AOS PRESENTES À SEMANA DE NÃO-EDUCAÇÃO DO AMAZONAS
Educação [educare] é um processual contínuo que envolve elementos corporais e incorporais, potencializando a formação subjetiva das pessoas/estudantes a partir de experiências/encontros alegres que aumentem a potência de agir dos corpos para que não sejam levados no vendaval das paixões tristes forjadas por causas exteriores, mas, ao contrário, para que vivenciem a realidade de forma autêntica e a governem como causa de si mesmo.
Sem essa compreensão, resta a falseação do conceito de educação, baseada na burocracia e na arquitetônica, como há muito vem ocorrendo no Amazonas, dos secretários de educação à grande parte dos professores. Ambas operando mal e parcamente apenas para manter uma imagem em planilhas e montagens fotográficas. Enquanto isso, tanto no município quanto no estado, transparecem as práticas totalmente distanciadas dos falhos discursos.
E são justamente os criadores dessa realidade opressiva, e que continuam fortalecendo-a, que vem agora realizar uma Semana da Educação no Amazonas. Senão vejamos:
Uma das organizadoras é a dep. estadual Terezinha Ruiz (DEM-PFL), que foi Subsecretária (1995 a 2002) e Secretária de Educação (2002 a 2004) do município de Manaus, sempre estando próxima de pessoas como José Melo, Vera Edwards, seguindo a linha de um grupo que vê na educação apenas um filão eleitoreiro e sobre o qual pesam, inclusive, inúmeras denúncias de corrupção.
Pelo sucateamento das escolas estaduais hoje, pelo entendimento didático-pedagógico presente nas escolas cotidianamente, o que o Secretário Estadual de Educação, Gideão Amorim, poderá dizer de novo? Que mudanças pode apresentar? Seus números e prognósticos irão prontos e soarão fáceis, mas a realidade a população sabe que difere totalmente da retórica.
Até o ex-governador Amazonino Mendes, na condição de criador da UEA (Universidade Estadual do Amazonas), será um dos palestrantes, confirmando que a pedagogia dos projetos megalomaníacos continuam sendo vistos com louvores no Amazonas. Por isso que, embora as sucessivas derrotas eleitorais, o governador sabe que perdeu para iguais, e que seu “jeito” de governar continua atualíssimo.
E ainda tem Jefferson Péres, senador que ano passado defendeu a didática da palmada por pais na educação dos filhos. Indo de uma só vez contra as leis de proteção aos menores e adolescentes e atrapalhando o trabalho dos educadores que tentam alterar o tipo de relação que os adultos mantém com as crianças, seja em casa, seja na escola.
Como Terezinha Ruiz é organizadora, talvez pelo fato de ser partidariamente adversária do prefeito, só vai faltar o Secretário Cyrino, da SEMED, o qual poderia até aproveitar para demonstrar como conseguiu seguir tão bem o trabalho deixada pela atual deputada, ele que a sucedeu na pasta, e hoje vem envolvido em seguidas denúncias, como o caso do “frango invertebrado”, de desvio de verba da merenda escolar, e ultimamente tenta se esquivar do caso das “escolas escoladas”.
A Semana da Educação, portanto, não ocorrerá no Amazonas, primeiro porque educação é movimento intensivo, não estando preso a categorizações temporais e espaciais abstratas. Segundo porque não se limita o educare com uso deste conceito esvaziado de qualquer significação prática. A única coisa que pode ocorrer aí é a demonstração ordinária de tudo que NÂO é educação.