As manifestações representam a maior mobilização popular registrada no Irã em quase uma década. A HRANA afirma que os dados foram confirmados por meio de fontes diretas no território iraniano e checados com veículos de comunicação independentes.
Especialistas alertam, no entanto, que o número real de mortos pode ser ainda mais elevado. A ONG de cibersegurança Netblocks informa que permanece em vigor um apagão quase total da internet imposto pelo regime, o que dificulta a verificação das informações e o fluxo de notícias para fora do país.
As mortes mais recentes ocorrem em meio a denúncias de repressão violenta por parte das forças policiais. Neste domingo, o chefe da polícia iraniana, Ahmad-Reza Radan, reconheceu que o “nível de confronto contra os manifestantes se intensificou”, sinalizando o endurecimento da resposta estatal aos atos.
Entenda a crise
Os protestos tiveram início em 28 de dezembro, impulsionados por uma grave crise econômica. Entre os principais fatores estão a forte desvalorização do rial, a inflação elevada e o agravamento das condições de vida da população.
Inicialmente centradas em reivindicações econômicas, as manifestações passaram a incorporar críticas diretas ao regime dos aiatolás e ao líder supremo, Ali Khamenei. Atualmente, os manifestantes exigem reformas políticas, mudanças no sistema judiciário e ampliação das liberdades civis.
O governo iraniano atribui os protestos à suposta interferência de Estados Unidos e Israel. Já opositores sustentam que o movimento é resultado do descontentamento interno com a condução política e econômica do país.
Autoridades ameaçam retaliação
Em meio à escalada da crise, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que o país responderá com força a qualquer intervenção militar norte-americana. Segundo ele, eventuais ataques dos Estados Unidos tornariam alvos legítimos “os territórios ocupados, bem como bases militares e portuárias americanas”.
A declaração ocorre após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar no sábado (10) que o país está “pronto para ajudar” os manifestantes iranianos. Em publicação na rede Truth Social, Trump escreveu que o Irã estaria “olhando para a liberdade, talvez como nunca antes”, sem detalhar que tipo de apoio poderia ser oferecido.
Apesar do aumento da repressão policial, os protestos continuavam a ser registrados em diversas regiões do Irã até este sábado, mantendo o país em clima de forte instabilidade política e social.
*Com informações do Metrópoles.