Os militares pertencem a dois batalhões de infantaria da 11ª Divisão Aerotransportada, sediada no Alasca e especializada em operações em ambientes de clima frio. Segundo autoridades de defesa, as tropas foram colocadas em alerta como parte de um “planejamento prudente”, caso o cenário de violência se agrave.
Ainda não há decisão sobre o envio efetivo das forças ao estado. As informações foram divulgadas sob condição de anonimato por envolverem planejamento militar sensível. Em nota, a Casa Branca afirmou que é rotineiro o Pentágono se preparar para “qualquer decisão que o presidente possa ou não tomar”. O Departamento de Defesa não comentou o caso.
A medida ocorre após Trump ameaçar, na quinta-feira (15), invocar a Lei da Insurreição, dispositivo de 1807 que permite o emprego das Forças Armadas em território americano, caso as autoridades estaduais não impeçam ataques a agentes de imigração durante os protestos em Minnesota.
As manifestações se intensificaram depois que agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE) mataram a tiros Renee Nicole Good, uma cidadã americana de 37 anos, que passava de carro nas proximidades de um protesto contra a atuação do órgão. Em publicação na rede Truth Social, Trump acusou autoridades locais de não conterem “agitadores profissionais” e afirmou que poderia decretar a aplicação da lei. No dia seguinte, o presidente moderou o discurso, dizendo que não havia necessidade imediata da medida, mas manteve a possibilidade em aberto.
As tensões aumentaram desde que o governo federal intensificou operações de imigração no estado. Desde dezembro, ações do Departamento de Segurança Interna resultaram em centenas de prisões e confrontos com manifestantes. Além da morte da cidadã americana, um migrante venezuelano ficou ferido em outro episódio envolvendo agentes do ICE.
O governador de Minnesota, Tim Walz, e o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, pediram que os protestos permaneçam pacíficos. Walz autorizou a mobilização da Guarda Nacional para apoio às forças locais, mas ainda não determinou seu envio às ruas.
Autoridades estaduais também acionaram a Justiça contra o governo federal, alegando que as operações violam a Constituição. O procurador-geral do estado, Keith Ellison, classificou a atuação federal como uma “invasão”.
Segundo o Washington Post, decisões anteriores de Trump envolvendo o uso de forças militares em território americano já foram contestadas judicialmente. Em um caso recente, a Suprema Corte apontou falta de base legal para o emprego das Forças Armadas em ações de segurança interna, citando possíveis violações da Lei Posse Comitatus, que limita o uso de militares em funções policiais. Atualmente, mais de 2.600 integrantes da Guarda Nacional seguem mobilizados em Washington, em operação estendida até o fim de 2026.