionadas à prática ilegal e anti-educacional. Se o professor é concursado, tem estabilidade, então a ameaça é de remoção para outra escola, num bairro distante de sua casa. Quando o caso é de professor contratado, a ameaça ocorre “ao inverso”: se ele seguir todas as orientações dos distritos, seu contrato será automaticamente renovado.

O mesmo deve estar ocorrendo em outras escolas.

A prática da instituição educacional do governo do Estado está mais para ensignação do que para educação. Uma ensignação que procura eliminar toda e qualquer possibilidade de produção autônoma por parte de alunos e professores. Daí, ser um sistema de alunos e professores, não de estudantes e educadores. Que entende os jovens, adultos e velhos que frequentam a escola não como individuações, processuais de singularização, mas como indivíduos padronizados, números, estatísticas. Um conteúdo programático distanciado anos-luz das relações sociais em que os alunos estão envolvidos, professores massacrados pelas relações de exploração do trabalho e do sub-emprego (embora muitos compactuem com esta subjetividade violentadora), e uma metodologia que privilegia o automatismo e a hierarquia do subalternismo. Por isso não interessa ao governo realizar o esperado – pelos professores – concurso público.

Enquanto oculta o medonho (des)educacional, que transborda na violência social e na estupidez, que é produto da repressão e da ignorância, o governo maqueia o defunto, seja através dos índices estatísticos, seja pelo simulacro do real pela máquina que engole o homem. Engôdo que o filósofo Michel Serres, com suavidade, desfaz, ao afirmar que “o saber é função da raridade” – o pensamento, não a imagem, clichê ressoado pela recognição cotidiana praticada nas escolas.

Mas enganam-se o governador ‘guerreiro’ e o filósofo da Betânia, Gedeão, secretário de educação, quando crêem que a fonte única e intransferível do saber é a escola. Fora dela, os estudantes se fazem estudantes no mundo, nas relações, no amor, no fazer comunitário e na importância da sua práxis. Lula, que só tem o diploma de presidente do Brasil, que o diga.

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